PARANORMALIDADE: DOM OU LOUCURA?

 

 

Diário de Pernambuco. Recife, 15 de outubro de 1993


 
 


Intuições, pressentimentos, visões do passado e do futuro. Há séculos esses e outros tipos de manifestações da mente hu­mana vêm sendo atribuídos aos bruxos, aos espíritos e até a distúrbios como a lou­cura. Na época da Inquisição, a Igreja Ca­tólica queimou na fogueira, taxando de bruxas, muitas mulheres que diziam passar por algumas dessas experiências incomuns. Joana D‘Arc foi uma delas. Morreu queimada em praça pública por ser, além de guerreira, considerada feiticeira.

Tempos depois, as pessoas que passa­vam por essas experiências ou eram exor­cizadas por padres, que atribuíam os fenô­menos ao demônio, ou eram internadas co­mo loucas,, em clínicas e hospitais psiquiátricos. No início do século passado começaram a surgir os primeiros estudos a respeito de fenômenos iguais ou parecidos aos atribuídos às “bruxas” do século XIV.

Parapsicologia— Até hoje, religião e pa­ranormalidade se confundem, até porque, quando se fala em crença, as coisas sem­pre se complicam. A parapsicologia diz que os fenômenos da feitiçaria, como o vodu, os despachos — utilizados no can­domblé — e os espirituais, como a mediunidade e a psicografia — capacidade de re­produzir a letra de uma pessoa desconheci­da, morta ou viva, desenvolvida por Chico Xavier são considerados fenômenos parapsicológicos. O espiritismo, a feitiçaria não são objetos de estudo da Parapsicologia. Os parapsicólogos, veem esses fenômenos à luz de uma ciência e não de uma crença.

O caso da visão dos meninos de Fáti­ma, que viram a santa num pequena cida­de de Portugal, também é considerado um fenômeno paranormal. “O que aconteceu com os meninos foi uma alucinação telepá­tica. Um dos meninos teve a alucinação e induziu os outros, através da mente, a te­rem a mesma visão”, explica Ronaldo Dantas. A telepatia é um dos fenômenos paranormais mais frequentes. Ela dá a um indivíduo capacidade de conhecer psiqui­camente o que se passa com outro, mesmo que ele não esteja presente.

Telepatia— O fenômeno telepático acon­tece entre duas mentes, onde um dos indi­víduos, o telepata receptor, experimenta os sentimentos, ideias, vontades emitidas por outra mente. É o que acontece entre os dois garotos paranormais, Alef (Felipe Folgosi) e Fred (Nico Puig), da novela global das sete, Olho no Olho. Ambos são paranormais e têm aptidões especiais de ouvir pensamentos (a chamada alucinação telepática auditiva), prever acontecimentos (fenômeno chamado pela Parapsicologia de precognição) e se comunicar através da mente, num processo telepático.

A precognição é o conhecimento ante­cipado de fatos normalmente imprevisí­veis. Como aconteceu com Alef, que viu, do quarto da clínica onde estava internado, o acidente que levou seu pai (Marcos Pau­lo) à morte, no momento em que tudo acontecia. Na novela, Alef, vivido por Fe­lipe Folgosi, chegou a ficar internado nu­ma clínica psiquiátrica por quatro anos. Os pais, e até os médicos, confundiram para­normalidade com loucura.

Visões— “A identificação de uma pessoa paranormal é feita através da constatação da realidade. Se o indivíduo diz estar ten­do visões, a parapsicologia procura cons­tatar se elas são reais, isto é, se são previ­sões de algo que depois realmente acontece ­ ou puras alucinações, que caracterizariam um distúrbio mental”, explica o vice-presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísica: Ronaldo Dantas Lins.

Segundo o parapsicólogo Valter da Rosa Borges, autor de vários livros sobre parapsicólogo Valter da Rosa Borges, autor de vários livros sobre parapsicologia presidente do Instituto Pernambucano c Pesquisas Psicobiofísicas, todas as pessoas, pelo menos uma vez na vida, já passaram ou vão passar por uma experiência paranormal. ‘‘A ciência só não conseguiu ainda saber por que um indivíduo mantém essas experiências por toda vida e outras não”, explica o parapsicólogo. A paranormalidade é uma aptidão do ser humano de manifestar poderes incomuns nas relações consigo mesmo, com outras pessoas e d mais seres vivos, assim como a matéria em geral.

Perigo— A ação de um paranormal não restringe unicamente ao abstrato ou a 0utra mente, os objetos e seres vivos em geral podem ser atingidos pelo poder de uma pessoa com aptidões paranormais. A Parapsicologia chama essa aptidão de fenômenos de psikapa. É o caso de pessoas que conseguem, através do poder da mente, mover objetos, como na cena, que foi ao ar na semana passada, da novela Olho no Olho em que o paranormal Fred conseguiu teleguiar um caminhão para atropelar padre Guido (Tony Ramos) e, o também paranormal, Alef.

A briga paranormal de Fred (Nico Puig), manipulado por César (Reginaldo Faria), com Alef (Felipe Folgosi) é perigosa já que a paranormalidade dá uma sensação de poder e superioridade a quem possui, caso de Fred. Alef acaba se prejudicando  porque não tem noção da sua própria aptidão. Caso a história acontece na vida rei o mais sensato, tanto para Alef quanto para Fred, seria buscar auxílio de um parapsicólogo que ajudaria os garotos a com ver com suas paranormalidades. Mas, novela, o final, ainda longe, das duas personagens com suas potencialidades pai normais, está nas mãos do escritor Antônio Calmom, autor de Olho no Olho. Daqui até lá, vale conferir o show de efeitos que misturam realidade e ficção.