Comentário

O Grande Júri

 

APRESENTAÇÃO

 
O ser humano é o único na face da terra que possui as condições de efetuar a leitura de todas as coisas do mundo, no entorno do seu “Habitat”. Assim, na interpretação desta leitura, a sua capacidade de criar se amplia, dia a dia, no exercício desta vivência, com o animado e inanimado, o racional e o irracional.

 
O Prof. Valter da Rosa Borges, além dos seus predicados naturais, carrega, no seu caminhar entre nós, uma capacidade criativa, desenvolvida e alimentada, pela formatação do associativismo, que lhe é peculiar. No seu dia a dia, ele se dedica a estudos multidisciplinares e pesquisas de fenômenos psíquicos, envolvendo-se, também, com atividades que contribuam para o desenvolvimento da cultura e da ciência em Pernambuco.

Na sua caminhada e na leitura e interpretação das coisas do mundo ao seu redor, o Prof. Valter da Rosa Borges criou, organizou e dirigiu o programa O Grande Júri na TV Universitária Canal, da Universidade Federal de Pernambuco, no período de 1967 a 1984. 
Fui, naquele tempo, um dos assíduos telespectadores de O Grande Júri, vibrando ao assistir, em cada programa, os debates sobre ao temas mais variados da cultura e da ciência e que vieram contribuir para o enriquecimento dos conhecimentos não só de quem o assistia como de quem, nele, tomava parte.

Hoje, não mais como telespectador, porém no desempenho, com muita honra, das funções de Presidente da APC – Academia Pernambucana de Ciências, quero prestar o meu testemunho da brilhante trajetória de O Grande Júri, que inspirou a fundação, em 1978, daquela instituição, pelo Prof. Valter da Rosa Borges e por algumas das destacadas personalidades, que participaram, ativamente, do referido programa.

Os méritos do Prof. Valter da Rosa Borges, não ficaram só neste fato. Em 1973, ele fundou o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - IPPP -, uma instituição que tem por objetivo o estudo multidisciplinar da mente humana, principalmente no campo da parapsicologia, e que vem prestando inestimáveis serviços à comunidade pernambucana, nordestina, com extensão para o Brasil e o Exterior.

Este livro, que relata a história de O Grande Júri, revela, em seus textos e fotos, o valor e a objetividade de um homem dotado de capacidade criativa e associativa, que sabe transformar em realidade os seus sonhos e os seus ideais, e colocá-los a serviço da comunidade.
 

CAPA E CONTRACAPA DO LIVRO



                                                      
                                                                     ONTEM


Por muitos anos a televisão Universitária (TVU, canal 11) viveu do Grande Júri. Por duas décadas talvez, desde a inauguração... Se outro programa ali se impôs, com boa audiência, nenhum teve percurso tão longo, fez história cultural, bem de acordo os objetivos da emissora. Para assim se sustentar, em qualificação e em pontualidade, para repercutir e durar, precisou o Grande Júri, da energia organizada e do prestígio social de Valter da Rosa Borges, parapsicólogo e ensaísta, e em adequada profissão extensionada para a TVU, Promotor Público.


José Rafael de Menezes (Escritor)


O Grande Júri tem realizado quase o milagre de conciliar ótimo nível cultural e receptividade entre ouvintes surpreendentemente diversificados. E o que se pode chamar programa "quente", atual, vivo, discutindo temas de impacto, presente - dentro da sobriedade que o caracteriza na discursão dos grandes problemas da região e do País.
E quero render minha homenagem pessoal a seu coordenador, o Dr. Válter Rosa Borges, responsável, desde a fundação do Canal 11, pela seleção dos assuntos a discutir, pelos convites aos participantes - muitos deles especialistas de renome nacional e até internacional - e pela direção, sempre muito cortês, erudita e democrática, do debate e do diálogo, permitindo ao telespectador formar sua própria opinião diante de pontos de vista ora em acordo, ora no contraste que tanto estimula o progresso do saber. 

 

Roberto Motta (Antropólogo)


Assim é que programas como o Grande Júri merecem apoio e aplausos de todos. Não tem o dr. Walter Rosa Borges medido esforços no sentido de focalizar temas relevantes e reunir, em tomo deles, nomes de destaque, em todos os setores do conhecimento e atividades, quer de Pernambuco, quer de outros Estados da Federação. Embora relacione também assuntos de caráter técnico, científico, religioso e até mesmo filosófico, grande parte dos temas discutidos pelo Grande Júri pode ser assimilado pelo público em geral - e para isto os debates e informações são conduzidos em linguagem acessível, dentro mesmo dos padrões que caracterizam um canal de comunicação social.

Tem reunido o Grande Júri professores, estudantes, dirigentes universitários, técnicos, cientistas, autoridades governamentais. Cada um oferecendo sua contribuição pessoal, quer no esclarecimento, quer manifestando pontos de vista acerca de assuntos de interesse geral. Para se ter uma ideia, ultimamente, temas como divórcio, enchentes do Capibaribe, segurança do trabalho, entre outros, foram levados à tribuna do Grande Júri, suscitando debates empolgantes. Sob a coordenação segura e inteligente - e por que não dizer versátil - do dr. Walter Rosa Borges.

 

Trecho de um artigo do JORNAL UNIVERSITÁRIO, da Universidade Federal de Pernambuco. Julho -1977.




                                                                                        HOJE

Poderemos ter uma televisão melhor, mais digna e mais criativa (aberta ou paga, pública ou comercial), acompanhando a história, registrando as fases e os contratempos de um programa como O Grande Júri, embora, a meu ver, este programa só tenha existido, principalmente na época em que existiu, em razão da personalidade do seu criador e apresentador,
Valter da Rosa Borges poeta, filósofo, jurista era capaz de reunir os talentos mais diversos (especialistas, professores, artistas) e estimular os debates e as reflexões, sem fazer direcionamentos ideológicos. E tudo no programa começava (e terminava) na principal virtude do seu produtor e apresentador: a honestidade intelectual.

Sem imitar ninguém, com o seu estilo e a sua liberdade de pensador, Valter exercia o comando ao mesmo tempo erudito e democrático do programa, como bem registrou Roberto Mota, um dos seus melhores debatedores.


Nivaldo Mulatinho Juiz de Direito


Se recuarmos no tempo para 20 anos atrás, vamos encontrar o telespectador que gostava de Cultura, ligado ao Canal 11, da TV Universitária, às sextas- feiras, para assistir ao GRANDE JÚRI. O programa tinha como criador e apresentador, Valter da Rosa Borges, ligado às coisas do Direito e, principalmente, aos poderes da mente e da inteligência. Escolhido o assunto, passava a convidar expoentes intelectuais de nossa cidade para compor a Mesa do Júri na qual o assunto era esmiuçado, debatido e, finalmente, exposto nos seus resultados, tal e qual uma sentença de jurados. A habilidade com que era conduzido, exigindo dos debatedores o máximo de suas argumentações, prendia o público cativo que já esperava pela outra semana no sentido de se enriquecer mais. O GRANDE JÚRI assumia um papel de seminário, onde cada um dos seus componentes abordava a questão escolhida, sob sua óptica, formando, ao final, um mosaico explicito, facilmente captável pelo telespectador. Advogados, médicos, psicólogos, engenheiros, teatrólogos, escritores, folcloristas, pensadores, filósofos, botânicos, técnicos, professores, políticos, sentiam-se honrados em poder participar de um programa cultural daquela categoria.

O GRANDE JÚRI fixou o seu nome na história da TV pernambucana, colocando seu criador e apresentador, Valter da Rosa Borges, no patamar invejável de sua inteligência.

 Reinaldo Oliveira (médico)