O Observador

 

Textos selecionados

 

 

Cada um de nós é uma testemunha única e insubstituível da realidade.

 

Façamos do tempo disponível um observatório para testemunharmos o espetáculo da vida. O tempo não usado é o fermento do tédio.

 

A religião é uma necessidade do ser humano que se manifesta com intensidade por ocasião das desgraças individuais e coletivas. É um analgésico no sofrimento e um fósforo aceso da escuridão.

 

Um autêntico ateu não deve preocupar-se com as pessoas que acreditam em Deus. Nem demonstrar interesse em convencê-las do contrário, pois o ateísmo verdadeiro não é uma religião profana à procura de adeptos. Por que deveria o ateu tentar salvar as pessoas da perigosa ilusão da existência de Deus? Se ele assim proceder, estará fazendo de sua crença uma missão salvacionista.

 

Por que as tragédias nos fascinam, embora não queiramos admiti-lo? Porque elas produzem um forte impacto emocional, despertando-nos o sentimento aflitivo de nossa fundamental insegurança. Por mais paradoxal que isso pareça ser, construir e destruir exercem o mesmo fascínio sobre o ser humano.

 

Para que pudéssemos entender o ser humano, teríamos de ser contemporâneos de todos os séculos.

 

Em um mundo imaginário, no qual a maior virtude fosse a mentira, aquele que dissesse a verdade seria considerado um hábil mentiroso.

 

Uma das coisas que nos faz mudar de opinião é a idade.

 

Se, um dia, o ser humano tiver orgulho de sua bondade, haverá uma revolução jamais vista no mundo. O orgulho de ser bom! Podemos acreditar nesse ideal, nessa utopia?

 

Não há louco mais perigoso do que aquele que ensandeceu por causa de sua crença religiosa.

 

Se o inferno existisse, de que adiantaria ser imortal?

 

A ignorância submete as pessoas a ditaduras de qualquer natureza.

 

Para uma pessoa que não perdeu seu estado de criança, a vida é uma sucessão contínua de surpresas, de êxtases, de encantamentos, na qual os sofrimentos são sempre passageiros e olvidáveis.

 

Há uma coisa em comum entre religiosos fanáticos e ateus imbecis: a cegueira da irracionalidade e a anestesia do radicalismo.

 

Quanto mais nos assemelhamos aos outros, mais perdemos a nossa identidade. O homem comum é aquele que é semelhante aos demais.

 

O mito da igualdade vem fascinando a humanidade há milênios, e as pessoas anseiam que, um dia, elas sejam iguais. Os seres humanos não são coisas produzidas por máquinas dentro de um mesmo padrão industrial. Eles são semelhantes e diferentes entre si em habilidade física e aptidão intelectual.

 

A loucura pode acometer crentes e descrentes. E se torna perigosíssima se um deles estiver no poder.

 

Quem pensa criticamente está mais sujeito a cometer paradoxos, porque, algumas vezes, também critica o que, um dia, pensou ser verdadeiro.

 

Não somos apenas o que quisemos ser, mas também o que aceitamos ser.

 

Periodicamente, precisamos fazer uma faxina nas idéias e pensamentos que se tornaram obsoletos.

 

Embora ignoremos como ocorreu o salto qualitativo da matéria à vida e desta à consciência, parece-nos viável a hipótese de que a matéria, a vida e a consciência representam três níveis da realidade que, conquanto autônomos, interagem entre si. Será a consciência o último nível da realidade?

 

A sensatez é um constante aborrecimento neste mundo maluco em que vivemos.

 

A criança é o estágio do ser humano de máxima espontaneidade e de mínimo condicionamento. O adulto é o estágio do ser humano de mínima espontaneidade e de máximo condicionamento.

 

Substituímos os oráculos por computadores. Estes dizem o que devemos fazer. Respondem a perguntas e fazem projeções para o futuro. Pensam por nós, cuja única função é pô-los para trabalhar. E essa passividade nos atrofia.

 

A saudade é como o vento soprando as brasas dos fatos já comburidos.

 

Saudade são as cinzas de tudo o que foi amado.

 

Os sentimentos nos acorrentam. Há as algemas do amor. Há as algemas do ódio.

 

Somos só a nossa autenticidade, ou os outros nos acrescenta?

 

A quem é feliz, o que acresce a esperança?

 

Toda conclusão é uma porta que se fecha.

 

Quem vive à superfície de si, muito de si ignora.

 

A exagerada ânsia pelo saber pode tornar-se um vício.

 

Todas as pessoas anseiam pela paz? Se isso fosse verdade, não haveria a guerra.

 

O homem superior é aquele que é capaz de errar cada vez menos, embora jamais se torne infalível.

 

A certeza de que tudo passa é esperança para os que sofrem e advertência para que os felizes aproveitem a felicidade atual, porque nada está garantido para sempre.

 

Não criemos raízes. São elas que, quando arrancadas, nos fazem sofrer.

 

Além dos mistérios da vida, há os mistérios que as religiões inventaram. Estes são inúteis e até prejudiciais.

 

Na era da informação e da globalização, é preciso inventar uma vacina contra a doença epidêmica da credulidade.

 

A morte é o ser pelo avesso.

 

Nem sempre os que dizem odiar a tirania são sinceros.

 

A liberdade, para muitas pessoas é desorientadora, porque não sabem lidar com ela. Só a rotina as protege.

 

Cada geração pode ser uma nova experiência, para melhor ou para pior, da humanidade, ou apenas a continuidade do passado.

 

A humanidade se degradará se os imbecis, gerados pela mídia, herdarem o planeta.

 

Quando o estado substitui a religião comete os mesmos crimes contra as pessoas sob o pretexto do bem-estar social.

 

A explicação quase sempre é um sedativo para aplacar a dor da ignorância.

 

O sofrimento é o tempero místico das religiões. Sofrer e fazer sofrer são o supremo orgasmo das pessoas fanaticamente religiosas.

 

Em regra geral, quem assume o poder não é mais confiável. O poder o possui.

 

Tempo perdido é aquele em que não fazemos nada de útil para nós ou para os outros.

 

Se eu fosse um deus, preferiria os questionadores e não os carolas.

 

Precisamos sempre do oposto. O pêndulo oscila de um lado para o outro. Qual dos lados é o que chamamos de bem ou de mal?

 

Os que fazem do Estado o sucedâneo de Deus são tão fanáticos e crédulos como os religiosos radicais.

 

A tecnologia, no mundo contemporâneo, é a fábrica de milagres mais espetaculares do que aqueles relatados pelas religiões.

 

 A certeza de que tudo passa é esperança para os que sofrem e advertência para que os felizes aproveitem a felicidade atual, porque nada está garantido para sempre.

 

Somos constituídos pelo que passou, pelo que pensamos que passou, pelo que está passando, e pelo que pensamos ou desejamos que, um dia, venha a acontecer.

 

Sejamos moderados em gastar o nosso tempo com os outros. Ele nos é precioso, porque não sabemos o quanto dele ainda iremos dispor.

 

O pior da dor não é a dor, mas a sua falta de significado. A dor que apenas dói é a dor que dói mais.

 

O amor atrofiado é aquele que tem por objeto apenas uma pessoa. Quanto mais amamos, mais o amor nos enriquece. E há inumeráveis formas de amar. Não se pode amar igualmente as pessoas, pois as formas de amar são qualitativamente diferentes por mais que sejam semelhantes. Quem quer ser amado e exige amor, na verdade não ama. O amor que espera contraprestação não é amor, é carência afetiva, decorrente da incapacidade de amar.

 

O homem é o único ser que inventa o próprio futuro.     

 

            O livre-pensador é visto como um perigoso inimigo do rebanho humano.

 

Os loucos mais perigosos são os líderes civis, militares e religiosos, acometidos pela megalomania do poder.

 

            Quando somos livres, não há vitórias e derrotas, mas experiências.

 

            O que nos mantém saudáveis é a fome diária de viver.

 

A felicidade nos faz melhor. É um sentimento tão grande que nos afoga. E se expande para fora de nós sem que possamos contê-lo.

 

Quanto mais nos obrigamos, mais diminuímos o espaço da nossa liberdade.

 

            De nada precisamos além de nós. Tudo o que a nós se acrescenta, é peso desnecessário.

            Além de nós, só o mistério. E esse é imponderável.

 

          A nossa morte será a única perda que não sentiremos.

 

         A humanidade vem sobrevivendo até agora, apesar da obtusidade, da tirania e da corrupção dos governantes em todas as épocas da história.

 

Sem a confiança entre as pessoas, a sociedade não subsiste. Sem a confiança entre os povos, a humanidade está ameaçada.

 

           É nas tragédias que a verdadeira face de cada pessoa se revela.

 

         Somos cegos em relação ao presente, míopes em nossa avaliação sobre o futuro e amnésicos da quase totalidade dos fatos ocorridos no passado.

 

           Os sofrimentos passados se tornam experiências e galardões. Quem não gosta de contar as dificuldades que experimentaram, os desafios que enfrentaram, as dores suportadas e superadas? Os sofrimentos, sob esse aspecto, são nossos galardões subjetivos.

 

           A igualdade é uma utopia. Somos todos semelhantes e diferentes, nunca iguais. Cada ser humano é único. Não fomos criados em escala industrial.

 

          Não apenas a necessidade, mas também a curiosidade é a mãe de todas as descobertas e inventos.

 

Quem deixou de sonhar, já morreu e não sabe. Cada sonho é uma semente do acontecer.

 

            A tecnologia apenas aumenta o poder de agir do ser humano, mas não o torna melhor.

 

Não há loucura mais perigosa do que aquela que acomete as pessoas que pensam e se dizem inspiradas ou guiadas por Deus, e se proclamam “salvadores” da humanidade. Os “possuídos” por Deus jamais se curam dessa possessão.

 

A política e as religiões, utilizando os recursos da tecnologia, poderão tornar o mito do Apocalipse em realidade.

 

Somos os únicos seres da natureza que nasceram com a aptidão de se superar.