A Medida do que somos

 

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Quem deseja ser imitado, está querendo fazer os outros de seus clones psicológicos.

É irracional temer aquilo de que não se tem certeza.

A história da humanidade é, na sua maioria, o relato das insânias, praticadas por líderes religiosos fanáticos, por generais e reis sanguinários, pelos megalomaníacos do poder. O povo é fascinado e conduzido por essas personalidades psicopatas, que se proclamam salvadores do mundo ou de sua pátria.

Conhecemos fatos, mas não conhecemos as reais intenções de seus protagonistas. Fatos, dito históricos, quando mais antigos, menos confiáveis.

Os mais fracos servem aos mais fortes e se servem do mais forte para sobreviverem ainda que em precárias condições de vida.

A cada dia que acordamos, começa a eternidade.

O elogio, em muitos casos, é um veneno. Mata a autocrítica e transforma a vaidade em dependência.   

Os bens que nos escravizam, não nos fazem bem.

Toda fascinação é um risco porque é um anestésico da razão.

Tecnologicamente, já chegamos ao ponto em que podemos destruir-nos completamente. A natureza não sentirá a nossa falta.

Não há nada melhor do que bastar-se a si mesmo. O que o mundo nos oferecer a mais, nada mais será do que supérfluo.

Ninguém existe só para si. Ou só para os outros. Mas, o para si e o para os outros variam de proporção em cada caso concreto.

Os que se mostram externamente diferentes quase sempre são apenas externamente diferentes.     

O verdadeiro mago é o que faz de sua vida um contínuo encantamento. E que não quer ser um mago para os outros.

Vemos claramente as coisas quando não buscamos nelas qualquer utilidade.

A ciência destrói sonhos antigos, mas, em compensação, gera sonhos novos.  

É perigoso alguém tornar-se um mito, pois perderá o direito de errar.

Fundamentalmente, cada indivíduo é a sua espécie. O que dele se diferencia pela experiência está dentro das potencialidades de sua espécie.

Somos nós que tornamos sagrado tudo o que fazemos, o tempo que vivemos, o espaço que habitamos.   

Quem não perdeu o prazer do lúdico pode fazer coisas sérias com a leveza de quem se distrai com os seus brinquedos

Quando éramos crianças, brincávamos sem saber que era brincadeira. Feliz o adulto que continua brincando com as coisas do mundo, sabendo que não são brincadeiras.

A beleza da arte é a sua inutilidade. Ela é a experiência do enlevo. E nada mais. É a transcendência e não a práxis. É o momento de dissolução do eu, o flutuar nas ondulações do mundo. O artista e o poeta são hipnotizados que hipnotizam, com a sua criação, as outras pessoas.   

Cada um de nós é único. Como podem existir “almas gêmeas”?

O subjetivo não é irreal: é apenas objetivamente inobservável.

Quem necessita de admiradores, não tem suficiente admiração por si mesmo.

O mais íntimo de nós não recebe visitas.

Há os que mergulham no oceano. Outros, que mergulham no espaço. Poucos são os que mergulham em si mesmos.

Como é difícil ser espontâneo! É quase impossível ser o que se é. E, no entanto, essa é a única coisa necessária que nos cabe fazer.

Ainda que não queiramos, criamos expectativas nos outros em relação a nós. E, ainda que não queiramos, acalentamos expectativas em relação aos outros.

Há pessoas que, sob a alegação de que tudo é efêmero, nada realizam. São efêmeros inúteis

A arte é uma sedução que seduz o próprio sedutor.

Há ocasiões em que o ser humano pode ser o seu pior algoz.

Somos atingidos por acontecimentos mais diversos porque não podemos prevê-los e/ou controlá-los. Não precisamos, assim, de explicações metafísicas ou teológicas para eles.

Se pudéssemos prever tudo, perderíamos o prazer do inédito.