VIDENTES JÁ SABEM O QUE O CLIENTE QUER OUVIR
 

Jornal do Commercio, 16 de outubro de 1993.


O parapsicólogo Valter da Rosa Borges, 59, estuda fenômenos paranormais há 40 anos. É fundador do Instituto Per­nambucano de Pesquisas Psicobiofísicas e já publicou três li­vros sobre o assunto. Apesar de dizer que as videntes não são objeto de estudo da ciência, dá sua opinião: "O que há nes­sas consultas é uma relação mente a mente. É pura telepa­tia", diz.

Para Borges, as videntes usam técnicas para provocar a ação do inconsciente. Essas técnicas podem ser as cartas, os búzios, entre outras. “ Com a experiência que elas têm, já sabem o que os clientes querem ouvir”, explica. “Além do mais, os motivos que levam as pessoas a procurá-las são sem­pre os mesmos”. Segundo o pa­rapsicólogo, os homens vão mais por problemas financei­ros. As mulheres, pela vida afetiva.

E por que tanta gente acredita nas videntes? De acordo com Borges, o brasileiro é, por natureza, um ser místico, lúdico, que acredita em soluções, milagrosas e na fantasia. Por exemplo: o jogador de futebol já entra em campo se benzendo. “Temos uma estreita relação com o transcendental (além do universo físico) “, define.

A parapsicologia não nega que uma cartomante possa ter poderes paranormais. Afinal, a paranormalidade é uma aptidão do ser humano. Mas para fazer tal afirmação, precisaria submeter esse dom a um estudo. E aí é que surgem as dificuldades. Borges explica que essas pessoas fogem da investigação científica por temerem a quebra do encanto. “A coisa mais difícil é fazer uma investigação  num terreiro umbanda ou num centro espírita” observa.

Até hoje, não se sabe o limite da capacidade da mente humana coisa é certa: “To­dos os fenômenos paranormais são produzidos pelo nosso inconsciente”, diz o parapsicólogo. Quanto à veracidade ou não das informações passadas por uma vidente, aí vai um recado: “O futuro não está pronto. O que existe é o presente. E o passado está na memória. Logo, não se pode prever o que vai acontecer, mas apenas conjecturar sobre o futuro”.