Rosa Borges: “Em épocas de crise, pessoas angustiadas podem ser “presas fáceis” dos falsos parapsicólogos”

 

DIÁRIO DE PERNAMBUCO

           Recife, domingo, 24 de novembro de 1991.

Em épocas de crise, pessoas atordoadas procuram respostas para suas induções e angústias. Tudo isso é muito natural. Porém, o parapsicólo­go Valter da Rosa Borges adverte: cuidado com os charlatões. Rosa Bor­ges, fundador do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, denuncia que, em tais circunstâncias, os indivíduos podem ser transformados em “presas fáceis” dos enganadores, que fazem questão de mostrarem-se eficientes no campo espiritual, levando homens e mulheres a acreditarem em ideias mirabolantes. A Parapsicologia, no Brasil. Como a análise da paranormalidade vem sendo feita, aqui, no Estado de Pernambuco. Casos interessantes, acontecimentos inexplicáveis e extraordinários, presenciados e, neste M&M, relatados pelo especialista com exclusividade.

 

Moema Luna

 

Em épocas de crise, principalmente quando os valores sociais e espirituais são questionados, produzindo perplexidade e desorientação espiritual, as pessoas atordoadas procuram respostas, geralmente fantasiosas, para as suas indagações e angústias. Essa observação foi feita pelo parapsicólogo Valter da Rosa Borges, fundador do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. O especialista denuncia que, nestas circunstâncias, os indivíduos tornam-se “vítimas fáceis” dos charlatões, os quais, se fazendo passar por autoridades no campo científico e/ou espiritual, levam-nos a acreditar em ideias mirabolantes, utilizando-se, para isso, de propaganda enganosa, através dos mais variados veículos de informação.

Valter da Rosa Borges acrescenta, ainda, que “infelizmente no Brasil, a Parapsicologia  tem sido prejudicada pela ação perniciosa destes vigaristas, os quais, se fazendo passar por parapsicólogos, iludem pessoas desprevenidas, fornecendo informações falaciosas sobre fenômenos paranormais e também sobre técnicas, sempre ilusórias, de desenvolvimento de poderes psíquicos.”

Extraordinário – “Qualquer pessoa está sujeita a passar por experiências parapsicológicas, mas é preciso aprender a perceber além das palavras e dos gestos.” Com esse argumento, o parapsicólogo Valter da Rosa Borges procura esclarecer os mais incautos de que a maioria dos fenômenos atribuído às manifestações do “além” são fatos da própria natureza humana e não existe nada de extraordinário, ou mágico, nesse campo. Entretanto, segundo o parapsicólogo, são raras as pessoas em quem a paranormalidade se manifesta de forma ostensiva, com significativa frequência.

Um dos fenômenos mais comuns c a telepatia, capaz de desnudar as máscaras cotidianas que resguardam a individuali­dade. "Só a percepção extra-sensorial, especificamente a telepatia, pode atravessar a más­cara dos outros e encontrar a sua verdadeira face. A expe­riência telepática é uma forma de comunicação direta entre in­divíduos. Neste nível de relação humana, as nossas mentes for­mam uma unidade temporária, uma espécie de condomínio psí­quico, onde a telepatia é a lin­guagem desse diálogo silencio­so”, explica.

Valter da Rosa Borges afirma que não há nada separa­do da natureza, muito menos a individualidade, que define co­mo "centro dinâmico de múlti­plas operações e relações''. "Aprendemos que somos ape­nas nós mesmos. Mas não. nos ensinaram que podemos ser também os outros, pensar com os outros e sentir com os ou­tros, numa coparticipação exis­tencial que chega quase à identi­ficação". enfatiza. Esse proces­so é semelhante às práticas zen-budistas, onde o estágio mais elevado do autoconhecimento é a anulação do Eu.

O parapsicólogo participa desse processo, através de orientação, para que as pessoas possam conviver produtivamen­te com a sua aptidão paranormal e obter benefícios para si mes­mos, até para os outros, Valter da Rosa Borges afirma que a orientação é individual, “pois irá depender das características de cada personalidade”, diz ele.

Pós-Graduação — O IPPP oferece cursos básicos de Pa­rapsicologia, níveis I e II, com a finalidade de orientar o públi­co leigo, Segundo o pesquisa­dor, a Parapsicologia “é uma ciência de extensa interdisciplinaridade". Tem por objeto a investigação das aptidões íncomuns da mente humana, Além desses cursos básicos, o Institu­to oferece uma pós-graduação, com especialização em Parapsi­cologia, que começou a ser mi­nistrada em 1988,

Pessoas com titulação aca­dêmica em qualquer área do conhecimento humano, pode matricular-se no curso, bastan­do, para isso, fazer a fase pre­paratória, A iniciativa visa for­mar uma comunidade científica de parapsicólogos,

O especialista salienta que o IPPP é a única sociedade de Parapsicologia com natureza científica, no Nordeste, É conhecido nos âmbitos nacional e internacional. Nas duas visitas que fez ao Recife (novembro de 1990 e fevereiro de 1991), o renomado parapsicólogo norte- americano Stanley Krippner fez referências elogiosas, con­fessando estar na época, im­pressionado com o alto nível de estudos e pesquisas desenvolvi­das pela Instituição pernambu­cana.

O IPPP, localizado na Rua da União, 557. 4° andar, con­junto 402. é uma entidade sem fins lucrativos, declarada de uti­lidades pública estadual (lei n° 9,714/85) e municipal (lei n° 14,840/86). Uma equipe, com­posta por parapsicólogos e psi­cólogos do Instituto, presta ser­viços de orientações e aconse­lhamento, mediante consulta previamente marcada, para pes­soas que estejam passando por experiências “estranhas”, pos­sivelmente de natureza paranormal.

Casos — De 1973, ano de sua fundação, até 1990, o Instituto investigou 149 casos de paranormalidade. Um desses trabalhos foi o "poltergeist'' do edifí­cio Paris, O parapsicólogo con­ta que “o fenômeno começou em dezembro de 1985 e a famí­lia, apavorada, procurou, su­cessivamente, a ajuda de um padre, um pastor protestante, um médium espírita e uma mãe de santo, sem que o caso tivesse solução, A então presidente do Sindicato dos Médicos de Per­nambuco, Léa Correia, convi­dou o especialista e sua esposa, Selma da Rosa Borges, psicólo­ga e parapsicóloga, para reali­zar a investigação. O agente causador do poltergeist era uma menina de 11 anos, empregada doméstica e com problemas emocionais. Após a orientação dada à família a respeito da natureza do fenômeno e as pro­vidências a serem adotadas, o fenômeno desapareceu, em me­nos de três dias.

"Recentemente — acres­centa — a Casa de Saúde Reis Magos, constituída por psicólo­gos e psiquiatras, solicitou os serviços do IPPP para atender uma paciente que apresentava fenômenos de poltergeist. O ca­so foi rapidamente solucionado. Isto levou a direção da clínica a convidar-nos para proferir uma palestra sobre o assunto para os profissionais e estagiários da­quela casa, tendo como resulta­do, valiosa troca de informações e experiências no campo do psiquismo humano”.

Por mais incrível que seja a experiência, levitação, clarivi­dência, telepatia, psicometría. precognição, psicocinese, pro­jeção da consciência ou mesmo o poltergeist, tudo é muito natu­ral e simples à luz da Parapsico­logia. O que acontece, na ver­dade, é que o homem se distan­ciou de seus radares extra-sensoriais, envidando todos os es­forços na conquista do mundo.