BOLETIN INFORMATIVO

 

Associación Iberoamericana de Parapsicología – AIPA

 

Buenos Aires. Dezembro de  1997


 

O Boletin Informativo AIPA, da Associación Iberoamericana de Parapsicología, de dezembro de 1997, inaugurando uma coluna intitulada Perfiles, para colher depoimentos de parapsicólogos, escolheu Valter da Rosa Borges para ser o primeiro entrevistado. A entrevista foi a seguinte:


 AIPA -Como se iniciou no campo da parapsicologia?

 

VRB - Iniciei-me no campo da Parapsicologia em 1953, (tinha então19 anos de idade), após a leitura da obra psicografada de Francisco Cândido Xavier, intitulada “Parnaso do Além Túmulo”, reunindo poesias inéditas, atribuídas aos espíritos de poetas brasileiros e portugueses falecidos e das mais diversas escolas literárias.

Como estava, naquela época, bastante familiarizado com a literatura luso-brasileira, pude fazer a leitura de maneira crítica, o que resultou num tremendo impacto que modificou o curso da minha vida, levando-me a abandonar a carreira literária , onde já me iniciara com a publicação de um livro de poesias, intitulado “Os Brinquedos” (Recife, 1953) e me dedicar inteiramente à Parapsicologia, a fim de investigar o extraordinário potencial da mente humana.

 

AIPA - Quais são suas principais áreas de interesse?

 

VRB - Tudo no campo da Parapsicologia me interessa e fascina. Mesmo assim, posso admitir que os fenômenos de personificação subjetiva (mais conhecidos como personalidade secundária), inclusive memória extracerebral, experiências fora do corpo e personificação objetiva (ou materialização) são aqueles que me prendem mais a atenção. Embora tenha investigado vários casos de “poltergeist”, lidei, durante muitos anos, com fenômenos de personificação subjetiva e personificação objetiva e, em certa ocasião, pude examinar detalhadamente e, em boas condições experimentais, uma mão materializada.

Além do ensino e da pesquisa em Parapsicologia, dedico-me também à questão da epistemologia e da reflexão filosófica da fenomenologia paranormal, aprofundando as suas relações interdisciplinares com as demais ciências.

 

AIPA - Quais são os principais problemas que você tem encontrado no curso de sua carreira de parapsicólogo?

 

VRB - Em primeiro lugar, o problema econômico. Todas as nossas atividades no campo da Parapsicologia são financiadas por contribuições dos membros do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas o que nos impede de manter um laboratório próprio devidamente equipado para a investigação, rigorosamente controlada, dos fenômenos paranormais.

 Em segundo lugar, a confusão que ainda existe em boa parte da população brasileira, a respeito da Parapsicologia, confundindo-a com o Espiritismo e, com isso, prejudicando, enormemente, o seu acesso ao ambiente universitário.

E, finalmente, a dificuldade de realizar a investigação dos casos espontâneos, pois, as pessoas envolvidas numa experiência paranormal, geralmente, procuram os centros espíritas e as igrejas para a solução desse problema.

 

AIPA - Quais têm sido suas maiores satisfações derivadas de sua atividade na parapsicologia?


VRB - Principalmente a satisfação de constatar que o homem é muito mais do que aquilo que ele imagina ser e dotado de aptidões que poderão ajudá-lo a construir o seu próprio destino. Compreendi que a Parapsicologia é uma ciência de vanguarda, porque estuda o homem na sua globalidade, interagindo consigo mesmo, com os seus semelhantes e com todos os demais seres vivos e agindo, ainda, sobre o mundo exterior, tomando, cada vez mais, consciência de sua singularidade como a expressão mais avançada da própria natureza.

Mais do que qualquer outra ciência, a Parapsicologia é o elo de ligação com a Filosofia e a Religião, ensejando um diálogo interdisciplinar capaz de ampliar, cada vez mais, o nosso conhecimento sobre a realidade e, consequentemente, um relacionamento mais adequado com os seus múltiplos aspectos.

 

AIPA - Como vê o futuro da parapsicologia?

 

VRB - O futuro da Parapsicologia depende, principalmente, dos próprios parapsicólogos. Do trabalho que possa ser feito no sentido de dotá-la dos meios necessários ao seu crescimento como ciência, do aperfeiçoamento de suas técnicas de pesquisa e de sua metodologia e de sua precisão conceitual. A Parapsicologia é um campo vastíssimo de manifestações fenomenológicas de alta complexidade e isto exige do parapsicólogo um conhecimento geral bem estruturado, não só no campo das ciências naturais, como também das ciências humanas. É necessário que certos parapsicólogos reconheçam que a Parapsicologia já chegou a um estágio do qual não há mais volta e que todo esforço de reduzi-la a um campo especial de outra ciência constitui um atentado a sua autonomia, obstaculizando o seu progresso.

 

AIPA - Qual é sua visão atual da Parapsicologia na América Latina?

 

VRB - A Parapsicologia, na América Latina, está em ascensão, mas precisa criar o seu próprio Mercosul. Urge criar uma espécie de mercado de atividades integradas, visando o desenvolvimento harmônico da Parapsicologia nos países que mantêm afinidades culturais e linguísticas, preservando, naturalmente, as peculiaridades regionais. A criação da Associação Ibero-americana de Parapsicologia foi um gigantesco passo dado nessa direção. Por isso, é preciso agendar um calendário de eventos anuais, com a realização de congressos que possam reunir parapsicólogos ibero-americanos para uma permuta de informações e experiências, na discussão de problemas comuns no campo da investigação parapsicológica. A Internet poderá ser um veículo extraordinário para um permanente contato entre os parapsicólogos ibero-americanos como também a permuta entre si de suas publicações em livros e revistas especializadas.