PARAPSICOLOGIA, UMA PROFISSÃO EM DEBATE

 

Diário de Pernambuco, 9 de setembro de 1990.

 

 

No próximo dia 29 deste mês, no Mar Hotel, em Boa Viagem, será realizado o VIÍI Simpósio Pernambucano de Parapsicologia, promovido pelo Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, onde, entre outros temas, será apresentado, pela primeira vez, um trabalho versando sobre a profissão do parapsicólogo.

 

Segundo o prof. Walter da Rosa Borges, parapsicólogo e presidente da instituição que promoverá o evento, embora ainda não seja oficialmente reconhecida a profissão do parapsi­cólogo, esta já existe, de fato, visto que o seu mercado de trabalho está devidamente delimitado, não colidindo com o de qualquer outro profissional, notadamente o do psicólogo.

 

A Psicologia, diz Rosa Borges, "tem por objeto o estudo dos fenômenos comuns da mente humana e, no plano terapêutico, a solução dos distúrbios emocionais de conteúdo neuró­tico. A Psiquiatria trata do estudo dos fenômenos patológicos da mente humana e, em nível terapêutico, objetiva a solução dos distúrbios emocionais de conteúdo psicótico. A Parapsicologia tem por objeto o estudo dos fenômenos incomuns da mente humana, visando o estudo dos fenômenos paranormais e a orientação de pessoas que, direta ou indiretamente, estão sendo afetadas por estes fenômenos".

 

"Dito de maneira mais simples: o psicólogo lida com pessoas neuróticas, o psiquiatra, com psicóticos e o parapsicólogo, com as pessoas que apresentam manifestações paranormais".

 

O parapsicólogo, esclarece Rosa Borges, não faz psicoterapia: ele apenas orienta as pessoas perturbadas por experiências parapsicológicas, encaminhando-as, em caso de seqüelas emocionais, aos cuidados de um psicoterapeuta, ou seja, um psicólogo ou a um psiquiatra. Ele lembra que a Constituição do Estado de Pernambuco, promulgada em 5 de outubro de 1988, em seu Artigo 174, determinou que o Estado e os Municípios estão obrigados a prestar assistência social ao paranormal, seja de modo direto, ou indiretamente, através de entidades privadas e sem fins lucrativos. Trata-se da primeira Carta constitucional no mundo que reconhece o valor social do paranormal.

 

E qual o profissional habilitado a lidar com o paranormal senão o parapsicólogo? - pergunta Walter. Além do mais, quem é competente para lidar com os fenômenos parapsicológicos senão o parapsicólogo? E, finalmente, quem deve elaborar e/ou aplicar testes parapsicológicos senão o parapsicólogo? .

 

Instalado, de fato, em 1986, no Recife, existe um Conselho Regional de Parapsicologia, cuja existência foi comunicada à Delegacia do Trabalho em Pernambuco, para fiscalizar a atuação dos parapsicólogos pernambucanos devidamente registrados no referido Conselho. Assim, para caracterizar a profissão do parapsicólogo, o Conselho Regional de Parapsicologia, sediado no Recife, em sua Resolução n° 01/88, de 12/03/88, determinou que compete ao parapsicólogo a investigação privativa dos fenômenos paranormais, a preparação e aplicação de testes ou ensaios parapsicológicos, a execução de serviços técnicos e de pesquisa parapsicológica na seleção e memória da técnica e da instrumentação de dispositivos psicotrônicos, a elaboração de estudos, projetos, análises, laudos técnicos e pareceres, assim como a realização de vistorias e arbitramentos em assuntos de natureza paranormal, a identificação e/ou treinamento de pessoas dotadas de aptidões paranormais, a orientação, aconselhamento e assistência às pessoas direta ou indiretamente afetadas por manifestações paranormais e o ma­gistério em cursos de Parapsicologia, ministrados por entidades credenciadas ou de ensino superior.

 

Todas essas questões da prática profissional do parapsicólogo,, diz Rosa Borges, que é também presidente do Conselho Regional de Parapsicologia, serão aprofundadas por ocasião do VIII Simpósio Pernambucano de Parapsicologia e as pessoas interessadas poderão informar-se a respeito do evento através dos telefones 222-2703/ 325-5847/ 241-7402/ 361-1685 e 361-3105.