A Correnteza

 

 

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Fluímos como um rio entre as margens imaginárias do tempo e do espaço.

 

Somos testemunhas, não da realidade, mas do que imaginamos.

 

As palavras são ferramentas. 

O que fazemos com elas é mais importante do que o que fazemos com as coisas.

 

A solidão é uma ausência, não só dos outros, mas de nós mesmos.

 

A velhice é ruminante: alimenta-se de si mesma.

 

Pior do que sofrer é acostumarmo-nos ao sofrimento.

 

Especulações ridículas:

Conhecer a realidade

Pelo jogo das partículas.

 

Prefiro, às vezes, a companhia das ideias do que a das pessoas.

 

A igualdade compulsória agride a desigualdade original.

 

Impossibilidade é uma possibilidade que não acreditamos possa acontecer.

 

A experiência é a subjetividade interpretando a objetividade.

 

Quem muito espera dos outros, não conhece o ser humano.

 

Somos feitos do que fizemos, do que não fizemos e do que os outros nos fizeram.

 

A desobediência, em certos casos, é o exercício da liberdade. Quem sempre obedece, não é livre.

 

Vejo mais quando imagino.

 

A explicação é uma estratégia para acalmar o nosso espanto em relação ao espetáculo da realidade.

 

Livro sem ideias é um cadáver encadernado.

 

A independência é, paradoxalmente, a redução da dependência e o aumento da interdependência.

 

Seres anfíbios, vivemos na realidade física e na realidade virtual.

 

Pensamos, quando temos problemas. E inventamos problemas para pensar.

 

São tantas versões de nós mesmos... Qual o nosso ser original?

 

Se somos um sonho, e esse sonho é bom, de que nos vale acordar?

 

O idealista é um sonhador crônico.

 

Se a mentira nos preserva do que não gostamos, então sejamos sinceros – mintamos.

 

O tempo nos acorrenta nos elos de cada dia.

 

Nada seguramos do que fomos. Não asseguraremos o que seremos.

 

O mal não tem grau. Qualquer mal é mal.

 

Por que o verbo amar tem um tempo imperfeito?

 

A pele nos separa de tudo.

Quem morre, fica infinito.

 

Não existe prêmio maior quando somos o que somos.

 

O humilde cacto sozinho

Impede a solidão do deserto.

 

Esperar por outra vida?

O que faremos com essa?

 

Quem tem poder atrai falsos amigos e disfarçados inimigos.

 

Somos apenas um pouco de tudo o que poderíamos ter sido

 

Um país nunca é o mesmo a cada geração.

 

Deus zipou todos os programas do universo num arquivo chamado singularidade. A criação foi o dizipamento da singularidade.

 

Se alguém matasse todos os desejos, nunca mais agiria.

 

Só possuímos realmente o que temos quando o usamos. Tudo o mais é virtualidade.

 

Qualquer época é ruim para o sábio, porque ele sempre está além de seu tempo.

 

Quem tem a natureza da Fênix sempre ressurge das cinzas de si mesmo.

 

A nostalgia é uma tristeza agradável.

 

Se há pessoas que estragam a alegria, há outras que fazem bom uso da tristeza..

 

Há mentiras com a finalidade de enganar os outros.

Há mentiras cuja finalidade é encantar a realidade cotidiana.

 

O mito e a poesia são os temperos mais usados para dar sabor à vida insossa.

 

O tato é o real mais próximo:

É um real tocando outro real.

 

Os ouvidos criam seus ruídos

Para evitar o silêncio absoluto.

 

Há os que pensam sobre o que vêem. Há os que pensam sobre o que imaginam.

 

A Vida é o deus de todos os seres vivos. O pecado maior é vivê-la pouco.

 

A omissão é uma ação às avessas; impede que uma ação esperada ou desejada aconteça.

 

A ciência é a magia que deu certo.

 

De uma forma ou de outra, os outros nos são necessários.

 

Ninguém é poderoso sozinho. Não há ditador sem cúmplices.

 

É mais importante conhecer quem somos do que sabermos o que o mundo é.

 

O livre arbítrio existe em cada momento que não agimos conforme os nossos condicionamentos.

 

A linha reta é o pior caminho. Nascemos para as curvas e as surpresas.

 

A árvore que havia ontem,

Não é a mesma.

Onde está a árvore anterior?

 

De tantos que poderia ser,

Fiquei apenas um.

 

Os meus olhos de rotina pouco veem.

Por isso, me fazem míope.

 

O esquecimento é a memória que não sabe onde está.

 

O herói não é sempre o que venceu, mas aquele que a derrota o fez maior.

 

No futuro, não há garantia.

Só somos confiáveis no presente. 

 

Sonho é tudo o que passou e o que se deseja que aconteça.

 

Minha dúvida é vacilante e provisória a minha certeza.

 

Cada instante em que me dedico a mim, é sagrado.

 

Para o tirano, a maior virtude do escravo é a obediência.

 

Até as belas coisas são algemas.

 

Visita-se o passado.

Mora-se no presente.

 

Estado, Nação e Pátria são abstrações.

Por que morrer por elas?

 

A intimidade é nosso único refúgio.

Jamais a divida com alguém.

 

O valor pessoal é intransferível:

O mérito não faz parte da herança.

 

Há o repouso que nos cansa e a atividade que nos repousa.

 

Podemos nos livrar de muitas coisas, exceto do julgamento dos outros.

 

O pensador é um polígamo de ideias.

 

Os livros são coisas mortas.

Vivas são as ideias

que eles guardam.

 

Da indulgência dos bons, o que se espera?

Onde se tolera os maus, o mal prospera

 

Quando mais sabemos, mais inseguros ficamos.

Perdemos o chão da inocência.

 

Uma fé muito forte provoca o evento da probabilidade desejada. Saber pedir é ter fé no que se pede.

 

Tenho certeza de que nem sempre estou certo.

 

O cético só não é cético em relação às suas opiniões.

 

Nunca conheceremos tudo o que somos, porque estamos sempre em mudança.

 

Amigos são sócios dos mesmos interesses.

 

Se tudo é perpétua mudança, a perfeição é um estado transitório.

 

É sempre na velhice que o amor

Se torna uma saudade vitalícia.

 

A vida não é tragédia, mas trajetória. Tragédia é interpretação subjetiva de certos eventos da trajetória.

 

Não há férias nem aposentadoria

Para quem ama o que faz.

 

A mitificação de uma pessoa

É sua mumificação social.

 

Que o corpo envelheça.

Mas, a criança, não.

 

Só a morte nos fará perfeitos:

Não poderemos mais errar.

 

Necessitamos dos outros. A atenção deles cria e garante a nossa identidade. Porém, não exageremos.

 

A sinceridade com estranhos é perigosa.

 

A força de uma frase é a sua concisão.

 

Somos o que escolhemos e o que não escolhemos.

 

Podemos reinventar o passado e inventar o futuro, porque eles fazem parte da argila do presente, onde tudo pode ser moldado.

 

Somos extensões dos outros. Os outros são nossas extensões. O isolamento é ilusório.

 

O corpo é uma contínua clonagem de si mesmo cada vez mais diferente do original.

 

Quem já se acostumou ao cativeiro,

Não sabe o que fazer da liberdade.

 

Não sei o mistério do mundo.

Sou o mistério de mim mesmo.

 

Tudo o que somos é contagioso.

Em cada circunstância,

Podemos ser remédio ou veneno.

 

Quem não vai além do que pode,

Não precisa dos outros.

 

A luz atrai as mariposas. O poder, os parasitas.

 

Como nos pesam as expectativas dos outros sobre nós!

 

A morte do rico, após lamentada, faz a felicidade dos herdeiros.

 

Há pessoas que, mesmo a sós, não são autênticas.

 

Não tenho medo da dúvida: temo a certeza. A dúvida me mobiliza. A certeza me engessa.

 

Há uma paz que apodrece: a paz da conformação.

 

Em cada livro publicado,

Um autor encadernado.

 

Fundamentalmente, só somos herdeiros do que fomos.

 

Não busco o caminho da verdade. Apenas caminho.

Afinal, o que é a verdade?

 

Na vida, tudo tem

Seu lado paradoxal:

O mal que resulta em bem,

O bem que resulta em mal.

 

Sem loucura, não há criatividade. As pessoas, ditas normais, não criam: apenas existem.

 

Em todas as mitologias há sempre um deus da guerra. Em nenhuma, o deus da paz.

 

Sou plenamente eu quando estou só.

Os outros me apequenam e me falsificam.

 

O orgasmo de viver não se adia.

A morte não dá aviso prévio.

 

 

Assim, como todos os seres,

Somos um fenômeno passageiro,

Que jamais se repetirá.

 

Às vezes, me desengano

Do ser humano,

De ser humano.

 

A melancolia é uma saudade triste.

 

Conhecer é saber como fazer e as consequências do fazer.

 

Há pessoas que não têm a mínima competência de se fazerem felizes.

 

Não podemos querer amar. Nem podemos evitar de amar.

 

Há quem busca a solidão do deserto para fugir do deserto das pessoas.

 

Quanto mais aumenta a interdependência entre as pessoas, mais cresce a necessidade da solidariedade ainda que compulsória.

 

Não reagir ao mau é aumentar o poder do mau. E do mal.

 

Não podemos amar o que desconhecemos nem a quem não conhecemos.

 

A verdade é estatisticamente o que a maioria das pessoas de uma sociedade acredita que seja.

 

A verdadeira salvação é aquela que nos liberta das nossas ilusões.

 

O conhecimento é uma construção que fazemos com a experiência, a experimentação, a razão e a imaginação.

 

É mais fácil disciplinar as pessoas pelo medo do que pela razão.

 

O ser humano é autossuficiente na prosperidade, mas inseguro e crédulo na desventura.

 

Por que confiar em abstrações, como estado, nação, governo, que são dirigidos por pessoas raramente competentes e de moral duvidosa?

 

A maioria das informações é camuflagem, principalmente as declarações oficiais, porque visam o interesse do governo.

 

Só devemos confiar quando não houver qualquer possibilidade de manter a nossa desconfiança.

 

Os crimes de guerra revelam o que há de pior no ser humano.

 

Há filósofos cujo pensamento não passa de um jogo obscuro de palavras. Eles parecem “profundos” quando menos são compreendidos.

 

A crença é uma necessidade do ser humano. Crê-se em Deus, no Estado, em ideologias de qualquer natureza, e nas pessoas que se ama.

 

Criamos fatos e somos afetados pelos fatos. E eles nos parecem como os interpretamos.

 

Se não sabemos como a vida é, vivamos como se soubéssemos.

 

Pouco me importa saber se temos livre arbítrio ou se somos vítimas do determinismo. Ajo como se livre fosse.

 

Só na solidariedade consciente é possível criar uma sociedade melhor.

 

Os livros que escrevemos são os filhos que mais se parecem conosco.

 

A simpatia inspira confiança.

É uma arma eficaz para os vigaristas.

 

Gostamos de quem parece gostar de nós.

Que perigo!

 

Enganamos mais a nós mesmos do que aos outros.

 

Reagimos emocionalmente ao imprevisto e ao inexplicado, porque desejamos que tudo seja previsível e explicável.

 

Nossas ideias são os filhos que sempre estão conosco.

 

O aumento contínuo das relações interpessoais concorre, cada vez mais, para a diminuição das certezas.

 

Se somos realmente livres, não somos facilmente previsíveis.

 

A razão nem sempre é a melhor conselheira.

 

Símbolos matam. Muitos já morreram pela pátria, por ideologias, por crenças religiosas, por times de futebol.

Humanidade besta!

 

A pior das ditaduras é a que se disfarça de democracia.

 

Ninguém é forte sozinho.

 

Não concordem comigo.

Senão continuarei como sou,

Estacionado em mim mesmo.

 

Quando estou vazio, crio.

A mente cheia é espessa.

 

O gosto da vida depende do nosso tempero.

 

A vida não tem metro.

A vida não tem rima.

E, assim mesmo, é poesia.

 

A vida me vai levando

Aonde não sei

Nem até quando.

 

Quando quero ocultar-me,

Oculto-me em mim.

 

Há pessoas que usam as outras para ganhar coisas e as que usam as coisas para ganhar pessoas.

 

O transcendental nunca deve ser uma compensação para as misérias do mundo.

 

Não há pior inferno do que o de quem nem sequer ama a si mesmo.

 

Quem alcança o poder já não é confiável. 

O poderoso tende a abusar do seu poder.

 

Vivemos à superfície do que somos. O nosso núcleo é impenetrável.

 

Vida social: saudável troca de hipocrisia.

 

O amor é um feitiço.

Quem enfeitiçou?

Quem foi enfeitiçado?

 

A vida e a morte: irmãs siamesas.

 

Se tudo é sonho, a morte também o é. Por que temê-la?

 

Somos seres de múltiplas possibilidades. Mas, tornamos reais apenas algumas delas.

 

Somos vítimas de nossas ideias. Elas nos comandam.

 

A guerra transforma os soldados no mais cruel dos animais. Mas, a pátria, abstração maléfica, os transforma em heróis.

 

Saber viver é mais importante do que ser famoso. A fama depende dos outros. Saber viver é uma sabedoria pessoal.

 

Nunca perguntes aos outros o que pensam sobre você.

Quase todos mentirão.

 

Como poderemos ver o mundo, se estamos cegamente ocupados?!

 

A emoção e a razão são nossos olhos no mundo. A ausência de um deles, nos torna caolhos.

 

Se fizermos tudo o que os outros querem, quase nada restará para nós.

 

Depois do apogeu, muitos vivem à sombra do que foram.

 

O tempo não é valioso. A vida é e, mais ainda, se livre dos afazeres cronometrados.

 

Há casamentos que subsistem pela força da inércia, pelo comodismo do hábito.

 

Um simples aperto de mão pode selar o destino de duas pessoas, que se encontraram pela primeira vez.

 

Vivemos simultaneamente no espaço e no tempo. Mas, há momentos em que só habitamos o espaço.

 

Há pessoas que são ricas das experiências dos outros.

 

Somos, ocasionalmente, importantes para os outros. Mas, fundamentalmente, só somos importantes para nós mesmos.

 

O Sol nos expõe.

A sombra nos protege.

 

A fama é democrática. Contempla os honestos e os desonestos, os mártires e os assassinos, os benfeitores da humanidade e os tiranos.

 

Os momentos se prazer são atemporais. No sofrimento, o tempo é lento e pesado.

 

O ídolo não é o homem. É a máscara que lhe puseram.

 

Tudo o que fazemos é mensagem. Muitos são os seus intérpretes.

 

O problema não está nos bens que possuímos, mas no bem que temos a eles.

 

Uma das formas da liberdade é não esperar nada dos outros.

 

O presente plenamente vivido é o melhor presente que podemos nos dar.

 

A lógica é inútil em situações de perigo. Ela só funciona em clima de paz.

 

Os momentos de solidão nos recuperam da influência dos outros.

 

Quando envolvidos em paixão, não somos confiáveis.

 

O sádico faz do dever um pretexto para o emprego de abusos e de torturas em suas vítimas.

 

O coveiro não sepulta apenas o cadáver, mas também um pedaço da vida de alguns vivos.

 

Um instante de esquecimento

É o repouso da memória.

 

A criança enxerga tudo.

O adulto é míope no presente.

O idoso vê melhor o passado.

 

Às vezes, a distância recupera o  amor cansado.

 

A criança é o Éden que perdemos pelo pecado de crescer.

 

A criança é o que imagina.

O adulto é o que pensa.

O idoso é o que viveu.

 

Saber brincar.

Saber e brincar.

Eis a grande sabedoria.

 

A paz não é repouso: é fazer-se o que se gosta.

 

A saudade na velhice é uma companhia nem sempre desejável.

 

O desabafo é sincero.

A carícia, nem sempre.

 

Fui me deixando ficar pelos caminhos.

Como posso, agora, me reunir?

 

A distância faz o teste da saudade. Os que amam sabem disso.

 

O amor é uma planta tão forte que nasce até em terrenos sáfaros.

 

A explicação para o mistério é um atentado contra o que há de mais belo na vida.

Amo o mistério.

Rejeito a explicação.

 

Um Estado poderoso é sempre predador

 

A criatividade gera mudanças. As mudanças favorecem a criatividade.

 

O ócio, quando não estimula a criatividade, gera angústia, vazio existencial, consumismo compulsivo e até violência.

 

A mente inteiramente ocupada nada cria, mas rumina o seu conteúdo rotineiro.

 

As máquinas não se cansam, não têm problemas existenciais, quase nunca erram naquilo em que foram programadas. Elas libertam as pessoas criativas.

 

Quem é na vida sempre sério

Vai morrer de alegria recolhida.

 

Somos células que nascem e renascem

No infinito organismo do Universo.

 

Quando um líder rebelde derruba uma ditadura, quase sempre se torna também um ditador.

 

Morrer é ser parido para outro mundo.

 

A religião é uma neurose institucionalizada.

 

Com os tijolos de cada dia construímos nosso corpo virtual sempre inacabado.

 

A religião é um analgésico para sedar o sofrimento da vida e o medo da morte.

 

A religião não é religação, mas submissão.

 

É nas aflições coletivas que a religião aumenta seu prestígio. Nos períodos de paz, o sentimento religioso adormece.

 

A paz só será possível, se, um dia, não mais houver nações.

 

No universo virtual não existem fronteiras. Somos todos cosmopolitas.

 

Competir para fazer o melhor de si.

Cooperar para crescer com os outros e realizar o que ninguém pode fazer sozinho.

 

O célere avanço da ciência e da tecnologia demonstra que, cada vez mais, o futuro se torna imprevisível. Depende do uso que delas for feito.

 

A rotina do trabalho caleja as cabeças.

 

As ideias não ficam órfãs quando morre seu pensador. Outros pensadores as adotarão.

 

Filosofia e poesia atuam em campos diferentes. Quando se unem, o resultado é maior do que quando estão separadas.

 

Um desejo satisfeito é um desejo morto. Só o desejar é vivo.

 

Não sabemos o que é ser. Não sabemos o que é não-ser.

 

A realidade está sempre vestida. Jamais alguém a viu nua.

 

Se a vida não tivesse altos e baixos e fosse apenas uma linha reta, seria insuportavelmente tediosa.

 

Saudades não prescrevem. São vitalícias.

 

Aposentadoria: para uns, um estado de graça, para outros, um estado sem graça.

 

É sempre nas sombrias solidões que os fantasmas da memória aparecem.

 

Qualquer país que cresce demais é sempre uma ameaça para os outros. Sem exceção.

 

As pessoas desconfiam do sábio alegre, do sábio que ri.  Sábio sempre sério, sábio triste, por certo está doente.

 

A poesia não tem compromisso com a lógica, nem é criadora de enigmas. Ela é um modo diferente de ver o mundo.

 

Nossa fome de viver faz do mundo seu alimento.

 

O sabor do saber nos vicia.

 

A rotina nos entorpece.

O susto do inesperado nos acorda.

 

Que belas as borboletas!

Nunca ficam obsoletas.

 

Líderes embalsamados.

Faraós modernos expostos

Às visitas de turistas.

 

A paixão pelo poder é uma doença incurável.

 

O líder guerreiro desperta em seu povo o que há de pior na natureza humana.

 

A vaidade exposta é uma pústula que repugna as pessoas e as afasta do vaidoso.

 

Não há povo superior, mas pessoas superiores em cada povo.

 

Não há pessoa mais nociva do que aquela que se apresenta como salvador da humanidade.

 

O mestre é um psicotrópico para quem gosta de alienar-se.

 

Religião e política: uma mistura perigosa.

 

A vida é como o circo: sejamos bons trapezistas.

 

O crente não cogita da face lúdica de Deus. Por que um Deus é sempre sério?

 

Onde tudo é luminoso, a vela acesa é blasfêmia.

 

A vida social é um banquete onde as pessoas, na sua maioria, comem as sobras. E nem sempre.

 

Quando o mundo nos dá apetite, a morte é incômoda ameaça

 

Saudade é a necessidade de um corpo visitar outro corpo, que tantas vezes visitou.

 

O amor é o alimento dos que se amam. É antropofagia.

 

O sonho é engravidante. Dele, pode nascer um fato.

 

A vida, crua nos foi dada. Cabe, a cada um, temperá-la conforme seu paladar.

 

As pessoas amargas não sabem bem às outras.

 

O preço da evolução é o contínuo aprendizado.

 

Para o bem ou para o mal, não somos imutáveis. Podemos, apenas, ser parecidos com o que fomos.

 

Ir a velório é visitar quem não está.

 

O livre-pensador é sempre uma ameaça ao conformismo social. Perturba a paz do rebanho.

 

O passado foi melhor. O futuro será melhor. Alienação de quem não sabe viver o presente.

 

No martírio, se exulta o crente masoquista para deleitar o seu Deus sádico.

 

Para o crente, a fé o sustenta e é seu sustento. Por que retirar-lhe a fé?

 

Não sejamos, da vida, apenas convivas, mas, principalmente, anfitriões.

 

Da vida, somos atores que não conhecem a peça que representam.

 

É natural que as pessoas desejem algo sempre melhor para elas. Mas, algumas exageram.

 

Há pessoas ímpares que encontram seus pares.

 

Só o forte tem a coragem de abandonar a fé que o sustentava.

 

Os fatos são o que são. O bem e o mal são interpretações deles.

 

Dividimos as pessoas em vítimas e culpadas. As vítimas, algumas vezes, são vítimas de si mesmas. E as pessoas culpadas, em alguns casos, são vítimas das circunstâncias.

 

O que podemos fazer, devemos saber fazer para evitar dissabores.

 

Erramos? E daí? Por que ficar com o sentimento de culpa crônica?

 

Não me envergonho do que fiz. Se eu fosse hoje o que era e nas mesmas circunstâncias, agiria do mesmo jeito. Quem somos hoje nunca dever ser juiz do que já fomos.

 

O imaginário é o fato em virtualidade.

 

Que importância temos? Mais de sete bilhões de pessoas não nos conhecem. E nunca nos conhecerão.

Só somos importantes para nós mesmos.

 

Se tudo está interligado, quando toco em mim, toco no mundo inteiro.

 

O tato é o nosso contato com o mundo. Os outros sentidos são abstrações do corpo.

Só temos o que tocamos.

 

Se a vida fosse uma gramática, teria mais exceções do que regras.

 

Quem apenas olha o mundo, não o vê.

 

O Paraíso era plena imaginação.

A razão foi o nosso pecado original.

 

A imaginação é a razão bêbada.

 

A filosofia quer entender o mundo. A ciência tenta dominá-lo.

 

Para o exercício de pensar, não existem academias.

 

A eternidade é a primeira causa de tudo.

 

Inventamos problemas para o exercício de pensar. A vida sem problema é o maior problema.

 

As coisas não nos fazem companhia: são testemunhas da nossa solidão.

 

A alegria é contagiante. A tristeza, também.

 

A pior escravidão é aquela que impomos a nós mesmos.

 

Qualquer fato é subjetivado. Não há objetividade sem contaminação.

 

Mais do que saber das coisas, necessitamos conhecer as pessoas e saber lidar com elas.

 

A solidão é a ferrugem da alma.

 

Quem anda na contramão sempre é notado.

 

O físico e o virtual: as duas faces da realidade.

 

O virtual nos liberta da prisão do aqui, onde se finca o corpo. O nosso onde, na virtualidade, é instantâneo e em qualquer lugar.

 

A realidade, como a percebemos, é segundo o estado químico do nosso organismo em cada situação específica, como na nossa rotina ou nas alucinações decorrentes das intoxicações e das drogas em geral. Sob esse aspecto, paraíso e inferno são também estados químicos.

 

Às vezes, o juízo é prejuízo. A razão e a rotina nos engessam. O nosso organismo é apenas aparentemente rotineiro.

O nosso veneno é o estresse diário.

 

As coisas não suprem a nossa solidão. Por mais que as pessoas nos decepcionem, necessitamos delas.

 

A esperança é o analgésico para o sofrimento. Não sabe, porém, a sua duração.

 

Quanto menor o apego, maior a liberdade.

 

Há fatos que parecem lendas e lendas que ocultam fatos.

 

O útero e a cova: dois portais para mundos diferentes..

 

A religião inventou o santo e o pecador.

 

Há quem busca a solidão do deserto para fugir do deserto das pessoas.

 

O homem criou a máquina para suprir as suas limitações. Ela é a sua réplica superlativa e que ele, cada vez mais, aperfeiçoa.

A máquina é sempre o que queremos que ela seja: a realização de tudo o que imaginamos.

 

A vida é o constante equilíbrio dos desequilíbrios dos sistemas biológicos

A morte é a perda definitiva do equilíbrio da vida.

 

Filosofia para a vida transitória: o máximo prazer possível, o mínimo sofrimento inevitável.

 

A saudade é uma nódoa no tecido da memória.

 

Não apenas a saudade do que fiz e do que não fiz, mas do que não poderei mais fazer.

 

Por que combater a tecnologia? Hoje, já não podemos viver produtivamente sem as nossas extensões tecnológicas.

 

Para a melhoria qualitativa da sociedade é necessário aplicar, como na natureza, a sobrevivência dos mais aptos, não só sob o ponto de vista da inteligência e do conhecimento, como também da ética.

 

Não olho apenas a natureza: olho-me na natureza para compreender o que somos.

 

A arte é a realidade que o ser humano criou para si.

 

Quem não se sensibiliza com a arte, vive apenas na realidade comum a todos os seres.

 

Que monótono seria o mundo se fosse apenas planície!

 

O poder nos diz: ama-me e te darei tudo o que quiseres.

 

A sociedade mais equilibrada é a que tem um regime democrático, um povo politizado e uma pluralidade de religiões em harmonia.

 

A democracia, quanto mais frágil, dá ensejo à ditadura. A ditadura, quanto mais poderosa, é o fermento da democracia.

 

Os amigos veem nosso lado melhor. Os inimigos, o lado pior. Somos a combinação dos dois.

 

Ocupo-me mais comigo. Preocupo-me menos com as coisas. Partilho-me com as pessoas que amo.

 

Quem não sabe mudar, é pedra ambulante.

 

No mundo em rápida mudança, o apego ao que sabemos nos faz obsoletos.