PARANORMAIS INVADEM CONSTITUIÇÃO

 

Folha de Pernambuco, 7 janeiro 1990

Enquanto vários cinemas de todo o país colocam o segundo “Caça Fantasmas” nas telas e filmes como “Poltergeist” e o campeão de bilheteria “O Exorcista” continuam sendo literalmente saqueados das locadoras de vídeo saqueados das locadoras de vídeo saqueados das locadoras de vídeo, Recife começa a perder o medo de fantasmas. Tarde para o resto do mundo, cedo para o Brasil. É que a constituição Estadual em seu capítulo da Assistência Social art. 174, acaba de aprovar – por unanimidade – a emenda do deputado estadual Geraldo Barbosa (PFL), que coloca ao lado dos beneficiados – menores abandonados, necessitados, idosos desamparados e superdotados – os paranormais. começa a perder o medo de fantasmas. Tarde para o resto do mundo, cedo para o Brasil. É que a constituição Estadual em seu capítulo da Assistência Social art. 174, acaba de aprovar – por unanimidade – a emenda do deputado estadual Geraldo Barbosa (PFL), que coloca ao lado dos beneficiados – menores abandonados, necessitados, idosos desamparados e superdotados – os paranormais.

Paranormais estão vendo avanço em 90

O Instituto Pernam­bucano de Pesquisas Psicobiofísicas, IPPP, está iniciando 90 com uma grande expectativa: espe­ra ver transformado em avanço, para os estudos de Parapsicologia, o dis­positivo da Constituição Estadual (artigo 174), que beneficia os paranormais. O Instituto oferece cursos regulares e até de pós-graduação.

 

Na reunião dos paranormais, a prova da força da mente: facas, colheres e tesouras entortadas

 

Miguel Benfica

 

Com essa inclusão, Pernambuco sai na frente dos demais Estados do Brasil no campo da parapsicologia — ciência que tem por objeto, o estudo e a pesquisa dos fenômenos paranormais. E mais: o Ins­tituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP) ganhará novos adeptos, além de (quem sa­be?) apoio financeiro. “A emenda constitui um reco­nhecimento a nível estadual da importância do paranormal à sociedade, permitindo uma melhor assistência ao mesmo”, garantiu o dr. Valter da Rosa Borges que, em 1973, fundou o Institu­to. Segundo ele — que ri muito quando o chamam de caça fantasmas – a partir desta nova Constituição, seus funcionários — todos voluntários, afinal até hoje o IPPP funcionou com recursos próprios — terão facili­tados os trabalhos de inves­tigações dos fenômenos parapsicológicos e orientação de pessoas dotadas de apti­dões paranormais (ou que estiverem passando por ex­periências paranormais, uma vez que nem todas as pessoas que passam por ex­periências com telepatia, clarividência ou precognição podem ser consideradas paranormais.

 

Científica e fascinan­te. Europa, URSS e Esta­dos Unidos já descobriram sua importância e contam atualmente, com mais de 200 universidades monito­rando cursos de parapsico­logia. No Brasil de Chico Xavier, Antônio Gaspareto e Thomaz Green Morton, as pesquisas ficam restritas a um núcleo de estudos cria­do recentemente na Univer­sidade de Brasília (UNB)...

 

 

BASTA ESTAR VIVO

 “Tudo leva a crer que todas as pessoas podem ; passar por práticas paranormais. Basta estar vivo. A causa do fenômeno parapsicológico é o homem vivo, agindo a nível do seu psi­quismo inconsciente”, ex­plicou Valter. Daí por que vocês não acreditam em fan­tasmas, umbanda, espiritis­mo e todos aqueles pratos cheios em que as milhares de religiões comem, né? “Sim, em parapsicologia não há defunto, como já afirmei anteriormente, não Ihá espíritos, sobrevivência jda alma, vida após a morte, ;etc, continuou, fazendo questão de realçar que a parapsicologia possui uma posição e metodologia estri­tamente científicas.

Científica e fascinan­te. Europa, URSS e Esta­dos Unidos já descobriram sua importância e contam atualmente, com mais de 200 universidades monito­rando cursos de parapsico­logia. No Brasil de Chico Xavier, Antônio Gaspareto e Thomaz Green Morton, as pesquisas ficam restritas a um núcleo de estudos cria­do recentemente na Univer­sidade de Brasília (UNB), a Facul­dade de Ciências Biopsíquicas do Paraná e, sediado na rua da Concórdia, 372, 4º andar, o IPPP, entidade mo­vida a recursos próprios, com 23 filiados e alguns li­vros publicados no ramo da parapsicologia. Tudo para que você que se interessa por “para...” e não sair por aí reclamando.

Portanto, caso queira saber um pouco mais sobre esta ciência maluca — que, numa breve olhadela nem parece se tratar de ciência —          e que sai por aí investi­gando todo e qualquer movi­mento involuntário de obje­tos, ou os problemas por que passam pessoas que, vulgar­mente falando, conseguem “adivinhar coisas”, saiba antes que é mister um diplo­ma universitário — em qual­quer área — e muita dedica­ção. Não é à toa que a parapsicologia é considerada uma das mais complexas ciências por englobar de uma certa maneira, várias ciências.

Mas o Instituto tem lugar para todo mundo. E ministra regularmente os cursos Básico I e II, destinado ao público em geral, com a duração de um ano — 26 horas. Além disso, oferece cursos de pós-graduação - que já chegaram a reprovar mais da metade da turma - que exigem o diploma universitário. No final do curso, o postulante apresenta uma tese publicamente. Se aprovada, recebe o diploma de parapsicólogo. Todos esses cursos estão sendo ministrados sob a orientação da Delegacia Regional do MEC. Agora, em março, serão iniciadas novas turmas.

EU SOU UMA PARANORMAL, MOÇO?

Fulaninha chegou em casa e viu a televisão explo­dir, os copos voarem, os ta­lheres entortarem. Como se não bastasse, quando já es­tava indo embora, avisou a mãe do perigo que seria fi­car, naquele dia, perto dc fogão. Saiu, comeu alguns hambúrgueres. Voltou, a mãe havia morrido enquanto preparava a sopa. E ago­ra o que fazer?

Esta hipotética “tragé­dia”, levaria fulaninha à Polícia. Em Pernambuco ela acabaria parando no IPPP — segundo garantiu o dr. Valter, toda a Polícia já está previamente informada a respeito dos fenômenos paranormais. Lá seriam — e são — realizados dois tes­tes: uma pequena entrevis­ta, e o teste para detectar habilidades de Psi-gama e psi-kapa. Psi-gama é a ação da mente sobre outra mente telepatia, clarividência e precognição — e a psi-kapa corresponde à ação extracorpórea da mente sobre ou­tros seres vivos e objetos fí­sicos. Estes testes, de no­mes esquisitos, ao contrário do que muitos imaginariam, nada tem a ver com os com­plexos aparelhos computadorizados e toda aquela pa­rafernália dos filmes de fic­ção dos anos 60.

Para o suposto paranormal é colocado apenas", um baralho Zener — 25 cartas representando cinco símbolos: quadrado, estre­la, ondas, cruz e círculo — onde um pesquisador, invariavelmente atrás de uma espécie de cortina, pede ao entrevistado para que tente adivinhar o conteúdo das cartas. Caso o número de acertos  variar acima de oito a 10 cartas, o entrevistado —        fulaninha... — já pode ser considerado paranormal, assim como Thomaz Green Morton... Quem sabe?

    Quando esteve em bre­ve visita ao usineiro Duílio Cabral da Costa, Thomaz deu um curioso prejuízo ao seu anfitrião. Na breve pai­sagem pela fazenda, entor­tou cerca de cem garfos em apenas alguns dias. Segun­do relatos de convidados que lá estiveram, “o barbu­do com cara de bruxo”, ti­nha tanta reserva de energia que, inconscientemente, da­va nós nos talheres coloca­dos à mesa para o almoço.

O Instituto tem lugar para todo mundo. E minis­tra regularmente os cursos Básico I e II, destinados ao público em geral, com du­ração de um ano — 360 ho­ras. Além disso, oferece também, cursos de pós-gra­duação — que já chegaram a reprovar mais da metade da turma — que exige o di­ploma universitário.  

Segundo o dr. Valter, a emenda irá garantir uma melhor assis­tência aos paranormais

O mistério que faz mover objetos ,

No Natal de 85, alguns moradores do edifício Paris, que fica na av. Cruz Cabugá, notaram algo de estranho no ar. Ou melhor algo de estra­nho se movimentando no ar. E o barulho vinha do aparta­mento 301, onde objetos (identificados) começavam a se espatifar por todos os cô­modos. Chamaram a Polícia. Como nenhum dos policiais havia sido treinado para dar cabo a essas “assombrações”, acabaram saindo de fininho.

Por coincidência, morava no mesmo prédio o comuni­cador Samir Abou Hana. Que deu início à reportagem dire­tamente do local. Minutos de­pois, máquinas fotográficas, bloquinhos, canetas e câmeras de tevê compareceram em pe­so. Machado de Assis, diz que pior do que a Tragédia, só a publicação da mesma. Daí porque Toínha, a dona do aparta­mento, depois das assombra­ções publicadas nos jornais, carregou por uns bons tempos fama de ‘ macumbeira”.

Por essas e outras é que o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas ain­da não tem em mãos o número exato dos paranormais exis­tentes no Estado — apesar de estar encomendando um cadastramento. “A nossa difi­culdade maior é que essas pes­soas se recusam a uma investi­gação sistemática com medo ae eventuais transtornos, co­mo este do Edifício Paris, por exemplo”, explicou Valter da Rosa Borges, sócio fundador do Instituto.

 

EU SOU UMA PARANORMAL

 

A socióloga, pedagoga e teóloga Maria das Graças Lima, achando que poderia ser" uma paranormal, procurou o IPPP. Assistiu a algumas reu­niões, lê muito sobre fenômenos parapsicológicos e já teve dezenas de experiências com precognição.

Há poucos dias, logo após leve sensação de cansaço, pressentiu que a Igreja São Sebastião, da Imbiribeira, que costuma frequentar, seria roubada. Correu até lá e avi­sou. Na mesma noite o aparelho de som desapareceu. Maria das Graças conta também, que por diversas vezes consegue prever o que seus amigos irão dizer quando a encontrarem. E por estas adivinhações; (premonições) ela já foi taxada em vários momentos de “macumbeira”.                                               ;

Tentar sanar esse tipo de superstições é um dos trabalhos que o IPPP vem executando ao longo de seus 17  anos de funcionamento. O Dr. Valter da Rosa Borges, acredita que a inclusão dos paranormais na Constituição Esta­dual irá contribuir em grande escala para um melhor combate à superstição. E informou ainda, que o IPPP continuará  promovendo debates, palestras — agora com um maior vigor — além de direcionar informações sobre o que vem a ser a paranormalidade às co­munidades carentes, onde o espiritismo ganha a cada dia, novos adeptos. Além disso, com o advento da Constituição Estadual, tentará sensibilizar as autoridades e empresas privadas para angariar novos recursos — o IPPP funciona com recursos próprios.