TALENTO DO PARANORMAL SERÁ BEM APROVEITADO

 

Jornal do Commercio, de 22 de dezembro de 1989

 

 

 

Pesquisas serão iniciadas em comunidades da periferia, para detectar pessoas portadoras de dons paranormais e orientá-las no sentido de melhor aproveitar esse talento.

 

Estimulada pelo artigo 174 da Constituição   Estadual, que garante assistência do Estado e dos Municípios aos paranormais, a direção do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - I. P. P. P. - pretende iniciar pesquisas em comunidades da periferia para detectar pessoas com dons paranormais e orientar a população  sobre os fenômenos que geralmente são tratados como coisas do outro mundo. “Queremos dar cumprimento ao nosso programa de valorizar o paranormal e orientá-lo no sentido de melhor aproveitar o seu talento”, diz o presidente da entidade, parapsicólogo Valter da Rosa Borges.

 

O que o I. P. P. P. deseja fazer, na verdade, é uma campanha de conscientização a respeito dos fenômenos paranormais, pois é comum que a população os confunda com manifestações espíritas, segundo o parapsicólogo. “As pessoas que têm aptidões vão aos centros espíritas e terminam se envolvendo com a religiosidade, quando estão equivocadas com este procedimento”, acrescenta. A campanha, que pode ser iniciada no próximo ano, era uma intenção antiga do I. P. P. P., mas somente agora encontrou respaldo oficial, uma vez que a Constituição de Pernambuco é a única do Brasil a considerar o paranormal como alguém que precisa do amparo dos poderes públicos.

 

Ainda não existem as definições sobre esta campanha, pois ela está sendo idealizada pelo presidente, ainda em fase de projeto. Segundo Valter da Rosa Borges são consideradas paranormais as pessoas que produzem fenômenos psi-gama (telepatia, clarividência e precognição) e psi-kapa (pessoas que deslocam objetos, deformam estruturas, etc).

 

“Todas as pessoas possuem aptidões paranormais. Raro é alguém que nunca passou por uma experiência parapsicológica. Mas o que caracteriza, mesmo, o paranormal é a frequência com que ocorrem esses fenômenos”, diz o presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas.

 

Para Valter da Rosa Borges são poucas as pessoas que realmente são paranormais. No entanto, a maioria das pessoas que apresentam sintomas “estranhos” termina recorrendo a terreiros espíritas, dando asas ao fantasioso, ao invés de resolver os fenômenos a nível de um Instituto. “Quando fizermos nossa campanha, vamos procurar acabar com estas superstições.  Mostraremos que o povo é muitas vezes induzido a pensar de uma maneira mágica, quando os fenômenos não têm nada de extraordinário”, diz.

 

Enquanto esta campanha não se inicia de fato, o Instituto faz um trabalho de esclarecimento sobre os fenômenos paranormais, junto às pessoas que recorrem aos parapsicólogos para resolver problemas sobrenaturais. Nestas ocasiões, os profissionais fazem entrevistas, aplicam testes e elaboram um histórico sobre os acontecimentos. Se o problema tiver caráter parapsíquico, então eles recomendam exercícios, para que as pessoas se desfaçam das energias que provocam os problemas. Caso não existam fenômenos e os problemas necessitem de outros profissionais, então eles encaminham para os especialistas.

 

“Quando isto não ocorre, as pessoas vão diretamente aos centros espíritas. É por isto que é normal encontrar pessoas, nestes locais, precisando de médicos, psicólogos ou de qualquer outro tipo de assistência”, argumenta.

 

O Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas atende na Rua da Concórdia, 372, salas 56 e 57, Santo Antônio. A entidade existe desde janeiro de 1973 e já formou dois parapsicólogos em curso de pós-graduação. “A Parapsicologia só vem sendo tratada com mais seriedade há poucos anos. Para se ter uma ideia, a conscientização do assunto como científico veio ocorrer a partir de um congresso que ocorreu no Rio de Janeiro, em 1982. Mas é grande o número de pessoas que começam a se interessar pelo assunto. Isto percebemos nos cursos básicos, que ministramos no I.P.P.P.”.