EIS AS QUATRO REALIDADES DESCOBERTAS POR VALTER DA ROSA BORGES

 

Tecnologia no Nordeste. Recife, Ano III – Nº 21 Agosto 1995.

 

Quase 30 anos de pesquisas /parapsicológicas levaram o promotor aposentado e parapsicólogo Valter da Rosa Borges à conclusão: o ser humano transita, ao longo de sua existência, por quatro níveis de realidades. São elas: realidades científica, religiosa, social e transcendental. Cada uma dessas realidades, acredita Borges, tem suas vertentes e ramificações. Com a sua conhecida - e as vezes temida - implacabilidade de pesquisador, ele realizou uma profunda anatomia dessas realidades e as está revelando num livro, já em fase de conclusão. Em entrevista à jornalista Cláudia Lima, abordou alguns tópicos da sua concepção sobre as realidades.

COMO A REALIDADE PODE SER DIVIDIDA EM QUATRO

Ao explicar o livro que está escrevendo, Valter da Rosa Borges faz a seguinte defi­nição: " Não é um livro científico, não é um livro de filosofia, não é um livro religioso. É uma proposta unificada em que eu não trato a re­alidade como se ela fosse uma coisa apenas física. Então, faço abordagens do ponto de vista da ciên­cia, da religião, do social e do transcendental." Ele justifica essa forma de abordagem múltipla, dizen­do, por exemplo, que a "religião não trata da rea­lidade." E cada um dos níveis do seu esquema bási­co de divisão tem subdivisões. Assim, a abordagem da realidade sob o ângulo social tem a antropolo­gia, a sociologia, o Direito. Já a realidade psíquica tem a psicologia, a psiquiatria, a parapsicologia. "O ser humano vive nessa realidade trina: simulta­neamente em três realidades - a biológica, a social e a psíquica. E, além disso, temos outra realidade, a que chamo de transcendental, onde estão a filo­sofia e a religião. Sendo que a realidade transcen­dental interage com a realidade psíquica, forman­do assim uma outra unidade, mais especulativa. Hoje, já há alguns cientistas preocupados com o transcendental. " Rosa Borges considera o psíqui­co e o transcendental imbrincados, porque o uni­verso físico interage com o não físico.

Para Rosa Borges, essa divisão da realidade não é propriamente uma novidade. "Espinoza já falava nisso", lembra. O tema, no seu julgamento, passa a tornar-se mais explícito, hoje, "com a integra­ção dos saberes." Dentro desse nível, enfatiza, es­tão subjacentes velhas questões. Como a do bem e do mal, do determinismo, do sofrimento e da felicidade. "São, enfim, os eternos temas do ser humano", resume.

Retomando uma abordagem budista da vida, Borges diz que acima de tudo está o problema do sofrimento - e, consequentemente, da dor – tão básico para o ato de existir.

O tema tem perseguido Borges por toda sua trajetória de pesquisador. Mais dedicado ainda às pesquisas, agora, ele está na disposição de concluir o livro ainda neste ano. Só teme discordar de tudo quando o trabalho já estiver publicado.

ENTENDA O MECANISMO DE INTERAÇÃO DAS REALIDADES

Valter da Rosa Borges explica a forma como as realidades se inter-relacionam, segundo sua proposta, da seguinte maneira: " Existem quatro realidades básicas, mas nós vivemos simultaneamente três. O animal humano é um ser biológico, mas também é um ser social. Por sua vez , esse social já influi no ser biológico - a cultura afeta os padrões de comportamento do ser humano, a própria fisiologia. Além disso, como ser biológico é também um ser psíquico, de sua parte igualmente sujeito aos padrões culturais, portanto ao meio social. Mais: o ser psíquico é afetado por suas disposições orgânicas - se está bem fisicamente, tem um tipo de postura psíquica; se está mal tem outro. Como, em contrapartida, os seus distúrbios emocionais alteram a estrutura orgânica e o comportamento fisiológico. Então, nós vivemos simultaneamente cm três universos. Mas tem ainda a mente. E aí é onde está o grande problema. O que é a mente? Onde está a mente ? Qualquer um pode mostrar o cérebro. Mas e a mente ? Cada pessoa é ensinada a perceber pela cultura. Contudo, para começar a perceber as coisas de uma maneira diferente, tem de superar a cultura, livro, portanto, ainda está nessa fase. Corto aqui, acrescento lá. Por exemplo: há o problema tempo/espaço. Eu o incluo onde? Na realidade física? Só que existem vários tipos de tempo. Há tempo físico, o fenomenológico; e há o tempo psicológico, independente do tempo físico. Todas essas abordagens vão se sedimentando: através de leituras, experiências, reflexões. Não sei se é o produto final de tudo o que fiz até hoje."