PESQUISADOR LANÇA PROPOSTA AOS QUE SE DIZEM ADIVINHOS

 

DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 3 de janeiro de 1988

 

As inúmeras previ­sões feitas para este novo ano por babalorixás, car­tomantes e adivinhos de outras espécies, são ques­tionadas pela parapsico­logia, ciência surgida em 1953, que estuda fenôme­nos relacionados ao co­nhecimento prévio do futuro e paranormalidade. No Recife, o pesquisador Valter Rosa Borges, do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, lança uma proposta aos adivinhadores profis­sionais ou amadores.

Até o dia 15 deste mês envelopes lacrados, registrados em cartório e protocolados deverão ser entregues na sede do Ins­tituto - Rua da Concór­dia, 372, salas 46 e 47 - contendo previsões para o ano em curso, nos cam­pos do esporte, economia, invenções e descobertas científicas, entre outros temas.

- ‘‘A título de suges­tão - explica Rosa Borges -           elaboramos sete per­guntas cujo nível de espe­cificidade, de acordo com os acertos alcançados, poderá determinar a vali­dade das previsões. “A data para abertura do envelope seria o dia 31 de dezembro deste ano, a menos que, por autorização expressa do autor das previsões, haja necessidade de violá-la antes do final do prazo”.

1 - Quem será o ven­cedor da fórmula 1?

2) Qual o time que vencerá a Copa Brasil de fute­bol?

3) A que países pertencerão os detentores do prêmio Nobel da Paz, de Física, Química, Me­dicina e Literatura?

4) Terremotos: especificar local, dia, hora, número de vítimas e intensidade na escala Richter

5) De­terminar o índice anual da inflação brasileira de 88

6) Qual o número de ministros da Fazenda que passarão pelo gabi­nete e quais seus nomes?

7) Quais serão os princi­pais acontecimentos, in­venções e descobertas no campo científico? - São as questões que consti­tuem o desafio.

 “BUZIÔLOGOS”

Prever o futuro - ou um acontecimento iso­lado que ainda irá acon­tecer é o fenômeno parapsicológico da precognição; diferente da previ­são porque não envolve uma escala lógica ou sequência de fatos que constituam o raciocínio capaz de supor - com base em fatos interliga­dos - o que certamente deverá acontecer. Dessa forma, os pesquisadores do Instituto diferenciam as previsões do que Rosa Borges chama, generica­mente, de “buziólogos”.

São considerados “buziólogos” aqueles profissionais ou amado­res que se utilizam de re­cursos como bola de cris­tal, cartas, borra de café ou mancias, em geral, para fazer previsões de fim de ano, com relação ao ano seguinte. Apesar de algumas dessas previ­sões se confirmarem, na maioria dos casos não há confirmação de sua vali­dade. Além da desvanta­gem de muitos charlatães aproveitarem para inva­dir o mercado.

-   O aparato mate­rial, como os próprios bú­zios ou a bola de cristal utilizada, pode real­mente estimular o in­consciente a uma precognição. Entretanto, de maneira geral, a coisa é muito sem consistência e nenhum desses métodos pode-se dizer seguro. Sobretudo, porque esse fenômeno comprovado pela parapsicologia, que é a precognição, manifesta-se em pou­quíssimas pessoas e não é frequente - alerta Rosa Borges.