ROSA BORGES: PARAPSICÓLOGOS NÃO SÃO BEM VISTOS

 

Diário de Pernambuco, 1 de outubro de 1989

 

“A formação do parapsicólogo, em Pernambuco”, “Conceitos e Informação em Parapsicologia” e “Apa­rição e Revitalização é Milagre?”, foram alguns dos temas discutidos no VII Simpósio Pernambucano de Parapsicologia, realizado durante todo o dia de on­tem, no auditório do bloco “G” da Unicap. Apesar do reduzido número de pessoas que compareceu ao en­contro, fato que surpreendeu o presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP), Valter da Rosa Borges, a parapsicologia, segundo seus adeptos, vem chamando cada vez mais a atenção das pessoas.

O estudo desta ciência não é algo fácil e passa pela eterna luta do homem com o desconhecido, que, no caso, é a própria mente. Valter da Rosa Borges explica que a parapsicologia trabalha com fe­nômenos incomuns da mente hu­mana, como telepatia (comunica­ção entre seres através do pensa­mento), clarividência (percepção de fatos à distância) e psicocinésia (ação da mente sobre o mundo ex­terior).

A abertura dos trabalhos do simpósio contou com palestras de três estudantes do Instituto sobre a formação do parapsicólogo, em Pernambuco. De acordo com Val­ter da Rosa Borges, este curso tem sido procurado por muitos profis­sionais, apesar de ainda não ter sido reconhecido pelo MEC. Advo­gados, engenheiros, psicólogos, pe­dagogos e médicos, são algumas das profissões dos que vão ao IPPP para uma pós-graduação ou cursos básicos sobre parapsicologia.

MISTURA

No Brasil, mesmo com os pa­rapsicólogos defendendo os avan­ços que a ciência está conse­guindo, existe uma grande mis­tura de assuntos que não dizem res­peito à parapsicologia. Como explicou Rosa Borges, “há uma con­taminação dentro desta ciência com assuntos sobre sobrevivência do espírito, imortalidade e, princi­palmente, temas e fatos atribuídos à religiosidade. “Somos chamados de organicistas, materialistas, en­tre outros desígnios, e não somos bem vistos”, reconhece ó parapsi­cólogo.

Público reduzido no VII Simpósio Pernambucano de Parapsicologia

Esta posição é fácil de ser en­tendida até pelas próprias prega­ções da parapsicologia, que põe por água abaixo muitas teses e fatos anormais atribuídos à espíri­tos, fantasmas etc. Borges disse que no mundo não existem mais de 200 paranormais. No Brasil, o mais conhecido é o “médium” Chico Xavier, cujas cartas psicografadas com mensagens do além, são analisadas por Rosa Borges como “dramatização do incons­ciente”.

MAU USO

Como toda a ciência neste mundo moderno, a parapsicologia vem sendo mal-usada, na opinião dos estudiosos. Nos Estados Uni­dos e União Soviética através de serviços como a CIA e KGB, há notícias de paranormais utili­zando seus “poderes” para fins bé­licos e de espionagem. Valter ex­plicou que os paranormais usam seus poderes para provocar mal-es­tar nas pessoas ou, como falou o presidente da Associação Brasi­leira de Parapsicologia (ABRAP) Geraldo Sarti, desviar foguetes e obter informações.

Sarti afirmou que não tinha conhecimento deste uso da ciência no Brasil. Ao contrário, adiantou ele, “estão utilizando-a para desenvolver experiências cientificas bastante avançadas, em áreas como a física, psicologia e medi­cina.” Na própria questão do ho­mem e sua relação com a socie­dade, hoje recheada de dúvidas e incertezas, o presidente da ABRAP encontra um motivo para a parap­sicologia. “Na natureza do fenô­meno paranormal encontramos uma solução alternativa entre a visão do comportamento humano e social, fugindo dos modelos clás­sicos. Ajudamos o indivíduo a se realizar na sociedade”.