PARAPSICOLOGIA PESQUISA MORTE EM HOSPITAIS

 

Tecnologia em Pernambuco. Recife, Ano I – Nº 2 – Abril de 1993

 

Seção: Tecnologia Parapsicológica

 

MÉDICOS COM FORMAÇÃO EM PARAPSICOLOGIA PLANEJAM PESQUISA SOBRE EXPERÍÊNCÍA PSÍQUÍCA NOS HOSPITAIS DO RECIFE do RECIFE. O PROJETO SERÁ APRESENTADO À  SECRETARIA DE SAÚDE.

 

Uma equipe de médicos do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - IPPP, prepara uma pesquisa sobre ex­periências psíquicas nos hospitais do Recife envolvendo, sobretudo, casos de quase-morte de pacientes e que depois se recuperam. O trabalho compreende pesquisa rigorosa com as equipes médicas que atuaram nos casos, incluindo entre­vistas minuciosas com enfermeiras e todo pessoal paramédico envolvido no atendimento antes e depois. A direção do IPPP vai entrar em contato com a Secretaria de Saúde do Esta­do para verificar a viabilidade da pesquisa. "Nossa preten­são é realizar um trabalho de alta envergadu­ra e de alto nível científico, com metodologia profissional", afirma o parapsicólogo Valter Rosa Borges, presidente do IPPP. Ele espera a aprova­ção da Secretaria de Saúde em virtude da importância científica do projeto e a seriedade dos profissionais envolvi­dos. A equipe do IPPP é composta pelos médicos Luiz Carlos Oliveira Diniz, José Carlos Gomes, Wil­son Paz, Amanda Jardim e Ronaldo Dantas. Outro projeto em elaboração no Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas prevê o cadastramento de paranormais nas comunidades. O le­vantamento será no CSU da Mustardinha se a Se­cretaria de Ação Social aprovar o projeto.

A Lamentável penúria

A parapsicologia praticada em Pernambuco está entre as mais respeitadas do mundo. O Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas realiza cursos frequentados por profissionais liberais de vários níveis. Entre eles, médicos, inclusive com cursos de pós-graduação em parapsicologia, que só são oferecidos no Brasil pelo IPPP e a Faculdade de Ciências Bio-Psíquicas do Paraná. O Artigo 174 da Constituição de Pernambuco, promulgada em 5 de outubro de 1989, inclui o paranormal entre as pessoas que devem ser assistidas pelo Poder Público. O pesquisador norte-americano Stanley Krippner, um dos mais acreditados do mundo, no momento, já esteve no Recife por duas vezes nos últimos quatro anos, atraído pelo trabalho realizado por Valter Rosa Borges e sua equipe. Ele não entendeu por que não existem verbas para pesquisas científicas sobre a paranormalidade pernambucana, tendo os estudiosos de recorrer a dados coligidos no exterior. O IPPP realiza suas investigações sem dispor de quaisquer recursos. Por isso, nunca pôde realizar um levantamento sistemático de grande vulto.

PERNAMBUCO FAZ A MELHOR PARAPSICOLOGIA DO BRASIL

A única parapsicologia científica praticada no Brasil é a de Pernambuco. As outras duas correntes principais - do padre Oscar Quevedo e Ernani Guimarães de Andrade - são consideradas de tendência religiosa. Esse conceito, implícito entre os meios parapsicológicos brasileiros, é realçado de forma explícita num artigo publicado no último número da Revis­ta Brasileira de Parapsicologia assinado pelo seu editor-chefe Wellington Zangari, que também é psicólogo e psicanalista. Ele coloca Valter Rosa Borges como líder da corrente científica. O rigor científico e a fidelidade a recursos tecnoló­gicos para verificação de fenômenos incomuns que caracterizam a corrente pernambucana geram antagonismos não disfarçado em quase todas as áreas espiritualistas. O IPPP, com 20 anos de existência, nunca conseguiu acesso aos terreiros de xangô e centros espíritas do Re­cife. Sua tecnologia investigativa é rejeitada. Zangari, que é presidente do Instituto de Investigações Científicas em Para­psicologia, considera restrita a definição da pa­rapsicologia feita por Borges. Não concorda, em particular, com o conceito de paranormalidade do pernambucano, que é o de evento incomum de natureza psíquica, biológica e física atribuíveis a uma aptidão especial do ser humano. A chave da discordância está na colocação "aptidão es­pecial do ser humano". As correntes religiosas, ou pararreligiosas, pretendem ver transcendentalidade na manifestação paranormal. Nessa pretensão está subjacente o misticismo sob di­versas formas, o que termina por deturpar a manifestação paranormal e, com frequência, transforma o sensitivo num "milagreiro com po­deres divinos". Ao desmistificar as mistificações, o método de Borges incomoda.

A tecnologia investigativa de Rosa Borges não se apoia apenas nos instrumentos e metodologia da parapsicologia. Para estabelecer parâmetros confiáveis, ele recorre à interdisciplinaridade de modo a prevenir-se contra toda possibilidade de equívoco. Afinal, como costuma dizer, a maior parte das sensações "estranhas" experimentadas pelas pessoas não têm causa misteriosa e são consequência de alguma disfunção puramente orgânica, facilmente tratada quando identificada pelo especialista. Dentro desse método, antes de considerar um caso como paranormal, ele e sua equipe ouvem o diagnóstico de profissionais médicos. Um caso muito comum é o das visões de auras, mistificadas pelo esoterismo como pos­síveis mensagens, mas que não passam, quan­do examinadas pelo oftalmologista, de proble­mas no sistema visual. Esse rigor faz a parapsi­cologia de Pernambuco a mais científica do país.