Caminhos do Tempo

Textos Selecionados

 

A ciência, assim como a poesia, usa o artifício das metáforas.

A ciência avança com imaginação e pesquisa.

Precisamos de religiosidade, não de religião.

O nosso Deus interior não necessita de igreja. Cada um de nós é a sua igreja.

A religião é o jardim da infância das pessoas que continuam psicologicamente crianças.

A religião em nada melhorou o ser humano. Apenas disciplinou os crentes com o seu terror teológico.

A essência da religião é o conforto aos infelizes e o terror à possível vida post-mortem.

Fascinam-me os mistérios da natureza. Repugnam-me os mistérios inventados pelas religiões.

Diferentemente da religião, a ciência não cultiva mistérios, mas procura solucioná-los.

Um Deus que necessita ser adorado e glorificado, é um deus vaidoso.

Se Deus muda de opinião pela oração de um crente, ele não está seguro do que faz.

Se Deus é misericordioso, por que os crentes cla­mam: “Senhor, tende piedade de nós”?

A teologia inventou um Deus com sentimentos hu­manos.

Se Deus nos fez à sua imagem e semelhança, somos clones dele? Pelo que somos, é difícil acreditar.

Deus é a justificativa para quase tudo o que acontece.

Deus é uma palavra carregada de significados confli­tantes. Palavras pouco explicam e, não raro, não explicam nada. Não me importo com a palavra Deus. Vivo a realida­de que me foi dada.

Os teólogos acreditam que a criação do universo foi um ato da bondade de Deus. Mas o universo não é bondo­so com os seres biológicos.

Se Deus é misericordioso e perdoa todas as criatu­ras, então não existe o Inferno.

Quando o homem sofre, Deus é necessário. Quando está feliz, Deus é desnecessário.

De que nos serve indagar se existimos? Quem faz essa pergunta? Um não existente desejoso de existir?

Se nada existisse, quem o testemunharia? E, se houvesse um único observador, o nada não seria tudo.

Somos reais. Fazemos parte da realidade. E muito pouco sabemos sobre ela.

Embora a realidade seja eterna, ela não é imutável, porque suas formas físicas e biológicas estão em perma­nente mudança.

O futuro também é mutável. Por isso, as profecias, quase sempre, fracassam.

Não saímos do Nada e voltamos para o Nada. Saí­mos do Todo e voltamos para o Todo.

Como a não existência, postulada por Schopenhau­er, é preferível à existência, se não há ninguém para com­prová-la?

Os cientistas são mais ousados do que os teólogos na explicação do que é a realidade. A busca de uma Teoria de Tudo parece ser um sucedâneo científico de Deus.

Uma indagação inútil: por que as coisas são como são? Como seriam de outra maneira?

Saúde é a capacidade de o organismo lidar com as suas instabilidades.

O que assegura a longevidade de um organismo é a sua capacidade da adaptação às alterações de seu meio ambiente.

O universo é estruturado pela matemática? O que é possível em matemática, nem sempre se aplica à realidade física. Por isso, para Bertrand Russell, a matemática não passa de tautologia.

Se a matemática é o fundamento do mundo, por que é inútil para prever e controlar as atividades humanas orgânicas, psíquicas e sociais? As pessoas não guiam suas vidas pela matemática. Ela é inútil para o autoconhecimento e o conhecimento de outras pessoas. E nem serve para resolver os problemas humanos.

O fato é o colapso de uma probabilidade.

O impossível - a possibilidade que ainda não aconte­ceu. O acaso - a possibilidade não prevista, que aconteceu. O que acontece é uma das infinitas possibilidades que poderiam acontecer.

Se as possibilidades são infinitas, então nada é im­possível.

Todas as possibilidades se realizarão ou apenas uma parte delas?

Se um fato que parecia impossível aconteceu, en­tão, por ter sido possível, pode acontecer de novo.

John Wheeler argumentava que, no início, só havia probabilidades e que estas só se tornam reais quando ob­servadas.

Ora, o mundo existiu muito antes de existirem seres humanos para colapsar probabilidades.

Prever é a necessidade de segurança do ser huma­no. Busca-se prever um fato para evita-lo ou domina-lo.

A intuição é uma abertura para o mundo das proba­bilidades.

O presente não é bom intérprete dos fatos passa­dos, principalmente os longínquos.

O presente é a ponta de lança do passado em dire­ção ao futuro.

O passado é um museu para ser visitado e, não, pa­ra substituir o espaço aberto do presente.

Só o presente é real. O passado e o futuro fazem parte do presente.

Podemos propor que há um espaço infinito, no qual o universo em expansão o vai ocupando indefinidamente.

Segundo Erwin Schrodinger: “O que observamos como corpos materiais e forças nada mais são formas e variações na estrutura do espaço.” Logo, o espaço é um tecido e não o vazio.

O amor não é um mandamento. Ninguém ama por­que quer, mas quer alguém porque o ama. E há aqueles que nunca experimentaram o sentimento de amar.

Cuida das pessoas que te amam e, não, de teus ad­miradores.

O maior medo, no amor, é perdê-lo.

É o amor de algumas pessoas que garante a sobre­vivência da humanidade.

Amizade - coincidência de interesses.

As mais sólidas amizades se arrefecem ou se aca­bam, quando o interesse comum entre as pessoas também se arrefecem ou se acabem.

Jamais confie em estranhos, pois nem sequer co­nhecemos, com certeza, os nossos amigos.

Os elogios dos amigos, na maioria dos casos, são gentilezas.

O sucesso de alguém incomoda os inimigos e, às vezes, também os amigos.

Se o pobre enriquece, adquire a vaidade dos ricos. Se o rico empobrece, adquire a revolta e a inveja dos pobres.

Pobres não gostam de ricos. Mas, se enriquecem, passam a não gostar de pobres, preferindo a companhia dos ricos.

A pobreza é a matéria prima das religiões e dos polí­ticos para assegurarem o poder sobre os pobres.

A riqueza também é a felicidade de quem sabe fazer bom uso dela.

A riqueza honesta é para ser desfrutada plenamente.

Depois que admiti que erro muitas vezes, perdi o receio e a vergonha de errar.

Quanto mais conhecermos nossos erros, erraremos menos.

Dos erros, poderemos ter certeza. Da verdade, nem sempre.

Quem nada tenta para não errar, já erra por não tentar.

Os erros são caminhos que nos estimulam a encon­trar o caminho verdadeiro.

Absolva-se sempre dos seus erros voluntários e in­voluntários. Mas faça tudo para corrigi-los.

Não basta fazer o certo, mas combater também o que é errado.

O ser humano é a única espécie que mata por ne­cessidade e sem necessidade. E os teólogos ainda inventa­ram que somos a imagem e semelhança de Deus.

O ser humano nunca mudou, apesar de todo pro­gresso tecnológico e científico. Ao contrário: ficou mais perigoso e predador.

Cada ser humano é um mundo privativo em intera­ção constante com o universo coletivo da sociedade em que vive.

A espontaneidade é incômoda. Por isso, a hipocrisia na vida social.

A sociedade ideal é aquela que as pessoas sentem orgulho de ser honestas.

Basta uma geração de imbecis para que a humani­dade retroaja a outra Idade de Trevas.

No passado, os bárbaros destruíram, pela guerra, a civilização ocidental, representada pelo império romano.

Hoje, os novos bárbaros, sem necessidade de guerrear, estão destruindo o mundo inteiro pelos recursos da mídia.

As verdadeiras sociedades secretas são os Estados. Os povos nunca saberão os seus segredos.

A ética é um pacto de convivência entre as pessoas para a sustentabilidade de cada sociedade.

A humanidade necessita de líderes. Mas, quão peri­gosos eles podem ser.

As redes sociais pescam qualquer tipo de peixe.

Em suas mais diversas modalidades, o preconceito das pessoas sempre existiu, existe e sempre existirá em todas as sociedades. O preconceito, porém, só se torna perigoso para a convivência social quando se institucionaliza.

Cresce, cada vez, a população de viciados e de delin­quentes. O que fazer dessa gente? O que essa gente vai ser?

O Estado é uma ficção. Os povos são governados por pessoas que, de um modo ou de outro, chegaram ao poder.

A cada geração, o mundo é outro. Poucos da gera­ção passada serão lembrados.

Nenhum país é confiável. O mais poderoso sempre tentará, por todos os meios, dominar os outros. Afinal, os países são feitos de pessoas.

Nacionalismo: uma ideia que separa países.

A utopia é a necessidade dolorosamente humana de um mundo melhor.

O povo é apenas um substantivo coletivo. Só exis­tem pessoas.

Percebemos o mundo segundo a nossa estrutura sensorial e o julgamos em conformidade com os nossos condicionamentos culturais.

Quase todas as nossas escolhas nos foram cultural­mente impostas.

No mundo atual, cada vez mais violento e de pessoas não confiáveis, é preciso adoecer de paranoia preventiva.

Ninguém pode sozinho melhorar a humanidade, mas, segundo as suas possibilidades, ajudar as pessoas.

Não luto para melhorar o mundo, mas para melho­rar o meu modo de estar no mundo.

Não é preciso amar para ajudar: basta ajudar mes­mo que seja apenas por solidariedade ou compaixão.

Todos os que se julgaram (ou foram tidos por) sal­vadores da humanidade, fracassaram. A maioria da huma­nidade continua, eticamente, como os primeiros seres hu­manos. Na melhor das hipóteses, eles foram apenas conse­lheiros.

Se, um dia, uma catástrofe destruísse a humanida­de, deixando incólume uma multidão de robôs inteligentes, autoconscientes e com capacidade de se auto reproduzir, como seria o mundo? Por certo, eles levantariam as mes­mas questões dos seres humanos, indagando sobre o uni­verso e si próprios. Uns argumentariam que tudo foi criado por um ser inteligente (ou seres inteligentes), que progra­mou tudo o que existe. Este criador seria à sua imagem e semelhança. Outros declarariam que tudo se formou pela movimentação aleatória de partículas no curso de bilhões de anos. Do acaso, portanto, eles teriam sido criados e es­tão em processo de contínua evolução.

O homem fabricou as máquinas à sua imagem e se­melhança. Mas, não seria o ser humano uma máquina or­gânica que se tornou autoconsciente? E será que, no futu­ro, com a evolução tecnológica, as máquinas também se tornarão autoconscientes?

Para os Senhores da Guerra, a paz é improdutiva, não gera progresso, mas estagnação. Por isso, é necessário para eles que sempre haja inimigos.

Soldados e civis são vítimas de líderes mundiais en­sandecidos e amantes da guerra.

O guerreiro é o maior flagelo da humanidade. Mata mais do que as catástrofes da natureza.

São os líderes políticos insanos que criam a animo­sidade e a guerra entre os países.

Em certas situações trágicas, ocorre uma epidemia de altruísmo.

A paz é imprópria para o altruísmo. As pessoas es­tão apenas egoisticamente sossegadas.

O altruísmo é um gene recessivo no ser humano e raramente ou nunca ativado segundo cada indivíduo.

A mais perigosa das mentiras é a que se parece com a verdade.

A sinceridade é insuportável. A mentira é anestésica.

Há mentiras perigosas. E verdades também.

Muitas coisas que pensamos ser verdades são ape­nas verossímeis.

Nossas certezas são apenas a crença de que esta­mos certos.

Não tenho certezas, mas opiniões e, como tudo está em permanente mudança, elas são necessariamente provi­sórias.

Quem concorda sempre comigo, me prejudica. Dá- me a ilusão de que estou certo.

Os caminhos dos outros não cabem nos nossos pés.

Quem não faz seu próprio caminho, perde-se no caminho dos outros.

Viver com os outros, não para os outros.

Quem se aprofunda muito em si mesmo, já não con­segue perceber os outros.

Sofremos pelos outros, por causa dos outros, e por nós também.

Não seja o acusador de si mesmo. Os outros o serão.

Não fale sobre você e seus problemas aos outros. Poucos estarão sinceramente interessados.

Quem vive para agradar aos outros, perdeu a liber­dade de ser o que é.

Ninguém é libertador dos outros, mas apenas de si próprio.

Deixo-me influenciar pelas ideias alheias a fim de ver o mundo também pela visão dos outros.

Sou sensível às ideias inteligentes, mesmo que não concorde com algumas delas.

Prefiro o solilóquio com as ideias do que a compa­nhia de pessoas sem ideias.

As ideias alheias, quando criativas, também são ma­téria para nossas reflexões.

Vivemos mais em função das palavras do que das coisas. As palavras é que dão significado às coisas, que, quando nada significam, são apenas coisas.

As palavras são mais fortes do que as coisas. Sem as palavras, as coisas seriam apenas coisas sem identidade e significado.

Os fatos não se repetem. Apenas se assemelham. E eles não prescrevem, embora mudem as suas interpretações.

Pensamos que somos objetivos, mas percebemos os fatos através dos filtros de nossa subjetividade.

Só os fatos são reais. A verdade é apenas uma inter­pretação deles.

Entre as palavras e os fatos, a ilusória certeza da nossa compreensão.

É necessário suspender nossas certezas sempre que investigarmos um fato novo.

Não há fato cru. Cada pessoa, cada cultura o tempe­ra a seu modo.

A rotina criativa é aquela em que se obtém os mes­mos resultados por maneiras diferentes.

Em grande parte do nosso tempo, somos robôs de carne, agindo segundo os nossos condicionamentos. Até em todo o universo, é a rotina que sustenta tudo.

A rotina, apesar de monótona, nos dá o sentimento de ordem e segurança.

Todo ato criativo logo se torna rotina até que ocorra uma nova criação.

A cada dia somos apenas semelhantes ao que fo­mos.

Somos um turbilhão de partículas subatômicas em interminável processo de transformação. A cada instante, somos microscopicamente diferentes.

Em nível microcósmico, nunca somos os mesmos a cada segundo.

Toda a crise é sintoma de necessidade de mudança.

Só poderemos mudar, quando percebermos como fomos construídos.

Se nada mais nos surpreende, por certo já não ob­servamos a contínua mudança das coisas.

Ou mudamos com as mudanças, ou ficaremos per­didos no passado.

Não serei sempre o que sou, como não sou quem ontem fui. Eu sou as minhas mudanças.

Ninguém é sempre o mesmo em cada circunstância.

A ânsia pelo saber, em alguns casos, pode ser uma forma sutil de escravidão.

Quem escraviza, torna-se dependente dos escravizados.

Escravos não se revoltam, se se sentem bem trata­dos e seguros por sua obediência.

Os crentes masoquistas aspiram ser os heróis do so­frimento. Aliás, o masoquismo é uma forma exótica do he­donismo.

A alegria e o otimismo são os analgésicos naturais para o sofrimento.

O sofrimento é inútil se não se converte em experiência.

Não só o amor, mas também o infortúnio, une as pessoas.

A beleza não necessita de sentido. Qual a lógica de seu êxtase?

A beleza, assim como o amor, é uma necessidade da alma.

Muitas pessoas buscam a fama pela necessidade de serem admiradas.

A fama e a ânsia de mantê-la pode, em muitos ca­sos, custar, emocionalmente, muito caro.

A necessidade da fama é um tormento. A vaidade da fama, um narcótico.

Muitos querem possuir cada vez mais. Possuir mais bens materiais. Possuir mais conhecimento. Como há bens supérfluos, há também conhecimentos dispensáveis. São quinquilharias materiais e quinquilharias intelectuais.

Quanto mais temos, menos somos. A posse nos aprisiona.

Pessoas e coisas não nos prendem. Nós é que nos prendemos a elas.

O castigo do herói: envelhecer.

Somos heróis em cada momento que fazemos o que pensávamos ser impossível.

As ideias evitam a solidão mental.

Há pessoas cuja companhia aumenta a nossa solidão.

Não há poder sem pompa por mínima que seja.

A dádiva ostensiva é requintada forma de exibição de poder.

Quem é tolerante com o mau, é conivente com o mal.

A bondade é contagiosa, e a maldade, também.

Quem é “bonzinho” com quem não presta, ou é in­gênuo ou também não presta.

O bem que fazemos nem sempre é reconhecido. O mal que fazemos jamais é esquecido.

As pessoas são capazes de fazer tanto o bem quanto o mal, na conformidade de circunstâncias excepcionais. Em situações normais, a sua maioria é inofensiva.

Quem se julga sábio e espera o aplauso do povo, não tem sabedoria.

O verdadeiro sábio não necessita de discípulos.

É o nosso instinto de conservação que nos leva a crer que somos imortais. Porém, o sofrimento insuportável faz o ser humano desejar a morte.

O verdadeiro ateu não teme a morte, porque está convicto de que não sobreviverá à morte. O verdadeiro crente não teme a morte, porque tem fé de que a ela so­breviverá.

Se a finalidade da vida é a morte, a finalidade da morte é recolher os átomos, agora livres, para a construção de uma nova vida.

O morto tem várias versões do que ele foi segundo as pessoas que o conheceram.

Se a memória de quem morreu é preservada por muitas gerações até hoje, ela é provisoriamente imortal.

Nascimento - passagem do virtual ao físico. Morte - passagem do físico ao virtual.

Dormir - ausência temporária. Morrer - ausência permanente.

A política não é ciência, é arte: a arte de mentir. Na­da do que um político diz é confiável. Cada vez mais os polí­ticos se aprimoram no exercício de sua arte.

Na política, a sinceridade é um defeito grave.

O político é promíscuo. Para eleger-se, relaciona-se com qualquer tipo de pessoa.

Nada há de mais ridículo do que político em época de eleição.

Seja qual for o regime político de um país, a verdade é o que é conveniente ao grupo dominante.

O verdadeiro objetivo de cada partido é o poder. O resto é detalhe.

A democracia será sempre uma utopia enquanto o povo não tiver consciência política. Ele é presa fácil para qualquer tipo de ditadura explícita ou disfarçada.

Não há governos transparentes. Nos regimes demo­cráticos, são translúcidos. Nas ditaduras, são opacos.

O Estado é uma ficção. Os povos são governados por pessoas que, de um modo ou de outro, chegaram ao poder. Para validar o seu poder, elas se dizem representan­tes de Deus ou representantes do povo.

Todo ditador é um megalomaníaco. Julga-se um Messias político. Alguns são paranoicos e enxergam inimi­gos em toda parte. Até os seus aliados mais próximos estão sob suspeita. Governa pelo medo que impõe às pessoas e manda eliminar quantas forem necessárias para exibir a força do seu poder. Torna-se adorado pelo povo mediante manipulação da mídia. Acusa seus opositores de inimigos do povo e se diz ameaçado por eles. Inventa atentados pa­ra punir os adversários e os classifica como inimigos da pátria. Proclama ser o pai dos pobres, mas se faz amigo dos ricos e deles se utiliza para seus propósitos.

Os ditadores, em geral, são populistas e sedutores. Eles encantam as pessoas, mesmo alguns intelectuais e artistas, pelo seu delírio arrebatador e pela sua megaloma­nia extrema.

O ditador é um camaleão e sua cor depende do tipo de regime em que vive, seja democrático ou não. Por isso, o povo não percebe a diferença quando se trata de um ti­rano na democracia.

Há ditadores cultos, ignorantes, brutais, populistas, reservados, falantes. Prometem ou o que não podem ou que não querem cumprir, e culpa os adversários pela não realização do prometido. Corruptores são cercados por uma alcateia de corruptos. E todos enriquecem à surdina ou ostensivamente. Há corruptos que têm o dom da invisi­bilidade e, quando descobertos, fazem o papel de vítimas. Há, porém, os corruptos debochados, que se vangloriam de sua capacidade de ilusionistas, proclamando os seus atos ilícitos como algo natural e aceitável. Os tesouros da cor­rupção estão a salvo do conhecimento do povo e geralmen­te inacessíveis à investigação da justiça.

A quadrilha de governos aparentemente democráti­cos ou ostensivamente tirânicos está ligada a outras quadri­lhas e elas permutam benefícios recíprocos. É um acordo secreto e dificilmente investigado por parte da imprensa que não foi subornada pelo tirano. As verdades oficiais não são contestadas e o povo desinformado e despolitizado acredita nelas.

A corrupção, em muitos casos, é a alma do poder, notadamente na política. A sociedade apodrece moralmen­te e as pessoas, gradualmente, passam a não mais sentir o cheiro da podridão. Esta perda olfativa da ética faz com que elas achem natural conviver com a podridão e dela tirar o maior proveito possível.

Cada povo tem o governo que merece. Expressão inadequada. Em um regime democrático, é a maioria que tem o governo que merece.

Os governantes mentem. Principalmente os ditadores.

Na democracia, na monarquia e em qualquer forma de ditadura, não existe governo. Governo é uma abstração. Há governantes e seus auxiliares, pessoas físicas, que, às vezes, governam com competência, pouco importando que sejam da direita ou da esquerda. Honestidade e competên­cia não têm partido.

A alternância do poder significa, na prática, a substi­tuição de uma raposa por outra na guarda do galinheiro. O pretexto político é sempre o mesmo: melhorar a vida do galinheiro.

As pessoas comuns mentem amadoristicamente. Os políticos, ao contrário, são os profissionais da mentira.

Enquanto o povo for rebanho, não haverá democra­cia, mas despotismo disfarçado.

Nem tudo o que dá prazer é bom, nem tudo o que é bom, dá prazer.

O ódio é a ira que se tornou crônica.

A profecia é a necessidade do ser humano de co­nhecer o futuro.

O que é bom, a gente saboreia. O que é ruim, engole.

A necessidade de segurança do ser humano se apoia no poder, na riqueza e na crença em Deus.

Não se obrigue, a não ser quando absolutamente necessário.

Favor repetido passa a ser obrigação.

Somos responsáveis pelo que fazemos ou não faze­mos, mas, não, pelo que pensamos, porque pensamos no que queremos e também no que não queremos. A nossa mente é uma praça pública onde transitam os mais diver­sos pensamentos. Mas são os pensamentos que escolhe­mos que nos fazem felizes ou infelizes.

As pessoas criativas são os marginais da normalidade.

Muito do que nos acontece resulta do que pensa­mos, do que sentimos, de como agimos.

O destino e os outros são desculpas.

Quem admira uma pessoa, e a vê cair de seu pedes­tal, experimenta uma dolorosa decepção, que, não raro, pode converter-se em ódio. Porém, por medo de perder a sua ilusão, pode deixar-se possuir por obstinado fanatismo, como remédio para anestesiar-se da realidade.

Perfeição é tudo o que não é mais possível melhorar.

A diminuição das necessidades aumenta a nossa liberdade.

O ponto é a célula-tronco de todas as formas.

Escritor, é fácil ser popular: agrade os medíocres, escrevendo vulgaridades.

Castigo do avarento: privar-se de desfrutar o que tem.

A humildade, às vezes, é uma tática de exibição dis­farçada de uma pessoa vaidosa.

Para muitas pessoas, só valemos enquanto somos úteis para elas.

O verdadeiro servo é aquele que é naturalmente servil.

Quando estamos todos de acordo, monologamos.

A história mostra que há pessoas que repudiam a monstruosidade de outras, ao mesmo tempo em que as amam.

O que se fala ou se escreve nem sempre correspon­de ao que pensa ou ao que se sente. A sinceridade é, às vezes, perigosa.

Não há nada mais forte na vida do que uma intensa paixão entre o homem e a mulher.

Só o nosso silêncio não pode ser desvirtuado.

Envelhecemos quando não mudamos. Este é o se­gredo da juventude mental.

A lógica está mais nas palavras do que nas coisas.

Se fosse proibido dizer bobagens, muita gente dei­xaria de falar.

A vaidade das pessoas imaturas é explorada por bajuladores oportunistas.

A nossa vida é constituída de fantasias que nos fo­ram impostas e por aquela que fabricamos.

Nenhum de nós vê o mundo do mesmo modo. Só nisso, somos originais.

Somos motivados por tudo aquilo que, intimamen­te, estamos predispostos.

Os laços virtuais nos prendem mais do que os laços físicos.

Sempre teremos problemas. O importante é a nossa capacidade de solucioná-los.

Só percebemos as coisas segundo somos. Como po­deremos saber como as coisas são?!

A dúvida crônica é o cupim que corrói silenciosa­mente a estrutura psíquica do dubitante.

Não somos apenas movidos por nossas necessida­des, mas também por nossas fantasias.

A vida é mais para ser experimentada do que explicada.

Muitas pessoas dormem a vida toda, sonhando que estão acordadas.

O pior tolo é aquele que se julga sábio.

A imaginação é uma das causas do futuro.

Karl Marx afirmara que não se pode mudar as leis da História. Mas não disse quais são elas, porque elas não existem.

O que é estranho, seja pessoa ou fato, pode desper­tar sentimento de curiosidade, de medo, de desconfiança ou de hostilidade.

A altura de uma pessoa pode dar-lhe a sensação de superioridade ou de inferioridade nas suas relações com as outras.

A justiça é uma invenção humana. Por isso, varia em cada cultura.

A tolerância é a antipatia disfarçada.

A legítima defesa é uma violência necessária. A vida do agressor, no momento da agressão, é menos valiosa do que a do agredido.

Pensar em algo não importa em sua realidade ou em sua probabilidade. As ideias nem sempre mudam as coisas, mas apenas a percepção do pensador.

O que proveitosamente podemos pesquisar é como as coisas funcionam. Só as coisas que fazemos têm uma finalidade. Não sabemos se tudo o mais tem finalidade.

É sabendo como as coisas funcionam que podemos melhorar a nossa vida material e, até certo ponto, prever acontecimentos e controlá-los.

Para nós, uma vida sem doenças, sofrimento, velhi­ce e morte, seria o ideal. Mas é apenas uma utopia. A vida é assim e não podemos mudá-la.

Quem apoia o terrorismo é, no mínimo, um terroris­ta em potencial.

Há um sentido para a natureza, para a vida, para o ser humano? Acreditamos que sim ou não. Porém, inde­pendente dessa questão, podemos dar um sentido à nossa existência.

De longe, não se vê o detalhe. No detalhe, não se per­cebe o longe. A alternância dos dois produz a compreensão.

No mundo virtual não há distância e tudo é agora.

A pobreza emocional subjetiva procura ser suprida pela riqueza exagerada de estímulos do mundo exterior. Por isso, muitas pessoas saem de si, do seu interior estéril para imergir completamente no torvelinho emocional da objetividade. Para elas, estar sozinhas é experimentar a secura e a solidão de um deserto. Para se sentirem vivas, elas estão permanentemente em contato com outras pes­soas e embriagadas pelas festas ruidosas, pela ingestão de bebidas alcoólicas ou entorpecidas pelas drogas. Nas suas vidas, só existe um lado - o mundo exterior. Embora frene­ticamente em movimento, estão paradoxalmente paradas, porque perderam o movimento oscilatório e complementar entre os polos subjetivos e objetivos da vida.

O economista é um vidente poucas vezes bem suce­dido.

Nós não somos seres necessários, mas emergentes e transitórios. Não sabemos por que e para que nascemos.

A quem não se julga necessário, o mundo será leve.

Se não existe a reencarnação, é preciso inventá-la. Uma vida única não esgota tudo o que somos.

A vingança dos feios é a velhice devastadora dos belos.

A inveja é o tácito elogio que o invejoso presta ao invejado.

As pessoas agressivas e competitivas, vivem sempre em conflitos intermináveis.

A vida é a regra no universo: que digam as extremófilas.

Mais do que uma biblioteca de livros, prefiro uma biblioteca de ideias.

A competição estimula a criatividade.

As pessoas crédulas são manipuladas pelas mentiras dos políticos e pelas fantasias contadas pelos líderes religi­osos.

O pessimista diria que a vida é um mal e que Deus, por isso, pôs em todos os seres o instinto de conservação para evitar que eles se suicidem.

A pergunta filosófica mais crucial é: quem sou eu?