PARAPSICOLOGIA QUER DIREITO DE SER CIÊNCIA

 

Diário de Pernambuco, de 5 de março de 1989

 

 

            A inclusão da Parapsicologia como uma das disciplinas da Universidade de Brasília deu novo alento ao professor Valter Rosa Borges, fundador e atual presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas – I.P.P.P. – por considerar necessário “evitar confundir pesquisa parapsicológica com Espiritismo”.

 

            Incluído entre os pesquisadores mais sérios e rigorosos do Brasil, ao ponto de questionar a paranormalidade do médico espiritualista Edson Queiroz, que diz realizar curas e intervenções cirúrgicas incorporando o espírito do médico alemão “Dr Fritz”, Valter Rosa Borges ressalva não entrar na questão espírita, em si e inclusive respeitar a crença.

 

“Porém”, esclarece, “a Parapsicologia é uma disciplina estritamente científica e nada tem a ver com curas milagrosas ou inquietações exis­tenciais. Seu objetivo é detectar a existência de energias ainda desconhecidas, mas perfeitamente quantificáveis e materiais que algumas pessoas têm como dom ou a capacidade de possuir e dominar. Vejo com muita inquietação a crescente mistificação em torno da Parapsicologia”.

 

PROFISSÃO

 

A Parapsicologia, diz Valter Rosa Borges, como ciência, vem se desenvolvendo, de maneira extraordinária, nos Estados Unidos e na União Soviética. “No Brasil, contudo, ela não apresenta o mesmo ritmo de crescimento, embora existam, nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Pernambuco instituições de Parapsicologia à altura das tradições cientificas, tais como o Instituto de Parapsicologia do Rio de Janeiro, o Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, a Faculdade de Ciências Bio-Psíquicas do Paraná e o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas”.

 

A Parapsicologia é uma ciência, mas pode ser considerada também como uma profissão?

 

“Sim, responde Valter Rosa Borges, o parapsicólogo pode ser um cientista puro, preocupado com especulações teóricas e elaboração de modelos abrangentes com o propósito de sistematizar a complexa fenomenologia paranormal. Pode ser, também, um pesquisador dedicado à pre­paração e aplicação de testes parapsicológicos, visando   à melhoria do controle experimental e à investigação de casos de natureza paranormal. Pode, ainda, dedicar-se ao magistério, transmitindo seus conhecimentos especializados na formação científica de novos parapsicólogos. E pode, finalmente, atuar como consultor psíquico, na orientação e assistência a pessoas que estejam, direta ou indiretamente, envolvidas em experiências paranormais. Além disso, é da competência do parapsicólogo o treinamento de pessoas dotadas de talentos parapsicológicos e a elaboração de laudos periciais, sempre que, assim, se fizer necessário. Como se vê, num rápido esboço, o campo de atividades do parapsicólogo é muito vasto, delimitando, com segurança, o seu mercado de trabalho”.

 

Informa que, desde 1983 com a criação da Federação Brasileira de Parapsicologia (Febrap), “da qual o nosso Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas é membro filiado e fundador, se iniciou o movimento de reconhecimento e de preparação de parapsicólogos, visando à formação e disciplinamento de uma comunidade científica dedicada ao estudo e à pesquisa dos fenômenos paranormais. De logo, foram criados os Conselhos Regionais de Parapsicologia, os quais, embora com existência meramente fática, já vêm constituindo um fator de desenvolvimento da Parapsicologia em alguns Estados do Brasil. O Recife, por exemplo, é a sede da 7ª Região do Conselho Regional de Parapsicologia (Conrep), abrangendo toda a região nordestina, à exceção do Maranhão e da Bahia. Ficou estabelecido, em decisões tomadas pela Federação Brasileira de Parapsicologia (Febrap) e as instituições a ela filiadas, que parapsicólogo é todo aquele que, como tal, seja reconhecido por sociedades de Parap­sicologia credenciadas, entre as quais se destacam a Associação Brasileira de Parapsicologia, o Instituto de Parapsicologia do Rio de Janeiro e o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas. Compete, porém, aos Conreps o registro das pessoas consideradas habilitadas, desde que satisfeitos certos requisitos básicos, entre eles, o exercício satisfatório de atividades em Parapsicologia num período mínimo de cinco anos, antes de 1963, participação, como conferencista oficial, de con­gressos nacionais de Parapsicologia, publicação de obras especializadas e de valor científico comprovado. Porém, o requisito mais importante é, atualmente, a conclusão de curso de pós-graduação, lato sensu, em Parapsicologia. Assim, somente em caráter excepcionalíssimo, uma pessoa, sem diploma universitário, pode ser reconhecida como parapsicólogo por um dos Conselhos Regionais de Parapsicologia”.

 

Quanto ao curso, ele salienta:

 

“O Curso de Pós-Graduação em Parapsicologia, oferecido pelo I. P. P. P. tem a duração de 360 horas e se exige que o candidato, além de portador de diploma universitário, tenha concluído o Curso de Parapsicologia, Básico II, oferecido pelo Instituto ou certificado de curso semelhante ministrado por outra sociedade credenciada de Parapsicologia.”