A TÉCNICA ALIADA À PARAPSICOLOGIA

 

Diário de Pernambuco, 18 de março de 1993

 

Instituto pesquisa casos de natureza paranormal utilizando dispositivos eletrônicos

 

O 1° Congresso Internacional de Parapsicologia foi realizado em 1953, em Utrecht, na Holanda. No entanto, propostas, mecanismos e, principalmente, o significado desta nova ciência ainda confundem mui­ta gente, embora a cada dia seja maior o número de pessoas que buscam esta trilha. Para o presiden­te do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, Valter da Rosa Borges, “a Parapsicologia, é, ao mesmo tempo, uma ciência hu­mana e da natureza, investigando as manifestações incomuns ao psi­quismo humano nas suas relações com os seres vivos e a matéria em geral. E é uma ciência de extensa multidisciplinaridade, pois .estabe­lece fronteiras de relações fenomenológicas com as mais diversas ciências".

No que se refere à multidisci­plinaridade, o autor do livro Ma­nual de Parapsicologia (citado na revista brasileira de Parapsicologia) informa haver relações da ciência com a Psicologia, Medicina, Física e Sociologia, entre outras. No caso desta última, explica que o padrão cultural pode favorecer ou impedir o desenvolvimento da Parapsicolo­gia, sendo o Brasil, assim como Alemanha e Rússia, países de alma mística, contribuindo de forma mais intensa para os chamados fe­nômenos paranormais.

Mas, em que consiste a para- normalidade? Na visão de Borges, um estudioso do assunto desde 1954 e com o seu trabalho reconhe­cido, inclusive pelo americano Stanley Krippner, “a paranormalidade consiste num conhecer e num agir do ser humano além dos limi­tes habituais dos processos cogniti­vos e das extensões corporais”. E vai mais além ao afirmar que “é uma evidência do homem ser maior do que revela em seu desempenho habitual, em sua rotina biológica e psíquica”.

Quanto ao ser paranormal, o professor de Parapsicologia e pro­curador de Justiça cita-o no seu li­vro como “o normal incomum". Em outras palavras, “tudo o que excede o comumente humano, per­manecendo humano e que a para- normalidade é uma aptidão perma­nente no ser humano, existente em todos os tempos e lugares, cuja manifestação está condicionada a fatores físicos e socioculturais”.

História — No Manual de Parapsicologia (Companhia Edi­tora de Pernambuco. 266 páginas) é apresentado, além de uma abor­dagem didática do assunto de forma harmoniosa, o breve histórico da nova ciência. Na visão do dirigente do IPPP, cinco fases compõem a Parapsicologia, que vai do período pré-espírita à concepção atual, vinda do congresso na Holanda.

O primeiro período (1826-1856), chamado pré-espírita. come­ça com as experiências realizadas por Justinus Kerner com a paranor­mal alemã Frederica Hauffe, co­nhecida como a "vidente de Prevorst, e pelos fenômenos de toribismo em Hydesville, produzidos pelas irmãs Fox. em 1848. Na dé­cada de 50, inicia-se também a ma­nia das mesas girantes pela Europa.

O segundo período ou fase — Espiritismo — começa com a publi­cação em 1857 de O Livro dos Es­píritos, codificado por Hippolyte Léon Denizárd Rivail, mais conhe­cido pelo cognome de Allan Kardec. De 1882 a 1933, a fase da Metapsíquica, cuja paternidade é atri­buída a Charles Richet, e constitui na primeira tentativa de se estudar os fenômenos paranormais de for­ma científica.

Em 1934, com a publicação do livro Percepção Extra-Sensorial, de J. B. Rhine, tem início o perío­do de transição que vai permanecer até 1952. E em 1953, finalmente, a palavra Parapsicologia passa a de­signar oficialmente a nova ciência, durante congresso na Holanda e, ainda, a criação do primeiro Insti­tuto de Parapsicologia no mundo e com subsídio estatal.

Borges: “O paranormal é o normal incomum, é tudo o que excede o comumente humano, permanecendo humano"

Corações & mentes

O IPPP dispõe de um modesto laboratório, constituído de aparelhagem simples e alguns dispositivos eletrônicos.

Laboratório modesto

No Brasil, três pesquisado­res são fontes de referências da Parapsicologia na atual fase: pa­dre Oscar Quevedo Hernani Guimarães Andrade e Valter da Rosa Borges, à frente do IPPP, desde sua fundação em 1973. Aliás, o Instituto Pernambuco de Pesquisas Psicobiofísicas foi homenageado no primeiro nú­mero da revista brasileira de Parapsicologia, lançada em São Paulo, o ano passado.

Como uma instituição cien­tífica e cultural, sem fins lucra­tivos e declarada de utilidade pública, o IPPP é a única enti­dade. no Brasil, que vem desde 1982 realizando, anualmente, simpósios de Parapsicologia. E também, juntamente com a Fa­culdade de Ciências Biopsíquicas do Paraná, a que apenas oferece no País cursos de gra­duação, lato sensu e especializa­ção em Parapsicologia.

O IPPP, que se mantém dos próprios recursos (oriundos de mensalidades dos sócios e das rendas dos seus cursos, simpó­sios e congressos), conta com um modesto laboratório, consti­tuído de uma aparelhagem sim­ples e alguns dispositivos ele­trônicos, entre os quais, pêndu­los de diversos modelos, bússolas, baralhos Zener, pirâ­mides e imãs. A partir de sua fundação até 1990, a instituição já investigou 149 casos de pes­soas com problemas de natureza paranormal, não somente no lo­cal da ocorrência (casos de “poltergeist”), como também em experimentação de laborató­rio. Entre os integrantes e pro­fessores do Instituto, estão, Ivo Cyro Caruso e Ronaldo Dantas.