Grêmio Cultural Joaquim Nabuco

         

O QUE FOI O GRÊMIO CULTURAL JOAQUIM NABUCO

 

O Grêmio Cultural Joaquim Nabuco (GCJN)  foi fundado em 2 de dezembro de 1950 por Valter da Rosa Borges, Tibério da Silva Rocha e Walter José Dantas, e encerrou suas atividades em 1958. Constituído por adolescentes, o Grêmio Cultural Joaquim Nabuco foi a mais importante e produtiva de de todas as associações lítero-artísticas juvenis do Recife na década de 1950.  Publicava um jornal, intitulado "Evolução", cuja existência foi registrada no livro "História da Imprensa de Pernambuco", do destacado jornalista Luiz do Nascimento. Os sócios do Grêmio Cultural Joaquim Nabuco se reuniam na casa de Valter da Rosa Borges, à rua Imperial, 415, e foi homenageado pelos escritores Andrade Lima Filho e Flávio Guerra em artigos publicados na "Folha da Manhã" e no "Diário da Noite", respectivamente. A história da instituição está retratada no livro "Grêmio Cultural Joaquim Nabuco (Memória de um Bairro), de Valter da Rosa Borges.

Durante os seus oito anos de atividade (de 1950 a 1958), o GCJN foi constituído de sócios fundadores, efe­tivos e benfeitores, entre os quais posso relembrar, além dos fundadores já mencionados, João Antônio de Vas­concelos, Cremilson Soares da Silva, Genilson Soares da Silva, Wilton Andrade de Souza, Roberto Coutinho da Silva, Amílcar Dória Matos, Abílio Gomes Guerra, Odir Cipriano da Costa, Antônio da Costa Pinto Júnior, José Carlos Poncell Neto, José Aurélio Farias, Jarbas de Holanda Pereira, Austregésilo Gomes Espíndola, Eros Jorge de Souza, Adeildo Rosa de Lima, Roberto Nogueira de Barros e Silva, Lelino Manzela dos Santos, Ivan Fernandes de Lima, Vilma Kruse, Zilda Rousseau Webster, Nilson Rocha Lins, José Quintino, Dércio Pessoa, Agildo Bezerra Guimarães, Ary Dias Caminha, Wilson Vilas Boas, Djalma Freire Borges, Diógenes de Lima e Souza, Eliú Bezerra de Queiroz, Jurandir Clementino de Souza, José Ramalho de Souza, Edgar Rodrigues Viana, Admilson Alves Feitosa, José Marinho de Oliveira, Raimundo dos Santos, Mauro Carneiro Assis do Rego, Agenor Leal da Costa, Luiz Mendonça (faleci­do), Luiz Tojal, Fausto de Lima Nogueira, Julião Carvalho da Silva, conhecido por Justo Carvalho, Denisar Santos Galvão, Zélia Cardim, Múcio Scévola da Costa (falecido), Ednaldo Bezerra de Lucena, Amaury Renaux Leite, Ân­gelo Santos de Jesus Pereira, José Basto Filho, José Ribamar Lopes, Enoque Mendes Saraiva, Wellington Virgolino, Mauro Gomes Pedrosa, Waldemar Amaro Ferreira, Aluízio Monteiro, Bernadete Galindo, Luiz Gomes de Freitas e Carlos Eduardo Santos.

Dos gremistas falecidos, o pintor Wellington Virgolino e o ator Luiz Mendonça se tornaram nacional­mente famosos.

Apesar de constituído de jovens, o GCJN também atraía a atenção de pessoas da idade madura, como foi o caso do poeta José Quintino, tio de Jarbas de Holanda, e que se destacava pela sua assiduidade às reuniões e pela sua produção literária, revelando-se um exímio sonetista.

O Grêmio era visitado por jornalistas, políticos, professores, artistas, intelectuais, como Ronildo Maia Leite, Sócrates Times de Carvalho, Flávio Guerra, Ascenço Ferreira, Eustórgio Wanderley, M.M. da Nóbrega, Antônio Brasil, Jomard Muniz de Brito e Dias da Silva, além de estudantes e pessoas interessadas.

Os sócios do GCJN eram oriundos da classe mé­dia e da classe pobre, uns morando em casas conjuga­das, outros em pensões familiares e outros ainda em quartos de fundo de quintal ou em dependências de ins­tituição religiosa. Somente uma riqueza os unia: a cons­ciência de que eram condôminos do imponderável pa­trimônio que para eles representava a instituição e o histórico bairro de São José.

As janelas da sala onde ocorriam as reuniões es­tavam sempre abertas para a rua e, isso, não raro, atraía a atenção dos transeuntes, alguns dos quais, mais curio­sos, ficavam assistindo, do lado de fora, a apresentação dos trabalhos.

Em sua curta existência, o GCJN funcionou na sala de visitas da casa, à Rua Imperial, 415, bairro de São José, residência de Valter da Rosa Borges.

IMPRENSA

Rua Imperial, 415 (*)

Andrade Lima

"Quando você, leitor, passar por essa rua, descubra-se diante desse número. Por mais preocupado que esteja com os atropelos desta nossa vida cotidiana, não siga indiferente: tire o chapéu, como faz diante de um templo. Porque lá dentro algo se passa que merece o nosso respeito. E mais do que isso, o nosso estímulo.

O 415 da Rua Imperial não é famoso, decerto, como o Dowing Street, 10, onde os fantasmas de Malborough e de Pitt vêm conversar com o velho Churchill sôbre os destinos de um império. Mas, amanhã, quando houver, em relação ao que hoje ali ocorre, aquilo que se chama perspectiva histórica, poderá vir a sê-lo. E então se saberá que por ali passou, em diálogos com os jovens, não fantasmas como aqueles, mas a sombra fascinadora de um grande espírito. Porque ali funciona, modesto, quase ignorado, mas atuante, o "Grêmio Cultural Joaquim Nabuco", onde êsses jovens, mal saídos das calças curtas, colegiais ainda, adolescentes e imberbes, sonham um lindo sonho de arte e cultura, num assédio juvenil à Parságada da inteligência.

Ali compõem ensaios, fazem poemas, desenham, pintam e discutem, em comum, os seus trabalhos, muito sérios e muito compenetrados da decisão que tomaram de conquistar o mundo, às vezes inhóspito, das letras e das artes. E o fazem certos de que possuem, mais felizes do que o ansioso e desesperado poeta, a "estrêla da manhã", capaz de iIuminar-lhes o caminho e conduzi-los à posse do desejado e merecido futuro. Desejado e merecido, repito, porque eles não o desejam apenas: merecem-no também. E o merecem pela seriedade, pela sobriedade, pela profunda convicção com que se entregam às sedutoras tarefas do espírito, de costas voltadas para as solicitações materiais de uma vida cada vez mais árida e mais vulgar, como esta nossa.

Êsses jovens colegiais, entre os quais podem ser pressentidas vocações de poetas, de escritores e de artistas, estiveram comigo em busca de uma palavra de encorajamento e de estímulo. Mas êles não precisam dessa palavra. Porque já trazem consigo, na tenacidade com que atuam, a vigorosa emulação da própria força criadora, silenciosa, mas fecunda. Pois deles será, se perseverarem, o mundo que está nascendo de suas mãos.

O que é preciso é que Mauro Mota, Esmaragdo Marroquim e Cesário de MeIo, suaves ditadores da literatura provinciana, Ihes abram as portas dos seus suplementos. Os hóspedes desse juvenil Hotel Ramboillet, que é o 415 da Rua Imperial, estão sófregos por esta oportunidade. E êles fazem jús a ela, por que não?"

(*) Folha da Manhã, 8 de setembro de 1954

 

Coluna “A Ronda dos Sete Dias (*)

Flávio Guerra

"- Um confrade já escreveu, certa vez, que quando alguém passasse pela praça Sérgio Loreto, por defronte do número 415, tirasse o chapéu respeitosamente, porque ali se reúne um grupo de moços, muitos ainda até imberbes, que sabe respeitar e amar as coisas da inteligência e do Brasil.

E nós diremos mais ainda. Recomendamos que o transeunte tire o chapéu, se concentre e medite, porque estes moços, na modéstia de suas reuniões em ambientes simples de móveis singelos, sinceridade dos atuantes respectivos e elegância de discernimentos, êstes moços representam a alma pura de uma pátria que ainda pode e deve ser salva.

O sentimento belo de respeito às artes e amor à cultura. O simbolismo da decência e virilidade intelectual de uma nação. E isto partindo em grande maioria de quase meninos, de jovens mal saídos dos bancos ginasiais, de moços professores, de modestos comerciários, radiatores, operários, estudantes todos, porém puros, sem mácula, de linhas florescentes no campo cultural da pátria, embora desconhecidos, ansiando por salvação de costumes e desesperando contra a inteligência ofendida, subvertida e humilhada.

São estes moços que compõem o "GRÊMIO CULTURAL JOAQUIM NABUCO", que ainda nos dão uma esperança no Brasil de amanhã.

Quando estiverdes, amigo leitor, desesperado e sombrio com a nossa degradação de costumes e com o desprêzo pelas cousas da inteligência e da cultura, que se nota nêste Brasil, quando estiverdes assim descrente e desiludido ide, amigo, à praça Sérgio Loreto, assisti alí uma reunião aos sábados do "GRÊMIO CULTURAL JOAQUIM NABUCO". Assistí com emoção e depois nos diz eis se não temos razão em afirmar que alí simbólicamente não se reflete um futuro necessário ao Brasil. Se aquêles moços que alí se reunem desprezando as futilidades da vida, o mundanismo e o vazio das perdições hodiernas, entregando-se platônica mente, às coisas da arte e do espírito, da verdade e da inteligência, sem nenhum objetivo mercenário, ou intúito grosseiro de mercantilismo político, se êles, de fato, não são admiráveis e dignos de referência e registo?

Na vida dos homens modernos as coisas materiais continuadamente massacram e extinguem as emoções e os direitos da sensibilidade. E para antepôr-se a esta materialização grosseira que corrompe e asfixia as sociedades modernas somente levantando-se o anteparo da cultura e da fraternidade, em amor a Deus e às coisas da inteligência.

E isto moldando dentro da sociedade, ao desabrochar das capacidades e plasmações dos sentidos. Assim como se faz no "GRÊMIO CULTURAL JOAQUIM NABUCO", onde a mocidade que alí se reune não sorve a cicuta da perdição, porém bebe o néctar das variações sentimentais das letras, da poesia, das artes para o bem e para o aprimoramento da inteligência.

Vale a pena conhecer-se como "avis rara", ou corpo estranho de uma sociedade em dias de perdição êstes denodados cavaleiros de uma luta sem fim, de uma personalidade desconhecida."

 

PUBLICAÇÕES

 

Em maio de 1950, foi publicado o primeiro jornal do GCJN, feito artesanalmente, e intitulado “O Literato”. No entanto, dadas as dificuldades de sua precária im­pressão, teve uma vida curta.  

Porém, em outubro de 1953, veio a lume o primeiro exemplar do jornal “Evolução”, que durou até fevereiro de 1956, e era vendido nas bancas de revistas da cidade.


O escritor e jornalista Luiz do Nascimento, no seu livro “História da Imprensa de Pernambuco” (volume X, 1997, Editora Universitária, UFPE, pags. 485/487) teceu os seguintes comentários sobre os dois jornais do GCJN:


“O LITERATO - Órgão do Grêmio Cultural Joa­quim Nabuco - Publicou-se “em caráter interino”, morren­do “na primeira edição”. Precedeu a Evolução conforme noticiário de sua edição de estréia.

EVOLUÇÃO - Órgão oficial do Grêmio Cultural Joaquim Nabuco - Publicou-se, pela primeira vez, em outubro de 1953, no formato de 48x32, com seis páginas a seis colunas de composição, Diretor Geral - Tibério Rocha; diretor-comercial - João Antônio de Vasconcelos; redatores - Valter da Rosa Borges, Abílio Gomes e Valter José Dantas. Assinaturas: ano Cr$ 15,00; semestre Cr$ 8,00. Número avulso Cr$ 2,00; atrasado Cr$ 3,00. Reda­ção à rua Imperial, 415 e trabalho gráfico da oficina do Jornal do Commercio.

Consoante o editorial “Clássica apresentação”, destinava-se a “realizar o mais árduo e dignificante tra­balho de divulgação da cultura" nos meios onde conse­guisse penetrar, pautando sua orientação “pelos princípi­os do patriotismo”.


Segundo me informou Wilton de Souza, Luiz do Nascimento possuía vários exemplares do jornal “Evolu­ção” inclusive o exemplar único de “O Literato”.

O acervo da Biblioteca da Biblioteca do GCJN era respeitável e constituído de obras de autores nacionais, principalmente pernambucanos, e estrangeiros, doadas pelos próprios sócios e por terceiros.

 

O GRÊMIO E OS GREMISTAS

 

José Aurélio Farias dedicou o seu livro “Pétalas Dispersas” ao Grêmio Cultural Joaquim Nabuco, movido pelo “amor fraterno” àquela instituição.


AO GRÊMIO CULTURAL JOAQUIM NABUCO

Qual pura luz que surge dentre as brumas
Para guiar um barco sem roteiro,
Na imensidão, perdido, entre as escumas
Dum mar incerto, negro e traiçoeiro.

As velas brancas, quais formosas plumas,
Desprende o barco ao Ressurgir Primeiro,
Quebrando, sem temores, as ascumas
Dum pirata invisível, vil lanceiro.

De júbilo, no barco, os tripulantes,
Aos puros raios dessa luz, risonhos,
Em pleno oceano, sentem-se triunfantes!

Assim, também, surgiu em Pernambuco,
Para o barco guiar dos nossos sonhos,
- O GRÊMIO CULTURAL JOAQUIM NABUCO.

 

 

Amílcar Dória Matos, no seu discurso de posse na Cadeira nº 16 da Academia Pernambucana de Letras, em 17 de setembro de 1992, assim lembrou a sua vivên­cia no Grêmio Cultural Joaquim Nabuco:

 

“Por essa quadra já um tanto recuada nos longes do tempo, olhares suspicazes e invejosos eram por mim arremetidos, de esguelha, à casa nº 415 da Rua Imperial, que o progresso viria, evidentemente, a destruir. Ali, um grupo de jovens e brilhantes discípulos dos Paulinos e dos Vilanovas manipulavam diabólicas retortas de alqui­mia. Aos meus deslumbrados olhos de empinador de papagaios e morcegador de bondes, o ritual levado a curso naquele sodalício de arrabalde transportava-me a inquietantes lucubrações. Como nele penetrar, eu mes­mo, egresso das dunas do areal, o corpo recendendo a água salgada da bacia do Pina? O que faziam aqueles compenetrados e bem-comportados membros da esoté­rica confraria? Como chegar até eles, tocar-lhes as lim­pas camisas e dirigir-lhes a palavra?

Sucede que o oficiante-mor, o grão-mestre da cabalística ordem, não era outro senão o inquilino da casa, o poeta e hoje nacionalmente respeitado parapsi­cólogo Válter da Rosa Borges. Deu-se que o autor dos versos quase adolescentes de “Os Brinquedos” e das maduras obras filosóficas “Só a Busca é Definitiva” e “In­trodução ao Paranormal”, concedia-me a honra de sua benevolente camaradagem. Tendo circulado pelos corre­dores do Colégio a notícia do meu “plágio”, Rosa Borges desceu do seu grão-mestrado, onde se altanava com basta cabeleira à Castro Alves, para condescender em efetivar dinâmica leitura do meu texto.

E assim se me abriram, de par em par, as inefá­veis portas do Grêmio Cultural Joaquim Nabuco.

Estava iniciada a minha carreira literária, que ago­ra, tantos anos volvidos, me abre as portas de um outro sodalício, bem mais ilustre, o maior de todos os templos da cultura pernambucana.”

 

Amílcar Dória Matos (Bairro de São José, um Iti­nerário de Saudade. Coleção Retratos do Recife. Comunigraf Editora/ Prefeitura da Cidade do Recife, Recife, 1998) lembrou, saudosamente os companheiros do Grêmio Cultural Joaquim Nabuco”. E comentou:

 

“Olímpicos, compenetrados em suas cabeleiras de poeta, os membros do Joaquim Nabuco se reuniam na casa nº 415 da rua Imperial. Esta era a residência do hoje nacionalmente respeitado parapsicólogo Valter da Rosa Borges, promissor sonetista de então, autor de “Os Brinquedos”.

Pois bem, por este tal celeiro passaram escrito­res, bardos, cronistas, ensaístas e artistas plásticos, to­dos muito ciosos e orgulhosos, à época, de seu talento e genialidade.

E também de sua riqueza vocabular.”

 

Amílcar rememorou o clima de intenso interesse cultural existente na juventude do bairro de São José:

 

“E proliferavam as associações culturais, naque­les tempos sem televisão e computador. Tinha a Rui Barbosa, hoje mantida, com escola e hospital, pela per­sistência missionária do seu eterno presidente Damasceno Soares, bem no alto de Três Carneiros, no Ibura.

O Grêmio Lítero-Recreativo Monteiro Lobato, pelas bandas do Carmo, não era propriamente do bairro: a maioria dos seus sócios vinha da zona norte, sobretudo do Hipódromo e do Campo Grande.

Acima de tudo, porém, figurava o Grêmio Cultural Joaquim Nabuco, que o destemido jornalista Andrade Lima Filho viria a chamar, em artigo na “Folha da Ma­nhã”, de “celeiro de imortais”.

 

REFERÊNCIA EM DISCURSO ACADÊMICO

 

Amílcar Dória Matos, no seu discurso de posse na Cadeira no 16 da Academia Pernambucana de Letras, em 17 de setembro de 1992, assim lembrou a sua vivência no GCJN:

"Por essa quadra já um tanto recuada nos longes do tempo, olhares suspicazes e invejosos eram por mim arremetidos, de esguelha, à casa 415 da Rua Imperial, que o progresso viria, evidentemente, a destruir. Ali, um grupo de jovens e brilhantes discípulos dos Paulinos e dos Vilanovas manipulavam diabólicas retortas de alquimia. Aos meus deslumbrados olhos de empinador de papagaios e morcegador de bondes, o ritual levado a curso naquele sodalício de arrabalde transportava-me a inquietantes lucubrações. Como nele penetrar, eu mesmo, egresso das dunas do areal, o corpo recendendo a água salgada da bacia do Pina? O que faziam aqueles compenetrados e bem-comportados membros da esotérica confraria? Como chegar até eles, tocar-lhes as limpas camisas e dirigir-lhes a palavra?

      Sucede que o oficiante-mor, o grão-mestre da cabalística ordem, não era outro senão o inquilino da casa, o poeta e hoje nacionalmente respeitado parapsicólogo Válter da Rosa Borges. Deu-se que o autor dos versos quase adolescentes de "Os Brinquedos" e das maduras obras filosóficas "Só a Busca é Definitiva" e "Introdução ao Paranormal", concedia-me a honra de sua benevolente camaradagem. Tendo circulado pelos corredores do Colégio a notícia do meu "plágio", Rosa Borges desceu do seu grão-mestrado, onde se altanava com basta cabeleira à Castro Alves, para condescender em efetivar dinâmica leitura do meu texto.

E assim se me abriram, de par em par, as inefáveis portas do Grêmio Cultural Joaquim Nabuco.

Estava iniciada a minha carreira literária, que agora, tantos anos volvidos, me abre as portas de um outro sodalício, bem mais ilustre, o maior de todos os templos da cultura pernambucana."