ROSA BORGES: TÉCNICA PODERÁ UTILIZAR A PARAPSICOLOGIA.

É a revolução da mente

Jornal Universitário, da Universidade Federal de Pernambuco. Maio/junho. 1983.

 

Você acredita que a Parapsicologia venha a se constituir numa ciên­cia autônoma, capaz de resolver problemas cotidianos, do terra-a-terra, inclusive no campo da tecnologia? Para o professor e parapsicólogo pernambucano Walter Rosa Borges, tal hipótese é viável, poden­do inclusive, haver o emprego dessa energia no campo da tecnologia, culminando com a revolução da men­te", conforme tese de sua autoria apresentada em congresso nacional de Parapsicologia realizado ano pas­sado no Rio de Janeiro. Houve a melhor acolhida, principalmente entre os especialistas do sul e centro sul do Brasil, onde já existem estu­dos e pesquisas avançados dessa no­va disciplina.

O prof. Walter Rosa Borges é promotor público em Pernambuco, ensina Direito Civil na Universidade Católica, fundador e diretor cientí­fico do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, membro das Academia Pernambucana de Ciências, Academia de Letras e Ar­tes do Nordeste e das Associações Brasileira de Parapsicologia e Bra­sileira de Jornalistas e Escritores Es­píritas. É autor do livro, esgotado, “Introdução ao Paranormal", e con­cluiu recentemente outro trabalho, a ser publicado, no qual aprofunda suas pesquisas e observações dos fenômenos paranormais.

Disciplina

Ele afirma, com base em fatos e na realidade, que a Parapsicologia se vem afirmando como ciência autô­noma, ampliando o seu campo de pesquisa, invadindo novas áreas do conhecimento e transformando-se, assim, numa ciência interdisciplinar. Ela já não pode ser assimilada pela psicologia ou por qualquer outra ciência - a física, a biologia, etc. -, mas, ao contrário, procura valer-se dos subsídios das demais ciências para investigar, em maior profun­didade, a complexidade da fenomenologia paranormal.

O parapsicólogo, no entender de prof. Rosa Borges, por força dessa interdisciplinaridade, deve ser dota­do de sólida cultura geral para movimentar-se, com segurança, no es­tudo e na pesquisa desses fenômenos incomuns e principalmente esquivos a um sistemático controle experimental.

No ensaio que apresentou no Rio, após o que foi aplaudido de pé, Walter Rosa Borges faz um su­mário das relações entre a Parapsicologia e as demais disciplinas do conhecimento humano, apresentando sugestões para um intercâmbio recíproco de informações e pesquisas nas áreas de interesse comum a todas elas, assim como fornecer subsídios para a aplicação pratica da faculdade paranormal.

Demonstra, com muita seguran­ça, as relações com a Biologia, sub­linhando, entre outros pontos:

"Certos fenômenos paranormais revelam que a mente humana, usan­do as energias orgânicas exterioriza­das, é capaz de criar formas viven­tes, conquanto momentâneas, pro­duzindo uma replica do corpo hu­mano com todas as aparências de uma pessoa viva, com inteligência autônoma, ou, ainda, um simulacro de corpos de animais.

Esses misteriosos fenômenos de ideoplastia ou materialização de­monstram, cabalmente, que uma ideia pode objetivar-se, apresentan­do uma aparente atividade biológi­ca, em que pese a transitoriedade e singularidade de sua existência. Comprovam, assim, que a mente humana pode manipular a matéria viva, dissolvendo parte do organis­mo do médium sob forma de uma substância indiferenciada - o ectoplasma - e, com essa "argila psíqui­ca" (na feliz expressão de Gustavo Geley), construir novas formas de vida, de duração efémera. As cria­ções ectoplásmicas fazem lembrar, por analogia, o processo da meta­morfose, onde a cabine mediúnica se assemelha ao casulo, dentro da qual, isolado e na escuridão, jaz o médium adormecido, em processo de desagregação de suas forcas or­gânicas".

Depois de outros tópicos não menos interessantes, e muito bem fundamentados, nas relações da Parapsicologia e a Biologia, Rosa Borges demonstra igualmente tais aproximações com a Medicina, a Genética, a Zoologia, a Botânica, a Física, a Quími-ca, a Eletrônica, a Geologia, a Geografia, a História, a Antropologia, a Sociologia, o Direi­to, a Educação, a Filologia, a Psico­logia, a Psicanálise, a Psiquiatria, a Filosofia, a Religião, as Artes e a Literatura, e, por último com a Tecnologia.

Aplicação pratica

Admite que a tecnologia pode utilizar-se da Parapsicologia, ou se­ja, que esta ciência desenvolva a sua própria tecnologia - a tecnologia psi -, mediante utilização das fa­culdades paranormais para finali­dades pragmáticas. Seriam atividades desenvolvidas por médiuns que possuam relativo controle sobre suas faculdades.

Defende:

1) A utilização da precognição como instrumento de pros­pecção cognitiva do futuro, aliado ao conjunto das previsões de natu­reza estritamente racionais, am­pliando, assim, o conhecimento de acontecimentos possíveis ou prová­veis e interessando, notadamente, o mundo da política e dos negócios, o que permitirá a adoção de medidas de mais largo alcance e efetividade para o controle dos fatos. Basta lembrar que, em 1967, o Dr. J.C. Barker, psiquiatra, fundou, em Lon­dres, o British Premonitions Bureau, o primeiro centro receptor de avisos sobre pessoas e comunidades amea­çadas.

2) A utilização da clarividência para a descoberta de pessoas desa­parecidas  e elucida-ção de  crimes misteriosos, assim como para a ob­servação de acontecimentos, locais e pessoas à distância. Em 1919, os tchecos empregaram, com êxito, a clarividência na luta contra os hún­garos. O mesmo fez o notável mé­dium Stepan Ossowieck, na segunda guerra mundial, na defesa de seu país, a Polônia, contra a Alemanha, tendo sido, em 1940, trucidado pelos nazistas. Os militares tchecos, em 1925, publicaram um manual sobre PÉS, para o exército, intitu­lado "Clarividência, Hipnotismo, e Magnetismo ", de autoria de Karel Hejbalflc.

3) A utilização da clarividência psicométrica para as pesquisas his­tóricas, arqueológicas e paleontológicas.

4) A utilização da clarividência endoscópica como sucedâneo, em cir­cunstâncias especiais, do raio X, da tomografia e ultrassonografia.

5)  A utilização  da  projeção  da consciência para observação de si­tuações especiais,  onde não  seja possível ou recomendável a presen­ça física de observador humano.

6) A utilização da telepatia para comunicações de emergência, quan­do impossível o emprego dos veícu­los tradicionais de comunicação. A experiência telepática realizada pelo astronauta Edgar Michell, na capsu­la espacial Apoio XIV, e o médium sueco Olof Jonsson, justifica, plena­mente, essa expectativa.

7) A utilização da telepatia nas di­ficuldades eventuais de tradução interlinguística. O médium Dadashev demonstrou, em 1973, que a tele­patia pode romper a barreira idio­mática que separa as pessoas.

8) A utilização da telergia, sob su­pervisão médica, no tratamento convencional, como eventual auxi­liar e terapêutico.

9) A utilização da telergia como recurso tecnológico suplementar de ação sobre o universo material, com o emprego de extensões telérgicas ou ectoplásmicas na  substituição eventual de autómatos, ou em situa­ções especiais de emergência, para a manipulação de  objetos e acionamento de mecanismos à distâncias.

10) A utilização da telergia na agricultura, com sucedâneo de fer­tilizantes artificiais, para acelerar o processo germinativo e assegurar o êxito das safras.

11) A utilização da faculdade de psi-kapa para produzir a combustão de materiais de qualquer natureza, ou provocar reações químicas espe­ciais, fazer funcionar ou parar siste­mas mecânicos, promover o trans­porte de objetos de um local para outro, seja através do nosso espaço tridimensional, seja através do que se convencionou chamar de hiperespaço e outras tantas atividades que a experimentação parapsicológica possa demonstrar possíveis".