A FÍSICA ADMITE A EXISTÊNCIA DE DEUS

O Semeador. Novembro. 1985

 

Ocorreu, no dia 26 de outubro de 1985, com dura­ção de 14 horas, o l' Simpósio Brasileiro de Parapsicologia, Medicina e Espiritismo, pro­movido pela ASSOCIAÇÃO MÉDICO-ESPÍRITA DE SÃO PAULO, com o apoio do Instituto Brasileiro de Pes­quisas Psicobiofísicas.

De acordo com as informações prestadas pela dra. Maria Júlia B. Moraes Prieto Peres, Secretária Geral da AMESP, uma das responsáveis pelo evento, estiveram presentes representantes de 12 Estados brasileiros, além de participantes do Interior paulista e do Exterior.

O Salão de Convenções da Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, no auditório Alceu Amoroso Lima, com lotação para 300 lugares, diante das caravanas que chegaram sem a prévia inscrição, tornou-se excessivamente pequeno e mais de 200 cadeiras foram improvisadas, além dos companheiros que se sentaram nos corredores.

O horário foi rigorosamen­te obedecido sob a responsabilidade dos coordenadores dos três temas abordados durante o Simpósio: drs. Antônio Ferreira Filho, dr. Abrahão Roberg e dr. Roberto Brólio. A mesa redonda teve a coordenação do dr. Ney Prieto Peres. As solenidades tiveram início às 8 horas, presididas pelo presidente da AMESP, dr. Antônio Ferreira Filho, com a prece inicial pro­ferida pelo dr. prof. Hermínio A. Miranda.

Primeiro Tema

Sob a coordenação do pre­sidente do dr. Antônio Ferrei­ra Filho, o tema "PARAPSI­COLOGIA e ESPIRITIS­MO" contou com a participa­ção do dr. Walter da Rosa Borges, presidente do Institu­to Pernambucano de Pesqui­sas Psicobiofísicas, membro do Conselho Superior da Federação Brasileira de Parapsicologia, presidente do Conselho Regional de Parap­sicologia da 7ª Região, presi­dente da Academia Pernam­bucana de Ciências, prof. da Universidade Católica de Per­nambuco e Promotor de Justi­ça, que expôs sobre "O Uni­verso dos Fenômenos Paranormais e Mediúnicos'' e "De­marcação das Áreas Paranormal e Mediúnica: Seus Aspec­tos nas Religiões e na Medici­na."

Discorreu sobre o objeto da Parapsicologia, como epistemológico e sua divisão, inves­tigações psíquicas, as funções Psi-gama e Psi-kapa, demarcação das áreas da paranormalidade e mediúnica, con­trole dos fenômenos paranormais, entre outros. Fez uma vasta demonstração do estudo comparado, reportando-se a Holanda, França, União Soviética e Estados Unidos. Ainda expôs sobre regressões, terapias de vidas passadas, xenoglossia em crianças, que sugerem a reencarnação.

Médium Bom a Bom Médium

A parapsicologia, disse o palestrista, "lida tão só e exclusivamente com o homem enquanto ser biológico, históri­co e temporal e não como homem na sua dimensão trans­cendental, na condição de espere, seja no seu nível ontológico próprio, seja nas suas rela­ções com o mundo material. No espaço epistemológico da parapsicologia a hipótese do espírito como agente psíquico é absolutamente desnecessária. A Parapsicologia não nega nem afirma a existência extrafísica do homem e, por conse­guinte, as questões ligadas a sua possível sobrevivência "post-mortem" e não as cogita porque transcendem os limites do seu domínio epistemológi­co."

A sobrevivência, continuou dr. Rosa Borges, poderá cons­tituir-se matéria de especula­ção parapsicológica, se um dia o Espiritismo adquirir o "status" de ciência, estabele­cendo-se, assim, uma franja de relações interdisciplinares entre a Doutrina Espírita, porque a parapsicologia não faz apenas fronteiras com a religião, notoriamente com a física e outras ciências.

Referindo-se à teoria parapsicológica, afirmou ser ainda do tipo "caixa-preta", mediante a qual só é possível investigar as entradas e as saí­das do sistema, ou seja, "não entendo de eletricidade, mas sei acender e apagar a luz". Importa que o sensitivo (mé­dium) saiba ligar e desligar a sua função.

Dentro desta conotação, para a Parapsicologia o importante é o médium bom, que apresenta fenômenos mediúnicos que propiciam o campo da investigação cientí­fica e não o bom médium evangelizado do Espiritismo kardecista.

Na segunda palestra, demarcando as áreas paranormal e mediúnica, fez severas análises dos livros de Allan Kardec, reportando-se tam­bém a Gabriel Dellane, Camille Flammarion, Aksakof, Ernesto Bozzano e outros estudiosos espiritualistas, espíritas e parapsicólogos. Concluiu que o Espiritismo não é ainda admitido como ciência pela comunidade cien­tífica, mas que, inegavelmen­te, desenvolveu-se extraordi­nariamente como religião, no Brasil, em especial.

O Espiritismo, segundo o palestrista parapsicólogo, é viável de ser reconhecido oficialmente como Ciência, des­de que altere a formulação de seu objetivo, compatibilizando-se com as exigências meto­dológicas científicas.

A Física Admite A Existência de Deus

Ainda, dentro do lº tema, o dr. Ney Prieto Peres, através de projeção de slides e cita­ções de livros, inclusive os da codificação e psicografado pelo famoso médium de Uberaba, Francisco Cândido Xavier, ofereceu aos partici­pantes a oportunidade de receber uma magnífica aula sobre "Espírito, Corpo Espiri­tual e Físico".

Sempre enfocando a matéria, dentro da colocação espírita kardecista, palmilhou através das ciências, princi­palmente dentro da Física, discorrendo sobre as suas mais recentes descobertas. Deteve-se nos estudos de William Crookes, Charles Richet, Conan Doyle, Camille Flammarion, Gabriel Della­ne, Fritjof Capra (físico), Banerjee, Carlos Rubiat (físi­co), Isaac Newton e outros.

Hoje, disse o dr. Ney, a matéria considerada indivisí­vel está sendo descoberta pela física. Físicos, como Jacques Safat e Fritjof Capra (autor do livro: "O Tao da Física" admitem uma consciência além do espaço-tempo, que preside tudo no universo que pode manifestar-se criando luz. Esta forma luminosa começa a gravitar em torno dela mesma, formando um colapso gravitacional que é um anel de luz, que cria um quantum de matéria, que seria a unidade fundamental da matéria, dando origem aos corpúsculos conhecidos.

Também, o físico Carlos Rubiat, (autor da experiência do próton com anti-proton), concluiu que "as descobertas que estão sendo feitas na ciên­cia põem em evidência o fato de que a natureza é o resultado de uma concepção única, enor­me e magnifica. Se querem chamar isto de bom Deus, o certo é que uma inteligência fez tudo isto.”

No estudo do corpo espiri­tual, denominado por Allan Kardec de Períspirito, o dr. Ney Prieto Peres trouxe o estudo de Isaac Newton, que tratou muito mais do espírito do que da matéria, distinguin­do de acordo com os seus estudos dois tipos de luz: uma fenomênica, aquela que enxergamos com os nossos olhos materiais e uma luz vir­tual, que não vemos, que ele a chamou de luz numênica.

Analisou os livros da Codi­ficação kardequiana, no tocante ao estudo do períspirito e suas propriedades, reportando-se ao fluido cós­mico universal, matéria ele­mentar primitiva.

O corpo espiritual, períspirito ou ainda psicossoma (se­gundo André Luiz), é conhe­cido desde a mais remota Antiguidade, e hoje se conhe­ce mais de 50 sinônimos para designá-lo.

Segundo estudos que vêm sendo feitos com as Kirliangrafias, comprovou-se a exis­tência de um campo magnéti­co, que, nos seres vivos, se alte­ra com os estados emocionais. Também é visível o escoamen­to da doação magnética das mãos do doador para o recep­tor.

Terminou a palestra lembrando as vestes nupciais, referidas na parábola do "Festim de Núpcias ou Festa de Bodas", de Jesus, que, em virtude do pouco conheci­mento daquela época, não poderia explicitar que as ves­tes nupciais referiam-se ao períspirito, que é o envoltório fluídico do homem, que se modifica segundo a gradua­ção de sua moral, da pureza do seu coração, da prática da lei do amor e da caridade.

Debates

Primeiro tema: Foi ampla­mente debatido pelo dr. Alberto Lyra, prof. dr. Hermínio Miranda, prof. Reinaldo Pirani, dr. Denizard (de Porto Alegre), dr. Ary Lex, dr. Alexandre Sech (de Curiti­ba) e dr. Ney Pietro Peres.

O dr. Alexandre Sech refu­tou diversas colocações do dr. Rosa Borges, principalmente as críticas feitas aos livros de Allan Kardec.

Em referindo-se à colocação feita pelo dr. Ney, o dr. Hermínio Miranda fez a seguinte pergunta: "Sabemos que a velocidade da luz é de 300.000 km/segundo; será que este limite já não foi ultra­passado pela velocidade do espírito, ou seja, do pensa­mento? Não teríamos aí uma revolução na própria física?"

Ao que o dr. Ney respon­deu: "Hoje, na física, temos um efeito chamado éter-hertz ou problema de Hertz, em que uma partícula de próton, quando fragmentada por uma ação nuclear, se divide em dois fótons de cargas contrá­rias, que começam a se distan­ciarem ao infinito, sendo que estes fótons têm um movi­mento chamado "spin", girando em sentidos contrá­rios. Se por um fato, um des­tes fótons mudar a posição do seu movimento, o outro, ime­diatamente, muda o seu movi­mento, independente da dis­tância em que se encontram um do outro. Isto acontece mesmo que a distância seja de milhões de anos-luz, mostran­do aí que existe um outro meio de comunicação entre as próprias partículas físicas, que podemos dizer, acontece tão rápido quanto a velocida­de do pensamento."

O dr. Ary Lex ficou com a posição do dr. Rosa Borges no tocante a imortalidade da alma, de que não é passível de investigação científica, lamen­tando que o Espiritismo no Brasil tenha-se tornado mais uma religião para as massas, como tantas outras, em detri­mento às investigações cientí­ficas, acrescentando que ele, pessoalmente, não aceita mais do que 80% dos livros de André Luiz.

O dr. Ney esclareceu que em Física, da mesma maneira em que não se podem ver os corpúsculos dos átomos e se estudam através dos seus ras­tros, então, poder-se-á estu­dar os espíritos da mesma for­ma. Também, os fenômenos das comunicações com os mundos espirituais, se a Ciên­cia não aceita os médiuns por­que são passíveis do animis­mo, então através dos apare­lhos eletrônicos poderão ser constatados este intercâmbio, como é o caso do aparelho "Spiricon", em experiência. Aí, então, poderemos encon­trar um campo fértil de inves­tigação científica.

Ao final, concluiu dr. Walter Rosa Borges que a sua intenção não é a de "puxar a brasa" para a Ciência e refu­tar o Espiritismo, mas de "di­vidir a brasa", pois, embora a parapsicologia tenha o seu campo específico, juntos poderão realizar um trabalho altamente produtivo.