ROSA BORGES PROPÕE METAFÍSICA DA REALIDADE

 

Tecnologia em Pernambuco. Recife, junho de 1994. Ano II, Nº 12

 

Seção: Tecnologia da Mente

 

O Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - IPPP está se defrontando com questões que o estão forçando a desviar-se, um pouco, do rígido esquema de estudos e pesquisas executado em mais de 20 anos e a dedicar atenção também a áreas que, por ironia, são da competência das pessoas ali pesquisadas. Treinados para investigações científicas, os pesquisadores estão sendo solicitados cada vez com mais intensidade para tratar de problemas existenciais e espirituais. O presidente do IPPP, parapsicólogo Valter da Rosa Borges, explica: "Ultimamente estamos sendo procurados por pessoas em busca de uma visão metafísica da realidade, desvinculada das religiões institucionalizadas. Elas têm o senso crítico acurado e, por isso, estão insatisfeitas com soluções dogmáticas para os problemas transcendentais e suas crises existenciais. Acontece que a parapsicologia, como ciência, não pode responder a essas indagações que, por sua natureza, não se adequam à metodologia científica. " É uma situação constrangedora.

Muitas dessas pessoas parecem angustiadas e necessitadas realmen­te de orientação, o que não é especialidade dos pesquisadores do IPPP, cuja função é a de tentar encontrar explicação científica para fenômenos paranormais. No entanto, pondera o presidente da entidade:

"Acontece que estas questões são de importância fundamental para o ser humano, pois representam uma orientação significativa para a própria existência. Refletindo sobre essa problemática emergente, resolvemos ampliar o atendimento no IPPP a essas pessoas, porém de maneira informal, mediante entrevistas previamente marcadas, onde essas questões são reavaliadas à luz de um novo modelo metafísico da realidade, com fundamento na experiência mística e nas especula­ções mais ousadas do campo científico. Neste modelo que ora adota­mos, nada se impõe e tudo se propõe, consistindo numa permanente aventura gnosiológica, onde só a busca é definitiva." Sempre dentro da metodologia básica adotada pelo instituto durante todos esses anos,

Rosa Borges diz tratar-se de uma espécie de fé experimental, vivenciada como proposta e revista criticamente em suas consequências e resultados. "Segundo ele, "não há qualquer compromisso com o mo­delo proposto, porque este, embora definido conceitualmente, jamais será definitivo, pois a sua vocação não é o fechamento do círculo, mas a abertura da espiral. O Modelo Metafísico da Realidade não é uma escola, mas uma proposta de aprendizado compartilhado, onde não há doutrina nem mestres, mas o diálogo crítico sobre a própria aventura de existir. Com essa nova iniciativa, o IPPP passa a investir no homem integral, sem concorrer com as religiões institucionalizadas, mas resgatando e reavaliando o ensinamento e a experiência dos grandes místicos da humanidade em todos os tem­pos. Ciência, Religião e Filosofia são modos e formas de apreender e compreender a realidade e a utilização de cada uma delas, no seu domínio específi­co, constitui a atividade característica do homem inte­gral." Uma equipe de parapsicólogos, psicólogos e psiquiatras fará o atendimento. É uma equipe interdisciplinar, abran­gendo todo o campo do psiquismo humano. Em casos especiais, o atendimento pode ser assessorado por paranormais credenciados pelo IPPP, que tem sua sede atualmente na Rua Dom Hen­rique, 221, 2o an­dar, Boa Vista.

UMA FORMA DE VIRAR O MISTICISMO PELO AVESSO

Para entender, bem, o significado da "metafísica da realida­de" proposta por Valter da Rosa Borges é preciso lembrar que, até então, ele e o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas se mantinham altamente críticos em relação à metafísica. Desconfiavam, mesmo, de tudo o que se relacionasse com metafísica. Mas a proposta não é uma rendição, um voltar atrás. É, isso sim, uma reconceituação. Ou uma logicização da angústia mística, numa tentativa de racionalizar as ansiedades espirituais, pondo-as em sintonia com os fenômenos da existência. Rosa Bor­ges parece estar agindo diante da metafísica do mesmo modo como faz com a paranormalidade, colocando-a na condição de um fenômeno passível de ser compreendido, quantificado, como mais uma condi­ção normal - embora mal conhecida - do ser humano. Seria uma desmistificação da metafísica.

O IPPP passa por processos de reconceituação também em relação à sua matéria básica, a paranormalidade. Em lugar de apenas subme­ter paranormais a experiências para tentar descobrir os mecanismos físicos dos seus dons, está indo mais além. Por exemplo: foi iniciado em julho um curso teórico e prático de paranormalidade. É destinado a pessoas dotadas de aptidões paranormais e àquelas que desejam averiguar se possuem talento parapsicológico. A parte teórica consta de aulas sobre a natureza da paranormalidade e as características da personalidade do paranormal, assim como das peculiaridades da pesquisa deste campo científico. A parte prática é constituída de testes e de procedimentos facilitadores da experiên­cia paranormal. Há, ainda, outro serviço em anda­mento: o trabalho de cadastramento de paranormais de Pernambuco. Os que forem cadastrados no mês de julho receberão uma carteira, fornecida pelo ins­tituto. Para quem quiser se cadastrar e adquirir o direito de ter uma carteira atestando sua condição de paranormal, há necessidade de submeter-se a testes com a equipe de parapsicólogos.

O IPPP decidiu instituir o Dia do Parapsicólogo, em 29 de julho. A data foi escolhida por ter sido de 29 de julho a cinco de agosto de 1953 que se realizou o 1o Congresso Internacional de Parapsicologia em Utreque, Holanda, marcando oficialmente o nasci­mento dessa nova ciência. Na ocasião, será realiza­da uma reunião na sede do instituto com discussões sobre mercado de trabalho para parapsicólogo e as atividades específicas da nova profissão.

O APOIO AOS QUE TÊM DOM

       Mesmo com seve­ras limitações fi­nanceiras, o insti­tuto vem prestan­do assistência gra­tuita a paranormais, instruindo-os através de cursos básicos e parapsicologia e familiarizando-os, com treinamentos especiais, com seus dons psíquicos. Até o momento não foi cumprido o Art. 174 da Constituição de Pernambuco, determinando que o Estado e os municípios prestem assistência social ao paranormal, direta ou indiretamente, através de instituições devidamente credenciadas. A Constituição de Pernambuco é a única no mundo a reconhecer o valor social da pessoa dotada de aptidão paranormal. O anseio do IPPP é para que o Governo do Estado e prefeituras, através das Secretarias de Educação, de Saúde e de Trabalho e Ação Social, estabeleçam convênio com a instituição para prestar assistência ao paranormal em Pernambuco. Na avaliação dos seus pesquisadores, os custos para a manutenção de convênios desse tipo seriam insignificantes e os benefícios inestimáveis.