MUNDO EXTERIOR SERÁ DOMINADO PELA MENTE HUMANA, ADMITE PARAPSICÓLOGO

 

Jornal Universitário abril — 1980

 

Walter Rosa Borges, estudioso e pesquisador da Parapsicologia em Pernambuco, autor do livro «Introdução ao Paranormal», Professor nas Universidades Federal (Sociologia) e Católica de Pernambuco (Direito Civil), afirma que, «a Parapsi­cologia tem demonstrado que o homem é muito mais do que aquilo que ele suspeitava. Ele é detentor de poderes e faculdades que, em futuro não tão distante, poderão tornar obsoletos seus adjutórios materiais. Será, não res­ta dúvida, o definitivo domínio da mente sobre a matéria, sem necessi­dade do concurso dos habituais intermediários físicos. Porque a mente do homem será a sua natural extensão, o seu único instrumento de atuação sobre o mundo exterior», admite.

Borges defende a inclusão do estudo da Parapsicologia como disciplina universitária, considerando o elevado está­gio que essa ciência já atingiu. O entrevistado se dedica a es­ses estudos e pesquisas há 25 anos, sendo atualmente presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP), do qual é fundador juntamente com um grupo de estudiosos. Sua tese — «Telepatia, Sugestões para a Pesquisa» —, apresentada no recente Congresso Nacional de Parapsicologia e Psicotrônica, realizado no Rio de Janeiro, alcançou notória distinção.

 

Professor Walter Rosa Borges

 

P. — Que impressão teve você do II Congresso Nacio­nal de Parapsicologia e Psícotrônica?

 

R. — Este Congresso, rea­lizado em outubro de 1979, no Sheraton Hotel, no Rio de Janeiro, promovido pela As­sociação Brasileira de Para­psicologia (ABRAP), se constituiu em acontecimento histórico para o movimento parapsicológico brasileiro. As teses, nele apresentadas, revelaram o alto nível cien­tífico que já atingiu esta ciência em nosso país. Pode­mos afiançar que, no todo, o congresso atingiu as suas finalidades, reunindo para­psicólogos dos Estados do Amazonas, Pará, Pernam­buco, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A ABRAP, à qual somos filiados, consagrou, definiti­vamente, a sua liderança na Parapsicologia brasileira, graças ao dinamismo inve­jável do seu presidente Prof. Mário Amaral Machado. O III Congresso Nacional de Parapsicologia e Psicotrônica será realizado em 1981, na região Norte-Nordeste, pos­sivelmente em Amazonas ou Pernambuco.

Foi aprovado, naquela opor­tunidade, o código de ética do parapsicólogo, que cons­ta, em um dos seus artigos, a proibição da utilização da Parapsicologia como instru­mento de combate ou apolo­gia de qualquer credo reli­gioso ou sistema filosófico Finalmente, o que nos cau­sou justificada satisfação foi o fato de ter sido a nossa tese «Telepatia, Sugestões para a Pesquisa», considerada uma das melhores apresentadas naquele Congresso. Em nos­sa tese, elogiada logo após a sua leitura pelo parapsicó­logo e psiquiatra, dr. Eliezer C. Mendes, num gesto espontâneo que muito nos sensibilizou, elaboramos duas hipóteses de traba­lho — a telepatia com re­forço grupai e a psi-gestalt — cujos aspectos esta­tísticos e matemáticos, ar­rimados em base experi­mental, foram brilhante­mente desenvolvidos pelo dr. Ivo Cyro Caruso, em tese especial enviada àquele Con­gresso.

 

P. — O que significa Psicotrônica?

 

R. — A Psicotrônica, se as­sim nos podemos exprimir, é uma especialização dentro da Parapsicologia. Consiste na utilização de instrumen­tos especiais, que, segundo dizem, podem captar a telergia ou bioenergia que to­dos os seres vivos, potencial­mente, possuem, armazenando-a para utilização pos­terior. Creem os parapsicó­logos tchecos que esses «ge­radores psicotrônicos» pode­rão substituir os médiuns, apresentando um desempe­nho muitas vezes superior ao deles. Até o momento, no entanto, não temos conheci­mento de que os «geradores psicotrônicos» tenham con­seguido esta façanha.

 

P- — Quem são os expoen­tes da Parapsicologia no Brasil? Há bons trabalhos, aqui, sobre o assunto?

 

R. — Firmamos o nosso cri­tério de escolha, não só nas qualificações pessoais de cada parapsicólogo, mas principalmente, na qualida­de dos seus trabalhos publi­cados. Assim, destacamos, como expoentes da Parapsi­cologia brasileira, o dr. Hernani Guimarães Andrade, engenheiro e presidente do Instituto Brasileiro de Pes­quisas Psicobiofísicas (IBPP), cuja fama é inter­nacional; o padre Oscar Gonzalez Quevedo, diretor- presidente do Centro Latino Americano de Parapsicolo­gia; e o dr. Alberto Lyra, psiquiatra. Queremos, aqui, destacar o brilhantismo de outros parapsicológicos, co­mo o dr. Carlos Alberto Tinoco, engenheiro, os drs. Eliezer C. Mendes, Jorge André, psiquiatras os quais tive a satisfação de conhe­cer pessoalmente por oca­sião do aludido Congresso. Em Pernambuco, só existe o nosso livro «Introdução ao Paranormal».

 

P. — Pode-se conferir status de ciência à Parapsico­logia?

 

R. — Toda ciência tem ob­jeto próprio e determinado procedimento metodológico. A Parapsicologia tem objeto definido — os fenômenos paranormais. E adota, em suas pesquisas, segundo a orientação de cada para­psicólogo e na conformidade dos fenômenos observados e controlados, tanto o método quantitativo-estatístico-matemático, quanto o método qualitativo. Por conseguin­te, a Parapsicologia é uma ciência.

 

P. — Quais os caminhos a serem percorridos pela Pa­rapsicologia, num mundo cada vez mais dominado pe­la técnica?

 

R. — Os caminhos da Pa­rapsicologia são os cami­nhos do próprio Homem. Ela não busca apenas explica­ções, mas implicações, en­volvendo o ser em todas as suas potencialidades. Os fe­nômenos paranormais são uma evidência incontestável de que a técnica é apenas uma simples estratégia de aplica­ção racional do conheci­mento científico e não ins­trumento adequado e eficaz para a apreensão da sempre fugidia realidade. Eles de­monstram que o real é sem­pre novo e, por isto, não é redutível a qualquer padrão epistemológico. E o que, na verdade, nos fascina nesta pesquisa não é o pouco que conseguimos apreender, mas, principalmente, o mui­to, o permanente inédito, que nos estimula a conquistá-lo. A Parapsicologia tem de­monstrado que o homem é muito mais do que aquilo que ele suspeitava. Ele é deten­tor de poderes e faculdades que, em futuro não tão remo­to, poderão tornar obsoletos seus adjutórios materiais. Será, não resta dúvida, o definitivo domínio da mente sobre a matéria, sem ne­cessidade do concurso dos habituais intermediários fí­sicos. Porque a mente do homem será a sua natural extensão, o seu único instru­mento de atuação sobre o mundo exterior.

 

P. — Que trabalhos tem vo­cê desenvolvido sobre o as­sunto?

 

R. — Há mais de 25 anos que nos dedicamos, não ape­nas ao estudo sistemático, como também à pesquisa metódica dos fenômenos pa­ranormais. Jamais nos limi­tamos a elucubrações de ga­binete, mas enriquecemos a nossa experiência no trato direto dos casos concretos em grande número de cen­tros espíritas e terreiros de umbanda.

Em 1º de janeiro de 1973, fundamos o Instituto Per­nambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, do qual so­mos presidente desde aquela data.Em 1974, ministrei curso de Parapsicologia na TV Universitária Canal 11.

Em 1976, publiquei o livro «Introdução ao Paranormal», o qual foi lançado  no dia 29 daquele ano, na TV Universitária-Canal 11, em solenidade presidida pelo reitor da U.F.PE, o Prof. Paulo Maciel. Ainda em outubro do mesmo ano, a convite da Fundação Cultural do Estado da Paraíba (FUNCEP), com o apoio da Universidade Federal da Paraíba, ministramos um curso de parapsicologia no auditório da Reitoria daquela Universidade. Em outubro de 1979, participamos, na qualidade de  Congressista Titular do II Congresso Nacional de Parapsicologia e Psicotrônica, realizado no Rio de Janeiro. Finalmente, em 1979 e 1980, sob o patrocínio Universidade Católica de Pernambuco, ministram dos cursos de Parapsicologia, sob o título sugestivo de Semana estudos sobre Parapsicologia (I e II), no auditório da  referida Universidade.

 

 P. — Até que ponto poderia a Universidade brasileira incluir, nos seus currículos, uma cadeira de parapsicologia ao menos como disciplina optativa?

 

 R. — A Universidade brasileira já há muito deveria incluir a Parapsicologia no ensino universitário. Este seu alheamento injustificável em relação ao desenvolvimento desta pode ser interpretado, à primeira vista, como uma atitude retrógrada, um conservadorismo intransigente que não mais de coaduna com o espírito cientifico con­temporâneo. Muitas univer­sidades nos Estados Unidos, Argentina, Reino Unido, Ho­landa, Alemanha e Índia ofe­recem cursos de mestrado e doutorado em Parapsicolo­gia. Recentemente, no Bra­sil, a dra. Adelaide Petters Lessa, em seu doutorado em Psicologia, defendeu como tese, no Instituto de Psico­logia da Universidade de São Paulo, o seu notável livro «Precognição» que é, hoje, indubitavelmente, um clás­sico sobre o assunto. A Parapsicologia tem apre­sentado um extraordinário desenvolvimento também nos países comunistas: Rús­sia, Tchecoslováquia, Polô­nia, Romênia e também na Alemanha Oriental. Con­vém, ainda, salientar que, em 30.12.69, a Parapsychological Association foi aceita como membro da famosa American Association For The Advancement Of Scien­ce. Pernambuco bem que pode­ria ser o pioneiro na cria­ção de cursos ou de cadeira de Parapsicologia na Uni­versidade.

 

P. — Há, por acaso, interes­ses comuns capazes de liga­rem a ciência psicanalítica à ciência parapsicológica?

 

R. — Claro que sim. Afinal, todos nós nos interessamos em conhecer cada vez mais as estruturas mais profun­das da mente humana. So­mos escafandristas empe­nhados na mesma aventura submarina, partilhando de assombros paralelos ante a luxuriante paisagem deste pélago psíquico. E o Incons­ciente é, por certo, o territó­rio comum de todos os psi­quiatras, conquanto dispu­tem sobre os modos e as preferências na exploração dos seus recursos.

 

P. — A Parapsicologia dis­põe de elementos capazes de explicar de forma concreta o fenômeno do sonho?

 

R. — A Parapsicologia não se ocupa, especificamente, com os sonhos, mas se preo­cupa com tudo aquilo que os sonhos possam revelar a res­peito do misterioso universo do Inconsciente.

Ainda não existe uma codi­ficação, de natureza estrita­mente científica, para expli­car o sonho, mas tão somen­te duvidosas abordagens empíricas, de mistura, não raro, com práticas mágicas e supersticiosas.

Dúvida não há de que a maioria dos sonhos é produ­zida por elementos extraídos das atividades vigílicas, as­sociados a conteúdos desco­nhecidos do psiquismo pro­fundo. É esta a razão pela qual os sonhos se apresentam tão ilógicos, principalmente se os queremos com­preender pelos padrões do nosso comportamento cons­ciente e convencional. Os sonhos são mensagens verti­das em linguagem de abstru­so simbolismo e de gramáti­ca singular.

Há sonhos, porém, de natu­reza paranormal. Estes, sim, interessam particular­mente à Parapsicologia, por­que favorecem uma maior compreensão dos possíveis mecanismos dos fenômenos de psigama, notadamente o da telepatia.

 

P. — O que faz, como fun­ciona e quais as perspecti­vas do Instituto Pernambu­cano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP)?

 

R. — O I.P.P.P. é a única sociedade civil, de natureza científica, que, em Pernam­buco, se dedica ao estudo e à pesquisa dos fenômenos paranormais.

Como já dissemos, anterior­mente, ele foi fundado em 1º de Janeiro de 1973 e, duran­te todo esse tempo, vem cumprindo, na medida de suas possibilidades, o seu programa de ação, promo­vendo seminários, realizan­do pesquisas, aprimorando o nível técnico de sua equipe, elaborando e testando teo­rias e construindo gradual­mente seu arsenal tecnológi­co para melhor observação e controle dos fenômenos paranormais. E, tudo isso, às expensas dos seus associa­dos, cujo número é irrisório, visto que a sociedade não recebe qualquer tipo de aju­da financeira, seja ela mu­nicipal, estadual ou federal. O que explica, portanto, a so­brevivência do I.P.P.P. é o incansável idealismo dos seus pesquisadores.

Em nossa sede provisória, à Rua da Concórdia, 372, sa­las 46 / 47, realizamos, regu­larmente, reuniões de estudo e experiências, utilizando procedimentos metodológi­cos variados, na conformi­dade da natureza dos fenô­menos pretendidos ou apre­sentados. A orientação e execução da programação científica do I.P.P.P. está sob a responsabilidade de um colegiado, assim consti­tuído: Valter da Rosa Bor­ges, promotor público, Aécio Campello de Souza, enge­nheiro, Ivo Cyro Caruso, en­genheiro e Geraldo Fonseca Lima, médico.

O nosso telefone pessoal — 3612337 — está à disposição dos interessados para qual­quer informação sobre o as­sunto ou comunicação refe­rente a manifestações paranormais, notadamente no Recife e municípios próximos.