DIÁRIO DE PERNAMBUCO

   

 24 de agosto de 2003

 

Premonição divide opiniões

 

FENÔMENO

 

A morte do diplomata brasileiro, Sérgio Vieira de Mello, no Iraque, reacendeu o questionamento sobre a possibilidade de se prever o futuro. E alimentou ainda mais a discussão levada ao ar pela novela Mulheres Apaixonadas, em que a garota Salete previu o fim trágico da mãe, Fernanda. Na vida real, a mãe de Mello revelara, antes do atentado, ter sofrido com maus pressentimentos. As duas tragédias, fictícia ou real, geraram polêmicas e dividiram opiniões. Mas muitos dizem não ter como negar a existência do fenômeno - chamado de premonição por alguns e intuição ou pressentimento por outros.

Para a auxiliar de enfermagem Magna Maria Souza, 31 anos, a denominação pouco importa. A experiência fala por si. Em poucos minutos de conversa, ela é capaz de enumerar quase uma dezena de acontecimentos que ocorreram na sua vida. Numa delas, em forma de sonho, a avó pedia a dois de seus filhos - um era o pai de Magna, Luiz Antônio, e outro um tio, José Antônio - que a ajudasse. Ao acordar no dia seguinte, a auxiliar de enfermagem contou o caso ao pai, que soube que a mãe adoecera ao se encontrar com irmão. Detalhe: uma distância superior a 500 quilômetros separava Magna da avó.

De acordo com o parapsicólogo Valter da Rosa Borges, a maioria das experiências de precognição - nome científico de premonição - é explicável pela telepatia. "Geralmente está relacionada a casos traumáticos, mas também a momentos felizes", assegurou. Mas, segundo ele, nem todos os casos possuem explicação e o ser humano precisa ser humilde para entender isso. "A ciência é conhecimento provisório. O que admite-se hoje como verdade pode ser derrubado amanhã", pontuou.

Rosa Borges destaca que a Parapsicologia não questiona se o futuro é predeterminado e sim como um elenco de probabilidades. No caso do diplomata, acredita ele, a mãe sabia dos riscos enfrentados pelo filho ao ser enviado ao Iraque, o que certamente contribuía para ela interagir telepaticamente com outras pessoas. "Grande parte das premonições ocorrem entre pessoas com relações afetivas fortes", justificou. Quanto a isso, o diretor de Assistência Espiritual da Federação Espírita Pernambucana, João Brito, concorda. Mas a sua explicação é bem diferente para as premonições. "Tais fenômenos se baseiam na mediunidade", afirma, explicando que eles ocorrem porque os períspiritos - também conhecido como corpo espiritual ou astral - das pessoas se comunicam mesmo com o corpo físico distante. Em momentos difíceis, defendeu Brito, espíritos amigos também ajudam.

 O bispo auxiliar da Igreja Anglicana, no Recife, dom Filadelfo Oliveira Neto, reconhece que tais pressentimentos existem. "São mistérios da relação humana, que ainda não compreendemos". O religioso alerta, entretanto, ser necessário não confundir esses fatos com adivinhações, que são condenadas pela Bíblia. As críticas aos adivinhos, exemplificou, estão em vários livros sagrados.