EXPLICAÇÃO PARA FENÔMENOS TIDOS COMO COISA DO ALÉM (*)

 

Paranormal ganha assistência gratuita

 

Um grupo de médicos pós-graduados em Parapsicologia pretende dar assistência a pacientes que vivenciaram fenômenos paranormais, como os casos em que o indivíduo clinicamente morto percebe o que se passa ao seu redor, como se estivesse fora do corpo ou ainda se desloca para lugares mais distantes.

Luciana de Souza Leão

 

Pacientes de hospitais públicos que vivenciaram fenômenos paranormais, como experiência de quase morte (EQM), em que o indivíduo clinicamente morto percebe o que se passa ao seu redor como se estivesse fora do corpo, ou ainda se desloca para lugares mais distantes, poderão em pouco tempo ter um atendimento parapsicológico gratuito. A proposta é de um grupo de médicos pós-graduados em Parapsicologia, do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP), que pretende prestar assistência especializada, a estes pacientes, voltada para o conhecimento dos fenômenos psicobiofisicos, comumente considerados pelos espíritas como manifestações mediúnicas.

Os médicos querem realizar um levantamento e acompanhamento dos pacientes que dizem ter vivenciado estes fenômenos e ainda entre os profissionais dá área de saúde que diariamente têm contato com o doente. Os hospitais e unidades de terapia intensiva são locais em que se concentram pessoas com morte clínica aparente, anestesia cirúrgica, choque emocional, debilidade orgânica ou simplesmente fadiga, que caracterizam a EQM, por isso, os parapsicólogos acreditam que terão um campo fértil para estudos científicos.

Além disso, outros tipos de fenômenos também são registrados em hospitais, como o pipocar de uma lâmpada na ocasião em que um paciente morre ou ainda uma aparição vista por mais de uma pessoa. "O que os indivíduos não sabem é que este tipo de acontecimento é provocado por um paranormal, que normalmente desconhece o que são estes fatos estranhos", afirma Valter da Rosa Borges, que dirige o IPPP, um dos cinco centros de estudos psicobiofisicos no Brasil.

Ele destaca que muitas pessoas procuram a orientação religiosa baseada no espiritismo para obter explicações. "Pensam logo que são espíritos lhe enviando mensagens e desconhecem que são as pessoas vivas que os provocam. O homem é capaz de conhecer o que se passa no universo sem a utilização de processos cognitivos convencionais e também agir sobre o mundo exterior, afetar os seres vivos e a matéria em geral", diz .0 professor, citando seu livro "Manual de Parapsicologia". O livro é utilizado por professores e alunos nos cursos básico e de pós-graduação lato sensu ministrados no instituto. Rosa Borges, considerado pelo presidente do Instituto de Investigações Científicas em Parapsicologia, Wellington Zangari, como o líder da corrente científica da Parapsicologia no Brasil, afirma que estas experiências em que o paciente vivência a EQM não podem ser consideradas um contato com o "mundo de lá", mas são vivências psíquicas e por isso é necessário haver correta orientação principalmente quando os fenômenos são esporádicos.

PROJEÇÃO DA MENTE

Entre os fenômenos paranormais mais comuns estão a telepatia (uma pessoa conhece o que se passa com outra), a precognição (conhecimento antecipado de fatos normalmente imprevisíveis) e a clarividência (informação obtida, do mundo exterior sem intermediação de qualquer fonte humana). Estes são os considerados psi-gama, quando são extraídos da mente dos outros e do mundo exterior o que interessa ao indivíduo paranormal.

Outros acontecimentos também são objeto de estudo da parapsicologia, como o dermografismo (aparecimento de sinais ou letras no corpo), personificação objetiva (em que o indivíduo projeta um duplo de si mesmo ou reproduz réplicas de pessoas falecidas), parapirogenia (combustão espontânea de objetos) e poltergeist (muitos fenômenos simultâneos desencadeadas normalmente por adolescentes em fase de tensão). São os chamados psi-kapa, ações da mente sobre os seres vivos, o meio ambiente e a matéria em geral.

MÉDICO DIZ QUE NÃO HÁ MISTÉRIO

O médico Luiz Carlos Diniz faz parte do grupo de especialistas que está empenhado em acompanhar e pesquisar os fenômenos psicobiofisicos nos hospitais da rede estadual. Ele diz que há muito desconhecimento sobre a parapsicologia entre os médicos e profissionais da área de saúde e que a morte — um verdadeiro tabu entre os médicos — e os fenômenos que a cerca terminam não sendo tratados como deveriam. "Queremos chegar mais perto e explicar que não existe tanto mistério assim. O local mais accessível é exatamente o hospital, por isso pretendemos fazer um levantamento estatístico e um acompanhamento científico dos casos evidenciados", afirma.

Segundo ele, a sociedade ainda tem grande resistência a aceitar como dignos de estudos científicos fenômenos explicados pela parapsicologia. "O que acontece é que os pacientes passam a "ser mais religiosos diante de doenças ou males incuráveis e facilmente, dramatizam no inconsciente sobre a parte da vida que não aceitam. Alguns acham que estão desorientados ou precisariam de acompanhamento psicológico", destaca. Nestes casos de evidentes fenômenos paranormais, o ideal seria a investigação dos casos para que muitas testemunhas possam dar credibilidade ao acontecimento e ainda uma descrição detalhada feita pela pessoa que vivenciou o fenômeno.

Assim, se verificaria se realmente aconteceram os fatos descritos ou foram apenas distúrbios psicológicos ou psíquicos. "Muitos pacientes dizem ter visto tudo numa cirurgia em que se sentiram fora do corpo, mas depois descobrimos que eles tiveram um tipo de alucinação por não conseguir descrever nada do que realmente aconteceu", concluiu o médico. (*)

(*) Jornal do Commercio, de 25 de abril de 1993