DESINFORMAÇÃO TRAVA ESTUDOS PARANORMAIS

 

Diário de Pernambuco, 15 de setembro de 1978

 

 “Quase todas as pessoas já passaram, alguma vez na vida, por experiências paranormais, geralmente de psigama, isto é, telepatia, clarividência e precognição", afirma o presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP), Valter da Rosa Borges.

Entretanto, adverte Rosa Borges que isso não quer dizer que a pessoa seja um médium, palavra que ele acha inade­quada — prefere dizer paranormal. "Mé­dium é aquele que habitualmente produz fenômenos paranormais", observa o presi­dente do IPPP.

O Instituto

Localizado à rua da Concórdia, 372 - salas 46 e 47, o Instituto Pernambu­cano de Pesquisas Psicobiofísicas é o único no gênero existente em nosso Es­tado e está em vias de ser transformado numa delegacia regional da Associação Brasileira de Parapsicologia. Mantido ex­clusivamente com subvenções dos seus poucos associados, pouco mais de 20 o IPPP conta entre seus quadros com ele­mentos do porte de Attilio Dall´Ólio, físico nuclear; Aécio Campello de Souza, Ivo Cyro Caruso e Edson Duarte, enge­nheiros; e o médico Geraldo Fonseca Lima.

Autor do livro "Introdução ao Para­normal", Valter Rosa Borges explica com que propósitos foi fundado o IPPP, a lº de janeiro de 1973: "parapsicologia é uma expressão que, como todos os parapsicólogos re­conhecem, é insuficiente para abranger todos os fenômenos paranormais, porque eles não são apenas de na­tureza psíquica, mas também física e bio­lógica. Por isso nosso instituto resolveu adotar a expressão psicobiofísica, se­guindo a orientação do Instituto Bra­sileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, se­diado em São Paulo".

Os fenômenos

"Fenômenos paranormais — define Valter da Rosa Borges -- são aqueles eventos de natureza psíquica, física e bio­lógica que não se enquadram dentro das leis conhecidas pelas ciências oficiais. Por exemplo, a telepatia, precognição, clarividência. Há dois tipos de fenômenos ca­talogados pela parapsicologia, os fenôme­nos psi-gama, que se apresentam sob três modalidades - telepatia, clarividência e precognição; e os fenômenos de psi-kapa, como os de telecinesia ou psicocinesia ".

Através de experiências controladas em laboratório, a parapsicologia comprovou experimentalmente os fenômenos citados, mas ainda não aceitou outros que, no passado, foram estudados e pesquisados pelo es­piritismo e pela metapsíquica, como a transfiguração, materialização, dermografismo, estigmatização, levitação etc.

"No entanto — ressalva Valter da Rosa Borges — isto não implica na nega­ção desses fenômenos. Parapsicólogos de formação espírita entendem que, embora não provados através do método quantitativo estatístico-matemático, eles foram devida­mente autenticados por pesquisas controladas com a utilização do método qualitativo, onde o fenômeno vale, mesmo que ocorra espontaneamente, desde que afastadas todas as possibilidades de fraude, ilusão ou alucinação".

As pesquisas

O Instituto Pernambucano de Pesqui­sas Psicobiofísicas dedica-se à divulgação da parapsicologia, ao estudo e à pesquisa de fenômenos paranormais, mas restringe suas atividades aos fenômenos de psigama.

            “Os fenômenos de psigama – explica Rosa Borges – são menos difíceis sob o ponto de vista quantitativo e mais econômicos de serem pesquisados. Uma instrumentação de pesquisa em psi-kapa é caríssima, pois são neces­sários instrumentos eletrônicos, porque não contamos com o patrocínio de uma universidade, mas apenas com as subvenções dos nossos sócios".

No IPPP têm sido encontrados casos interessantes de telepatia com o emprego de baralho Zener. Esse baralho, com­posto de cartas onde aparecem repetidas as figuras de cruz, quadrado, círculo, estrela e ondas, é clássico nas pesquisas parapsicológicas.

"Não conseguimos resultados bri­lhantes, como nas universidades america­nas, mas conseguimos acertos além do acaso, em algumas pessoas, o que indica que elas apresentaram uma faculdade para­normal de psi-gama, a telepatia, por exem­plo", observa Rosa Borges.

Diz o presidente do IPPP que as pes­soas dotadas de faculdades paranormais são geralmente pessoas comuns, e não apresentam nenhuma psicopatia. "Hoje está provado que a paranormalidade não é psicopatológica. Pelo contrário, ficou constatado que ela é encontrável principalmente nas pessoas de bom equilíbrio emocional e psíquico", assegura Rosa Borges.

Espiritismo

Observa o estudioso do paranormal que a falta de informação do público em nosso Estado quanto aos fenômenos da paranormalidade se constitui num entrave ao desenvolvimento das pesqui­sas.

"Quando uma pessoa aparece com certos distúrbios de natureza psíquica atribuível à emergência de uma possível "mediunidade", geralmente é levada a um centro espírita ou a um terreiro de umbanda, em vez de encaminhada a um instituto de parapsicologia. Quase todas as pessoas, alguma vez na vida, já pas­saram por experiências paranormais, ge­ralmente de psigama. Isto não quer dizer que ela seja um médium, porque o que caracteriza o médium é a habitualidade na manifestação de tais fenômenos. Pas­sando por uma experiência dessa natureza, a pessoa fica inquieta e seus familiares, se são espíritas, levam-na ao centro ou ao "terreiro", onde passa a frequentar tornando-se um médium”, diz Rosa Borges.

Quanto a isso, adverte o presidente do IPPP que se trata de "uma atitude perigosa, porque a maioria de tais fenômenos, aparentemente paranormais, é de­corrente de problemas psicológicos e exis­tenciais que poderão ser tratados por um psicólogo ou psiquiatra. Consequentemente, passando a frequentar sessões "mediúnicas" para "desenvolver a mediunidade", essas pessoas nada mais fa­zem do que cronificar seus problemas".

"Talvez — acrescenta Rosa Borges — existam casos brilhantes de paranormalidade nos centros espíritas, mas estes têm uma hostilidade manifesta em  subme­tê-los a nossa investigação. Geralmente o médium é tido como um pontífice, uma ponte entre o céu e a terra, e revestido desta auréola se torna inacessível, tomando ainda uma atitude defensiva contra qualquer experiência controlada, com medo de que se descubra que as suas faculdades não são verdadeiras".

"Na verdade, a parapsicologia não é alheia à questão da sobrevivência, ou continuidade da vida após a morte. Face aos fenômenos paranormais, a sobre­vivência é hoje uma hipótese de altíssima probabilidade. Chegou-se à evidência de que a mente independe de tempo, espaço e causa. Consequentemente, os fenômenos de psi-gama não são suscetíveis de um reducionismo fisiológico. A tele­patia, por exemplo, não pode ser explicada como uma faculdade meramente fisiológica”, assegura Rosa Borges.