PARAPSICOLOGIA, CIÊNCIA CONFUNDIDA COM BRUXARIA

 

Reclamo. A Revista Nordestina.

Ano I, N° 11, outubro de 1986.

Ciência

 

 A parapsicologia ou psicobiofísica é uma ciência ainda nos seus primeiros passos. Estuda os fenômenos paranormais e é frequentemente confundida com bruxaria ou espiritismo.

 

Parapsicologia: ciência confundida com bruxaria

 

O convidado chegou quando todos já estavam à mesa do almoço. Ele apenas deu bom dia e imediatamente os talheres se entortaram. A veracidade desta história pode ser confirmada pelo anfitrião do almo­ço, o industrial Duílio Cabral da Costa. O estranho hóspede era Thomas Green Morton, um mineiro de 39 anos, cujo nome é uma homenagem ao descobridor da anestesia geral. Ele já realizou tantas proezas que muita gente importante o escolheu para guru, a exemplo de Henfil, Baby Consuelo e Pepeu Gomes. Na verdade, Thomas é um paranormal. Os fenômenos de paranormalidade se tornaram populares depois dos shows de Uri Geller pela TV americana e, logo depois, em todo o mundo. Durante algum tempo depois do sucesso de Geller, muita gente tentava entortar coisas em casa, mas os freqüentes fracassos acabaram por matar a novidade. De um modo geral as pessoas passam por experiências paranormais. O que não significa que sejam dotadas de tais poderes. O mais frequente dos fenômenos incomuns é a telepatia, sobretudo entre mãe e filho, mas ainda assim, eventual.

 

A curiosidade em torno do tema "parapsicologia" é grande, mas são poucos os que se dedicam a estu­dá-lo com seriedade. Neste mês, aqui no Recife, o Clube Interna­cional será sede do V Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Psicotrônica, um encontro que promete variadas abordagens do assunto, mas sempre com preocupação científica. O presidente do Instituto Pernambucano de Psicobiofísicas, Walter Rosa Borges, chama a atenção para o fato da comunidade científica internacional já haver reconhecido a parapsicologia como ciência, mas ainda assim ela é pouco compreendida. A maioria das pessoas relega essa ciência ao campo da bruxaria ou do misticismo barato. O que ocorre com frequência, esclarece Walter, é que são poucos os autênticos paranormais, e muitas vezes, eles acabam por se envolver em mal-entendidos, atuam em am­bientes impróprios ou chegam mesmo a cometer fraudes, para não perder o prestígio ou para garantir ganha-pão. O desprestígio maior da ciência corre por conta dos impostores que, aí sim, são muitos.

 

CIA E KGB

 

Nos países do chamado 1° Mundo, Estados Unidos e União Soviética por exemplo, a parapsicologia já alcançou outro estágio de importância, embora também sejam frequentes as fraudes.

 

Os serviços secretos americano soviético, mais precisamente a ClA e a KGB, têm usado paranormais em suas missões. Eles se utilizam a manipulação da mente, espionagem por meio da clarividência, percepção de pessoas, objetos ou fatos físicos independentemente dos sentidos comuns. Um dos fatos mais marcantes da história da utilização dos paranormais aconteceu em Moscou. Stálin, ao saber que o polonês naturalizado russo Wolff Messing era paranormal, propôs um teste definitivo: Wolff deveria roubar o banco central de Moscou e entrar no gabinete de Stálin sem a senha obrigatória. Wolff descontou o cheque em branco no banco e simplesmente apareceu no gabinete do líder soviético. Mais tarde explicou que o caixa do banco pagou o cheque submetido a uma alucinação telepática. E os guardas do gabinete se convenceram de que ele, Wolff, era nada menos que Béria, na época braço direito de Stálin.

 

Claro que nada disso vai acontecer no congresso. Mas certamente o público ficará muitíssimo mais informado a respeito de parapsicologia. Ninguém vai chegar em casa e começar a entortar talheres, mas igualmente ninguém mais vai rezar o credo ao ver um paranormal.